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A mostrar mensagens de novembro, 2021

"VEREDAS"

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VEREDAS   I * Lembro as veredas das matas Que explorei nos tempos idos; Nessas florestas pacatas Sem ribeiras, nem cascatas, Vi crescer os meus sentidos * II * Trepei e andei de gatas, Rasguei calções e vestidos Em imitações baratas Dos heróis, nas casamatas, E nas v`redas, dos bandidos... * Mª João Brito de Sousa 20.11.2021 - 20.20h   * Poema em duas quintilhas criado para um rubrica do Horizontes da Poesia.

"EU OUÇO O VENTO A PASSAR"

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Ouça-o também

FAZ FRIO

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FAZ FRIO * "Mas noto que este frio continua" Embora os cravos vão brotando ainda À luz do sol, no chão de cada rua E à luz da lua, num mar que não finda. * Qualquer rio sente frio quando se estua E qualquer foz aqui será bem vinda. Faz frio. Um fio de prata, como a lua, Conduz a luz com que essa foz nos brinda * Há outro frio cortante, cru, palpável, Um frio que é realmente insuportável E nos congela a carne e a morada * Quando o Inverno bate às nossas portas Mal o Outono, o tal das folhas mortas, Retira e deixa a porta escancarada. *   Mª João Brito de Sousa 20.11.2021 - 10.15h * * Soneto criado a partir do último verso do soneto ESTE FRIO de Joaquim Sustelo      

NÓS

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NÓ(S) *   Fascina-me este sol... e não sou planta, Seduz-me o mar imenso, e não sou peixe... Do sol, colho o calor de cada feixe, Do mar, a força, quando se agiganta *   Facilmente me rendo ao que me espanta E não há desamor de que me queixe Ainda que este enleio doa e deixe Um nó que se me enreda na garganta... * Tantos enredos já desenredei Quantos os nós dos quais fui desistindo... Muitos foram os nós que confrontei *   Mas um houve que sempre foi bem-vindo, Que me enleou por dentro e que aceitei; Um que é tão meu, tão eu, que o não deslindo. * Mª João Brito de Sousa 19.11.2021 - 13.15

SERÁ QUE POSSO?

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SERÁ QUE POSSO? * "Onde apenas coubesse amor sem dor" Também eu, se pudesse, engendraria Um mundo tão gentil quanto uma flor Depois de erradicada a tirania * Um mundo que exalasse o suave odor Da corola na qual floresceria, Se ninguém o esmagasse e, sem temor, Na flor vissem bem mais que uma utopia... * Ah, pudesse eu criar um mundo assim, Onde o meu eu coubesse além de mim; Todos dif`rentes e todos iguais... *   Será que posso e que apesar de tudo É dizendo que não que a mim me iludo E que é crendo que sim que eu posso mais? *   Mª João Brito de Sousa 17.11.2021 - 15.10h * Nota - Soneto criado a partir do verso inicial do soneto SE EU PUDESSE I , de MEA (Maria Encarnação Alexandre)

"AS PALAVRAS ME FUGIRAM"

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.... fugiram todas por  ali!

COISAS QUE NÃO SEI SE OS OUTROS SABEM- Mª João Brito de Sousa e Custódio Montes

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COISAS QUE NÃO SEI SE OS OUTROS SABEM * Coroa de Sonetos * Mª João Brito de Sousa e Custódio Montes * 1. * Com pedras, pedra a pedra (re)construo O que à pedrada fora destroçado E mantenho um passeio calcetado Que posso utilizar, de que usufruo * Quando falta uma pedra, então recuo E preencho o vazio que foi deixado Ou dou pelo buraco e passo ao lado; Se não reponho, também não destruo... * De pedras aqui falo... ou talvez não, Que como as pedras muitas coisas são Capazes de caber onde elas cabem * Porque se em vez de pedra usar ideias Mais lacunas preencho... e ficam cheias De coisas que eu não sei se os outros sabem. * Mª João Brito de Sousa 14.11.2021 - 08.40h *** 2. * “De coisas que eu não sei se os outros sabem” Que a ideia passeia sem se ver Quem a tem vê então onde a meter Em espaço onde outras também cabem * Ideias que prosseguem sem que acabem E sem alguém ao lado perceber Aquilo que a mente anda a tecer E sempre a prosseguir sem que a travem * Por fim pode surgir um resultado...

COISAS QUE NÃO SEI SE OS OUTROS SABEM

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COISAS QUE NÃO SEI SE OS OUTROS SABEM * Com pedras, pedra a pedra (re)construo O que à pedrada fora destroçado E mantenho um passeio calcetado Que posso utilizar, de que usufruo * Quando falta uma pedra, então recuo E preencho o vazio que foi deixado Ou dou pelo buraco e passo ao lado; Se não reponho, também não destruo... * De pedras aqui falo... ou talvez não, Que como as pedras muitas coisas são Capazes de caber onde elas cabem *   Porque se em vez de pedra usar ideias Mais lacunas preencho... e ficam cheias De coisas que eu não sei se os outros sabem. * Mª João Brito de Sousa 14.11.2021 - 08.40h    

"ERA UMA CASA PEQUENA"

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Por  aqui , sff

DE VIGIA - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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Imagem retirada  daqui   DE VIGIA * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa *** 1. * Naquele fim de tarde olhei teu rosto As mãos nas tuas mãos o peito a arfar Pulava o coração e teu olhar Brilhava como brilha o sol de agosto * Enorme o nosso amor, origem mosto De uvas que pisadas no lagar Deitavam uma seiva que ao brotar Que bem sabia ! Lembro ainda o gosto * Ao longe vai o barco que te leva E para que essa seiva ainda beba Eu tento apanhá-lo onda a onda * E vai-se pondo o sol e acaba o dia Que venha a noite, fico de vigia Enquanto ali à volta o barco ronda * Custódio Montes 10.11.2021 *** 2. * "Enquanto ali à volta o barco ronda" A ilusão de um rasto de sereia, Sobe o gajeiro ao mastro e avista areia Por trás da branca espuma além da onda * Grita então: Terra à vista!, enquanto sonda O ansiado horizonte de uma ideia, Porque areia não há, nem terra alheia, Tão só vira a sereia em sua monda * Colhendo o vivo visco dos sargaços Que sorrindo aconchega nos se...