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A mostrar mensagens de outubro, 2022

(COM)PASSOS COM PÉ

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(COM)PASSOS COM  PÉ * Meu canto é livre e corre mais que o vento, Que a música não prende, antes liberta Essa força a que alguns chamam talento E outros chamam Musa ou chama incerta * Pode o compasso ser mais turbulento, Ou ir pé-ante-pé à descoberta De um som que o encha de contentamento E da cadência exacta que o desperta * Pra que a ideia flua e não tropece Nas armadilhas que a linguagem tece, Tem de ser o ouvido o seu maestro * E assim toca a orquestra a sinfonia Que uma ideia componha em sintonia Com algo a que eu, teimosa, apodo de Estro. * Mª João Brito de Sousa 31.10.2022 - 10.45h ***

"CANTA O GALO NO POLEIRO"

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A FLORESTA - Reedição

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A FLORESTA - Reedição *   Pintei numa floresta cogumelos Sob árvores azuis, como Gauguin, E adornei as neblinas da manhã De violetas e de ocres muito belos *   Fui colorindo o fundo de amarelos, Conversei com Diana, abracei Pã, Provei o verde polme da maçã E entrancei ramos de hera nos cabelos... *   Não houve nenhum sol, nenhuma lua Que ousasse reclamar-me a sua posse, Ou que reivindicasse o seu destino, * Porque ela, omnipresente, agreste e nua, De aspecto inacabado e sabor doce, Nasceu-me de um soneto em desatino. *   Maria João Brito de Sousa 25.09.2009 ***

NA ENXURRADA

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ico NA ENXURRADA * Nas veias do tempo, correm vida e morte, Ambas em desnorte e ao sabor do vento E ouve-se um lamento, ora suave, ora forte, Conforme o recorte do seu sofrimento... * Arde em fogo lento sem que alguém se importe Esse que anda à sorte por não ter sustento E eu que o não fomento, nem lhe sou consorte, Dar-lhe-ei suporte? Não posso, mas tento * Já que me apresento pra representá-lo Porque de si falo tendo eu quase nada E se, despojada, não posso ajudá-lo * Posso bem escutá-lo e senti-lo, magoada... Vou na enxurrada, não posso evitá-lo, Mas porque o não calo, não morro culpada. * Mª João Brito de Sousa 28.10.2022 - 10.00h ***

DE MADRUGADA - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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DE MADRUGADA * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa *** 1. * De madrugada acordo no escuro Mas vejo com clareza alvorecer A ideia nasce logo a florescer Como fruto nascido e já maduro * Depois escalo a árvore e apuro Aquele que aos olhos parecer Mais belo. Lanço a mão a escolher E pronto, agarro o fruto bem seguro * A ideia sabe bem e alimenta O ego agiganta a fantasia É como alimento que sustenta * O poder que nos leva à magia Nos mantém a alegria e nos aumenta O gosto que nos dá a poesia * Custódio Montes 24.10.2022 *** 2. * "O gosto que nos dá a poesia" É um fruto carnudo e agridoce Que assim que nasce de mim toma posse E toda me transforma em melodia... * A madrugada dá lugar ao dia - e mal de todos nós se assim não fosse - Para que o novo fruto nos remoce Em talento, em vontade e harmonia * Por vezes sou tão lenta a (re)colhê-lo Que tropeço, me enredo e me atropelo Longe do fruto com que mato a sede * Mas não desisto! Mesmo desastrada Porque vacilo...

POEMA/PÃO

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POEMA/PÃO * Escrevo pra ti que vens de olhos pasmados Matar nestes meus versos fome e sede: Possam teus sonhos ser alimentados Por quanto pão meu espanto te concede * Se te não são, nem foram dedicados, Servi-los-ei à fome que mos pede Mal a pressinta aqui, de olhos poisados: Que lhe faça proveito o que me excede! * E mais razão nenhuma me mantendo, Não reconheço justa outra razão Senão a que talvez me vá perdendo * Mas à qual nunca irei dizer que não: Pra que o que sinta fome os vá comendo, Cozinho versos como quem faz pão. * Mª João Brito de Sousa In A CEIA DO POETA Inédito ***

RENOVAÇÃO

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Renovação? Por  aqui  se faz favor!

"VAI O OUTONO LIGEIRO"

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Vai, sim, e está agora a passar por  aqui

SORTE

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  A Fortuna de Olhos Vendados - Tadeusz Kuntze, 1754 (Wikipédia) * A SORTE *   A sorte, amigos meus, quando bafeja Alguém que não desdenhe a própria vida, Pode vir como gota que goteja, Ou irromper de um jorro, decidida * E seja ela aquilo que ela seja, Não faz caso da porta que a convida, Não quer saber da mesa que a festeja E vai-se assim que encontra uma saída * A sorte não tem cor mas tem poder, Nunca cuida de qu`rer a quem a quer E muito raramente é justiceira * Pois nada enxerga e não sabe escolher Quem dela necessite por não ter Como sobreviver de outra maneira. *   Mª João Brito de Sousa In A CEIA DO POETA Inédito ***  

NÓS, SONETISTAS

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NÓS, SONETISTAS * Cada vez somos menos e mais velhos, Obreiros do soneto em português... Mas nós que não vergámos os joelhos, Que enfrentámos de pé cada revés * Que só da Musa ouvimos os conselhos Apesar da cegueira e da surdez Dos que em nós nada vêem senão espelhos Da sua (im)ponderada insensatez * Nós que, como os demais, fomos passando Para acabarmos não sabendo quando Mas não sem darmos voz ao que vivemos * Nós, os constantemente apaixonados, Nós, que açoitámos deuses e mercados, Nós, que partimos... Nós, que ficaremos! *   Mª João Brito de Sousa 20.10.2022 - 21.30h * Ao poeta e sonetista José Manuel Cabrita Neves In Memoriam 1943/2022 ***            

PUDESSE EU SER O MAR

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PUDESSE EU SER O MAR * Pudesse eu ser o mar em que navega A minha Musa errática e distante, Ou no mar naufragar seguindo avante, Alcançar quanto a Musa me não nega... * Pudesse eu ver, conquanto estando cega, Ao longe a minha Musa navegante E estando surda ouvir o som cantante Da partitura que hoje se me nega * Mas, vendo, nem sinal da Musa vejo E, ouvindo, tudo o que oiço é o meu Tejo A perder-se no mar onde eu, perdida, * Tento avistar ou Musa, ou partitura, E nada encontro, tanta é a lonjura, Tal a imensidão do mar da Vida... * Mª João Brito de Sousa 20.10.2022 - 12.00h *** ***

A MENTIRA

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Imagem retirada  daqui   A MENTIRA * Levo à bigorna o ferro incandescente Da palavra mentira. A fundição Que a fez chegar ao ponto de fusão Tornou-a numa massa incandescente * Mas nem fundida se torna inocente Pois veste a capa da contradição E insiste em iludir-nos a razão Ao afirmar sentir o que não sente * Que sempre que a mentira se agiganta E deixa de ser pouca pra ser tanta Que alastra e contamina a Terra inteira * Não há fogo, nem malho, nem bigorna Que a possam anular, que ela retorna E consegue passar por verdadeira. *   Mª João Brito de Sousa 19.10.2022 - 10.30h ***

DESENCONTROS

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DESENCONTROS * Dormias nos meus braços fatigados E, hoje, não me vês, não me conheces, Não juntas os meus fios aos fios que teces, Nem há lugar pra mim nos teus cuidados * É tarde, eu sei, pra redimir pecados Ou pra saber se tens quanto mereces E o que me dirias se pudesses Relevar preconceitos recalcados *   Mas se te move o mesmo que me move, Segue em frente, não esperes que te prove Que me sinto por fim realizada *   Pois também para mim o tempo é pouco E o mundo, minha filha, anda tão louco Que tudo diz saber sem saber nada. *   Mª João Brito de Sousa In A CEIA DO POETA Inédito ***

FOME(S) II

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Pormenor de mural de Diego Rivera FOME(S) II * Se tens fome do pão que ao rico sobra, A força da razão está do teu lado Quando acusas traído o resultado De tudo o que é produto de mão de obra * E se, do que criaste, outrem te cobra O fruto inteiro ou o maior bocado E a ti te deixa pobre e esfomeado Certo de que te cala e que te dobra * Mal sabe que te entrega a força toda, Que essa força em ti cresce e se denoda Para acender-se em chama renovada * Porquanto se agiganta, alastra em roda, Incendeia-se toda e mais te açoda Quando do que estuou lhe sobra um nada. * Mª João Brito de Sousa In A CEIA DO POETA Inédito ***

SUSPENSÃO

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SUSPENSÃO * Negaram-me as razões pra ter razão Sem qualquer atenção ao que não vendo Não posso deduzir de uma equação Que me não diz se a tenho, ou se a vou tendo... * E tendo mil razões para a tensão Que essa equação gerar, sempre em crescendo, Garanto não saber se há solução Pra tudo quanto tento ir resolvendo... * Mas eis que surge um verso em suspensão Na revolta que engulo e vou retendo Pra dela desviar toda a atenção * E logo desse verso me suspendo Suspendendo também a frustração, Já que a um só compasso então me prendo. *   Mª João Brito de Sousa In A CEIA DO POETA   Inédito ***

"A PAIXÃO NÃO É AMOR"

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Por  aqui , se faz favor

FUSÃO

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FUSÃO * Nas águas do meu rio, no ponto exacto Em que o mar num abraço o recebeu Me espelho e nesse amplexo me retrato E sou muito mais rio do que sou eu * Mas sou também pinheiro, erva do mato, Rochedo, alga marinha, azul do céu, Vento que rodopia em desacato, Molécula de ar puro, haste que ardeu... *   Na terra em que nasci, se me relato No que em mim nasce e no que em mim morreu Ou no mais que de meu guarde em recato * Qual mastro vertical ou qual troféu, É nessa (con)fusão que emulo o gato Que morre a defender um chão que é seu. *   Mª João Brito de Sousa In A Ceia do Poeta Inédito

E SE? II

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E SE? II * E se em vez de eu ser eu fosse ninguém Esta que reproduz, que engendra e escreve Ou se antes de quem sou fosse eu tão leve Quanto o ar que respiro e me sustém? * Na decadência do meu corpo, mãe, Se a chama da vontade se me atreve A consumir-me mais do que o que deve E se engendra a partir do que nem tem *   Talvez na persistência dessa chama Resida eu mesma e tudo o que em mim clama Por quanto desse fogo ousar nascer *   Ou mesmo no poema quando emana Do fel de cada dia da semana E se faz  voz da voz que me couber. *   Mª João Brito de Sousa In A Ceia do Poeta Inédito ***