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GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (10)

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    DA MINHA JANELA     Mar alto! Ondas quebradas e vencidas Num soluçar aflito, murmurado... Vôo de gaivotas, leve, imaculado, Como neves nos píncaros nascidas! Sol! Ave a tombar, asas já feridas, Batendo ainda num arfar pausado... Ó meu doce poente torturado Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas! Meu verso de Samain cheio de graça, Inda não és clarão já és luar Como um branco lilás que se desfaça! Amor! Teu coração trago-o no peito... Pulsa dentro de mim como este mar Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!... Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade" DA MINHA... "Mar alto, ondas quebradas e vencidas", Ou, bem pelo contrário, `inda raivosas; Ora serenas, frágeis, amorosas, Ora enormes, rugindo enraivecidas... "Sol! Ave a tombar, asas já feridas," Sobre as copas doiradas das mimosas Que recolho, uma a uma, bem viçosas, Do meu álbum de imagens não esquecidas... "Meu verso de Samain cheio de graça", Mal chegaste e já vais dizendo adeus, Pa...

JANELAS

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  (Soneto em decassílabo heróico)   Ressoam mil palavras que iluminam Silêncios das janelas apagadas Que vão mostrando, ainda que caladas, O tanto que as vidraças nos ensinam E, sempre que as janelas nos dominam, Ficam, dentro de nós, perpetuadas, Palavras – tantas mil! - das que, adiadas, Não puderam ser ditas, mas fascinam Como coisas antigas, revividas, Que, assim que vislumbradas, decididas, Repetem, sem falhar; - Nós ficaremos! Janelas, quais palavras repetidas, Que doem, mas jamais serão traídas, Abertas sobre quem não mais veremos...   Maria João Brito de Sousa – 15.11.2014 – 23.22h       Ao meu camarada e amigo Zé Casanova. Até sempre, Zé!