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A mostrar mensagens de setembro, 2008

ÀS VOSSAS PORTAS

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  Ele era o meu eleito entre os Poetas! Vivia amando tudo o que não tinha, Mas em qu`rendo o luar, o luar vinha Beijar as suas horas mais secretas...   Viveu para aprender até morrer, Aflorou os mistérios de outros céus E antes de partir, disse-me: - Adeus, Ainda tenho muito que aprender!   Por vezes nem sei mesmo se partiu Ou se ficou por cá... alguém sentiu Que as coisas permanecem mesmo mortas?   Por isso estamos juntos nestes versos, Criamos outros tantos universos E batemos, os dois, às vossas portas.   Ao poeta António de Sousa e à Ligeirinha.   Imagem - Fotografia tirada há cerca de dois meses à porta da "nossa" casa, na Rua Luís de Camões em Algés.      

EM CADA NOVO OUTONO...

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  EM CADA NOVO OUTONO   Sempre que for Outono, eu estarei lá, Nas folhas velhas, mortas e douradas, No murmurar das árvores cansadas, No Sol que se despede: - Eu volto já!   Há lágrimas no céu, de quando em quando, E o vento vai gemendo de mansinho Quando o Tempo prepara o seu caminho Para o novo Natal que vai chegando.   São crianças, as tardes e manhãs E as noites, a crescer, são como irmãs Do eterno labutar da nossa vida   E, a cada novo Outono, eu lá estarei Cantando o tal Natal que vislumbrei Na vida  que vivi tão  de fugida.     Maria João Brito de Sousa - 29.09.2008 - 11.30h   Imagem retirada da Internet

NÃO BRINCO MAIS!

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  Poder-me-ão dizer que faço aqui, Jogando o vosso jogo de paciência? Eu tive uma postura de indulgência, Mas sei que estou no jogo e não pedi!   No meio dos peões alguém estará Que, como eu, não sabe porque joga... Mas não vos falarei como quem roga! Jogai, jogai... enquanto eu  estou por cá.   Enquanto o jogo dura, eu pouco aprendo... De nada (ou quase nada) me arrependo! Se qu`reis jogar, eu quero colher flores!   Um dia, de repente, o jogo acaba... Não brinco mais! Eu sou como a cigarra E quero lá saber dos vencedores!   O LADO "MAUZÃO"   Não jogo mais!... mas posso ir poetando... Às vezes sou travessa, sei-o bem! É o meu "outro lado"... eu serei quem Sabe sempre o que quer mas nunca quando...   Quem nunca sabe quando irá parar, Quem sonha a tempo inteiro e sem fronteiras, Quem, como uma criança, faz asneiras E logo depois tem de as confessar...   À vezes mostro as garras, assanhada, Eriço o dorso e fico tão zangada Que ameaço, esperneio e sou mazinha...   Eu te...

QUE ESTRANHA LOUCURA A MINHA V, VI E VII

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À PORTA DO ESPELHO   Precisamente um sonho! Um sonho só E um dom ou uma dádiva - sinónimos... Dispersa-me em milhões (serão het`rónimos?) E abraça-se a mim fechando o nó.   Precisamente e só um sonho louco, Que me enlaça, me prende e me seduz, Aceso em mim... e tudo se reduz Ao muito que sei ter, tendo tão pouco...   Nesta abundância vivo e comunico E tenho muito mais do que o mais rico Porque vivo do amor que tudo tem...   Aqui, nesta loucura abençoada, Percorro, neste mundo, a minha estrada Por dentro de mim mesma e sem ninguém...   A EXULTAÇÃO DO ESPELHO   Eu ergo-me do chão, meu velho amor! Da força deste meu eterno abraço À doce solidão na qual me enlaço E reinvento a vida em nova cor...   Sou árvore caída que se ergueu, Que germinou da pedra e estendeu ramos E vou continuar (todos nós vamos...) Por onde me levar um sonho: - O meu!   Sou palimpsesto deste humano fruto, Sou êxtase da vida e sou produto De quantos ideais o mundo oculta.   Sou eco da palavra e sou reflexo Do espelho ...

QUE ESTRANHA LOUCURA A MINHA II, III E IV

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VIRTUALMENTE ALICE...   Há dúvidas, arrobas, asteriscos, Mil coisas irreais que desafiam, Que nem anjos sequer pressentiriam, Mas que já me fizeram correr riscos...   Há coisas de estranheza desmedida Como a "diagonal das verticais" E outras que parecem ser reais Mas que não são sequer formas de vida.   Há coisas que parecem ser ideias Com / fusas, semi-fusas e colcheias A saltitar na pauta semi-breve...   Alice no País-dos-Pesadelos Que trinca, alegremente, os cogumelos E vai fazendo tudo o que não deve...   O PLANETA DO FAZ-DE-CONTA   Faz de conta que é tudo, exactamente, Igual ao que já foi quando era "dantes". Faz de conta... e moinhos são gigantes! Basta-me um "faz-de-conta", urgentemente.   Faz de conta que vejo o que não vejo E que tudo o que vi, nunca foi visto! Se neste Blogomar a vida é isto, Faz de conta que brinco e que gracejo.   Faz de conta que sinto sem sentir... (mas eu não minto e nunca sei fingir,  por isso faz de conta que não sinto...)...

QUE ESTRANHA LOUCURA A MINHA...

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      Louca! Honestamente, eu fiquei louca! (e mesmo que não esteja, convém estar...) A loucura permite flutuar, Navegar neste mar sem usar roupa...   E louca vou criando e navegando No estranho blogomar que Deus me aponta Porque a minha loucura apenas conta Se eu deixar de assumir o Seu comando.   Por quanto estranho escolho eu já passei, Por quanta tempestade eu enfrentei, Eu nutro uma secreta afeiçãozinha...   São sentimentos sem qualquer razão, Que SINTO mas não sei dizer se são Efeitos desta tal loucura minha...  

BLOGOMAR, MEU ESTRANHO BLOGOMAR...

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Não. Hoje ainda não nasceu nenhum soneto... não quer dizer que não venha a nascer ou que eu não venha, ainda, a publicar a coroa, toda seguidinha, sem repetição dos tais versos primeiros e últimos. Quer dizer que hoje me apetece divagar um pouco sobre os meus cansaços, as minhas alegrias e o que de muito estranho tem andado a acontecer ultimamente. De todas as conclusões absurdas que tenho tirado nestes últimos tempos, a mais sensata parece ser a de que fui acometida por uma estranha forma de loucura, e, como, de vez em quando me torno sensata, vou optar por ela. Já me preocupei muito, já me preocupei pouco e já me deixei de preocupar, por isso não se preocupem vocês também. Não vale a pena. Pressupondo que fui acometida por um estranho caso de loucura e constatando, diariamente, que outra coisa não pode ser, o melhor é deixar fluir e esperar que passe. Porque tudo, tudo passa nesta vida e há loucuras que são mesmo episódicas. Mulher de muita fé e teimosa como ninguém, decidi continuar...

SEM NADA NA MANGA...

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  Ainda tenho acesso à internet e penso tê-lo garantido durante, pelo menos, mais um mês. Estou muito, muito cansada, o Spirit já anda pela casa toda - hoje de manhã escapou da casa de banho e quase "comeu" o Hope e a Pitinha que andavam a "esticar as asas" pelo chão da marquise - e o vale dos correios com os 181.91€ do RSI adiantou-se milagrosamente alguns dias. Foi-me impossível pagar as facturas em atraso nos correios ou no agente TMN, aqui no Palmeiras. Fui ao Oeiras Parque e depois de mais de uma hora na fila de espera, lá consegui ficar com o assunto arrumado... quer isto dizer que ainda me vão aturar mais uns tempinhos! (Caramba, estou tão cansada que até hesitei em carregar no ponto de exclamação...) Vim escrever este post sem fazer a menor ideia do que iria dizer-vos e antes de tentar, sequer, abrir a caixa de correio.  Pelo meio de toda esta confusão, lá consegui dispensar uns minutos à reformulação das últimas estrofes do 14º soneto, para que a coroa de s...

CESSE TUDO O QUE A ANTIGA MUSA CANTA!

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Outro valor mais alto se levanta...   Lamento muito, mas não poderei proceder hoje à reformulação da estrofe final da minha coroa de sonetos. O "valor" que podem ver no topo do post tem prioridade em relação a uma coroa de sonetos... mesmo que eu partisse do princípio que seria a minha "coroa de glória". Chama-se Spirit, tem cerca de 5 ou 6 meses e pertence ao sexo masculino da família dos felinos urbanos. - O que está o Spirit a fazer em casa da Poeta?Perguntarão vocês, muito pertinentemente. Pois nem eu mesma sei explicar o que está um jovem felino amarelo a fazer, fechado na minha casa de banho... posso fazer-vos a narrativa do estranhíssimo evento, mas vocês, mais uma vez, não me acreditarão... fá-la-ei, de qualquer modo. Fui, esta tarde, à farmácia Buscar (a crédito, claro...) Bactrim para a Lupa que começou agora a apresentar melhorias no seu estado e à vinda, sentei-me um pouco com as minhas duas amigas na esplanada do café. Desta vez não houve muitas gargalh...

12º, 13º e 14º SONETOS DA COROA - REMATE

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          O TEMPO NUMA FOLHA DE PAPEL   No barro desta humana imperfeição Mas aspirando a Anjo. Quem diria Que tão estranha e tão vã filosofia Haveria de ser aspiração?   Mas sendo controversa, ou mesmo vã, Garanto que não mudo o meu caminho! Sabe-me a boca ao mel, ao rosmaninho Das horas que cantar nesse amanhã   E se, a cada minuto, eu acrescento Uns "pós" do meu teimoso entendimento A quanto me pareça ser cruel,   O Futuro vislumbra-me e sorri... Sorrio-lhe, eu também, porque prendi O Tempo numa folha de papel...   Maria João Brito de Sousa - 22.09.2008   O "PECADO" DA FOLHA DE PAPEL   O Tempo numa folha de papel, De súbito pequeno e vulnerável, Desvendando um futuro indecifrável A traços de caneta ou de pincel...   Estranhíssima Alquimia a que revela Essa improvável forma de viver De um Tempo aprisionado, sem poder Gastar-se, nem na chama de uma vela...   Contudo, o tempo exprime-se e confessa, Revela, aos nossos olhos, a promessa Da mensagem que em si cristaliz...

9º, 10º e 11º SONETOS DA COROA

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NÃO SEI SE EXISTO MESMO OU SE ME INVENTO...   No sorriso do mar, ao qual assisto, Há cometas que passam, há sereias, Há sonhos transmutados em ideias, Há loucas ilusões que enfim conquisto!   Há conchas delicadas e castelos, (memórias do que ainda está por vir...) Há coisas que me fazem reflectir Sobre o que fiz (ou não...) p`ra merecê-los.   No muito que me diz esse sorriso Encontro sempre aquilo que preciso E disso os meus poemas vão crescendo.   Eu e o mar! Um só e afinal Todo este meu tesouro é irreal... Eu nunca sei se sou ou se me invento!     AS HORAS QUE ME ABRAÇAM   Eu nunca sei se sou ou se me invento Nos poemas que escrevo e que semeio... Talvez eu seja o fruto de um anseio A germinar em forma de talento...   Ou talvez seja só habilidade Este meu enlaçar-me nas palavras... Talvez as minhas mãos sejam só escravas De uma outra bem maior realidade...   Talvez seja a vontade colectiva Urgindo em mim, tornando-me cativa Das letras que aqui traço e que me traçam...   Só sei que mo...

PORQUE, ÀS VEZES, É INEVITÁVEL PARAR...

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7º E 8º SONETOS DA COROA

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VIAJAR PARADA   Desta alma pendular e des-inteira Eu amo as mil raízes que engendrei Na vertical de mim, como sonhei! Eu, dedicada à causa derradeira,   Às aves que em mim poisam, aos meus frutos, Ao vento que me embala de mansinho, À luz que vai rasgando o seu caminho Na terra, a pecadores e impolutos,   Às mil formas de vida que me envolvem, Aos sonhos que, em nascendo, me devolvem A força que em mim trago e me foi dada,   Às estrelas que me olham lá de cima À fé que cresce em mim e que me anima A tanto viajar estando parada!   O SORRISO DO MAR   A tanto viajar estando parada Chamar-lhe-ão loucura (e talvez seja...) Mas eu amo esta terra que me beija No dealbar de cada madrugada.    E estendo mais e mais estes meus ramos E fico assim feliz se frutifico! É assim que viajo enquanto fico E corro muito mais que os próprios gamos!   Não páro de correr nem um segundo! Espalho as minhas sementes pelo mundo E dispersa no vento é que eu existo.   Em frente o mar sorri, chama-me barco... Sorri...

ALMA DES-INTEIRA (6º soneto da Coroa)

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  Desde o meu primeiríssimo começo Fui mãos sobre papel, sonhando sonhos... Olhos distantes, negros, mas risonhos Sonhando o que, por norma, nunca peço.   O que li e escrevi! O que eu não fiz De borco, sobre o chão, entre papéis, Rodeada de lápis e pincéis Eu fui (como hoje ainda) a mais feliz   De quanto ser humano conheci! Foi nesse mundo que me construí À imagem da árvore primeira,   A que me dava sombra, fruta e luz, A que foi arrancada e se fez cruz Desta alma pendular e des-inteira!     Imagem - "O Pequeno Mundo dos Criadores de                  Afectos" - Acrílico sobre tela,                  Maria João Brito de Sousa, 2006  

4º E 5º SONETOS DA COROA

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  ...MAS SÓ DEPOIS!   Depois de mim, na paz de outra presença, Quando de mim sobrar recordação, Depois, não mais o sonho será vão. Depois, quando eu morar na luz intensa.   Se, por enquanto, eu passo por aqui, Virá depois o tempo de ficar (só é preciso Tempo, ó Deus solar!) Neste mesmo lugar em que nasci...   A Liberdade, agora, é o meu rumo! Eu sou como o Poema em que me assumo Nesta humana e teimosa condição...   Virá quando quiser... mas só depois! Porque este estranho encontro entre nós dois Será quando mo peça o coração.   DESDE O MEU PRIMEIRÍSSIMO COMEÇO   Será quando mo peça o coração, Quando o corpo me diga que já basta, Quando a Morte voltar, serena e casta, E de novo tomar a minha mão.   Virá, inevitável e seguro Como o dia que um dia já passou, Esse encontro final de quem ficou Suspenso entre o Passado e o Futuro.   Se voltei foi por pura teimosia! (talvez uma pitada de Magia tivesse comandado o meu regresso...)   Quando partir será porque assim quis! Por cá ficará tudo o qu...

EM DIRECÇÃO À MINHA NOVA VIDA (2º soneto da Coroa)

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Tão só por cá ficasse a minha pena, Eu cantaria o Mar, a Terra, o Céu... Depois, com esta voz que Deus me deu, Ficaria por cá, seria eterna...   Tão só as minhas mãos fossem palavras, Tão só a minha humana condição, De súbito, ganhasse a dimensão Quimérica, irreal das ondas bravas   E tudo em mim faria mais sentido Pois valeria a pena ter vivido mesmo passando aqui numa corrida...   Tão só tivesse as asas do meu sonho Depois de abrir a porta que transponho Em direcção à minha nova vida!     Imagem - "La Femme Qui Peint L´Enfant Éternel"                  Acrílico sobre tela - 76x63 cm                  Maria João Brito de Sousa, 2006   Nota -       Uma Coroa de Sonetos é composta por 14 poemas que têm a particularidade de se "entrelaçar" da seguinte forma: Cada um dos catorze sonetos começa pelo último verso do poema anterior e têm uma continuidade temática.   Errata -      Na imagem da tela leia-se "peint" aonde diz "peinte".

TÃO SÓ POR CÁ FICASSE A MINHA PENA...

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Eu, por minha vontade, cantaria A Vida até à hora derradeira! Eu cantaria a Terra, toda inteira, Desde o nascer do Sol ao pôr-do-dia!   Eu cantaria até tornar-me Terra, Nesta alegria imensa de ser vida E, embora doente e já vencida, Eu cantaria a Paz vencendo a guerra...   Eu cantaria mais, tão só tivesse, A força de o cantar, tão só pudesse Transformar-me em palavra e ser Poema...   Eu cantaria, ainda que já morta, Tão só viesse a morte à minha porta Levar-me... e cá deixasse a minha pena!     Maria João Brito de Sousa - 14.09.2008 - 14.09h   À minha amiga Eva pela gentileza da publicação de um dos meus sonetos e porque nasceu da leitura de uma citação de Vinicius de Morais de que ela fez acompanhar esse soneto.   http://escritosdeeva.blogs.sapo.pt/   (imagem retirada da internet)  

A CRUZ NO PAPEL

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Tracei a vertical de um sonho antigo No branco do papel que me seduz. Da linha horizontal nasceu a cruz E, tudo o que fizer, a vós o digo...   Uma cruz no papel... e nasce a obra! De um desenho imperfeito eu fiz poema... (nada mais sei fazer, mas tenho pena que assim me falte a mão... o sonho sobra!)   Eu sou esses dois traços no papel, Traçados a caneta ou a pincel, Como quem desenhando se descobre;   Dois traços definindo a vida inteira! Na vertical de mim sou verdadeira E, nessa horizontal, humana e pobre...     Imagem retirada da internet    

DEPOIS DE MIM

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Estais cansados de ouvir a lenga-lenga Daquilo que já fiz, do que não faço... Que vos pode int`ressar o meu cansaço, Este cantar-me até que a voz se renda?   Não podeis entender este feitiço (meu estranho e voluntário cativeiro...) De ser rica sem ter nenhum dinheiro... Podeis olhar-me e ver um deus postiço,   Mas reparai; se sou quanto aqui escrevo, Se o mundo, em mim, produz tão estranho enlevo, Se este cantar-me é pura compulsão,   Podeis ler-me depois de eu ter partido, No futuro, ideal mas pressentido, Dos que depois de mim me seguirão...   Imagem - "O Filho do Homem" -                  Acrílico sobre placa                  Maria João Brito de Sousa -2006

MAR, CÉU E NATUREZA

  De quanta coisa neste mundo amares Ama a centelha viva acesa em ti... Nas coisas que estiverem por aqui, Ama-te nos reflexos que encontrares,   Pois se te vês naquilo que conheces O Mundo serás tu e tu o Mundo... Em verdade te digo que confundo O próprio Mundo com as minhas preces...   Se te encontrares no Céu, na Natureza, Se o Mar amares serás, tenho a certeza, Alguém que encontrou já o seu caminho   E, então, serás reflexo da beleza, Desse estranho ideal que me tem presa, E nunca mais te irás sentir sozinho...   Soneto dedicado ao meu amigo Fisga (Eduardo) pois nasceu de um comentário feito por ele, em que afirmava amar o Mar, o Céu e a Natureza.   (Imagem retirada da internet)  

O SONHO EM VÃO

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Aqui, onde me vês, não sou ninguém. Sou átomo de vida, um quase-nada, Quiçá uma abstracção inacabada Das coisas irreais que o mundo tem...   Aqui, onde me vês, eu nada sou, Ou sou este teimoso sonho meu... Eu, Hermes mensageiro, eu, Prometeu Que Zeus um dia, irado, castigou...   E, enquanto ilusão, eu nunca sei Se sou por existir, se me sonhei, Se sou realidade, ou invenção   De um Ego que a si mesmo se constrói... O que de mim sobrar (isso é que dói!) Talvez seja, mais tarde, um sonho em vão...     Imagem - "A Sonhadora" - Acrílico sobre C anson                 30x20cm                 Maria João Brito de Sousa, 2001    

O PALÁCIO DE SAL

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    Ó meu palácio líquido e imenso De torreões de espuma imaculada, Todo bordado em renda recortada Sobre esse fundo de um azul intenso,   Nas muralhas instáveis que condenso Na imagem recorrente que, inspirada Me surge deste olhar-te e estar calada Na profunda atenção que te dispenso,   És berço de sereias e tritões, A estranha fauna desse imaginário Eterno e colectivo ou irreal   Que habitas para além desses portões Que invento para ti, ó meu sacrário Feito de sonhos e de água com sal.     Maria João Brito de Sousa - Verão 2008   (Imagem retirada da Internet)   (Revisto)  

O ABRAÇO

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Ó lusitano mar de quem herdei As veias dos poemas que te faço, Eu venho-me entregar ao teu abraço Pela mão de um soneto que criei   E tu, em cujo seio eu engendrei A voz que trará vida ao meu cansaço, Repara nestas linhas que te traço E aceita, inteira, a vida que te dei...   Eu sou quem te levou a outras raças, Quem de ti fez cavalo que galopa, Quem ouve os mil segredos que revelas...   Eu sou a terra-mãe que tu abraças Num ponto ocidental da velha Europa E a nação que te encheu de caravelas!   (Imagem retirada da internet)   NOTA DE RODAPÉ -Um dos sonetos com que concorri aos Jogos Florais que não ganhei    

ALGUÉM QUE NADA VÊ OU QUE NÃO PENSA...

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Ó Mundo, eu nada sou! O Mar que o diga, Que te fale dessoutras madrugadas, Das tardes colorindo, em desfolhadas, As notas terminais de uma cantiga...   Mas, mesmo nada sendo, eu sou amiga! Percorro este meu Céu de horas doiradas, Dispenso os aviões e auto-estradas (e, noutras relações, detesto intrigas!)...   Vês, Mundo? Eu sou assim, conforme digo! Não quero a fama vã, não temo o pr`igo E moro numa casa tão imensa   Que tu cabes lá dentro (e à vontade!) E se alguém o negar é por maldade! É alguém que não vê ou que não pensa...     Fotografia da minha sala-atelier num típico dia de trabalho.