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GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (7)

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  LANGUIDEZ     Tardes da minha terra, doce encanto, Tardes duma pureza d’açucenas, Tardes de sonho, as tardes de novenas, Tardes de Portugal, as tardes d’Anto,   Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!... Horas benditas, leves como penas, Horas de fumo e cinza, horas serenas, Minhas horas de dor em que eu sou santo!   Fecho as pálpebras roxas, quase pretas, Que poisam sobre duas violetas, Asas leves cansadas de voar...   E a minha boca tem uns beijos mudos... E as minhas mãos, uns pálidos veludos, Traçam gestos de sonho pelo ar...     Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"     PEQUENINAS FUGAS...     "Tardes da minha terra, doce encanto", Lembrando cães e gatos e palmeiras Com horas coloridas por tonteiras E fronteiras rasgadas pelo espanto...   "Como vos quero e amo! Tanto! Tanto!"... Pois, mesmo que me passem mil rasteiras, As contas me parecem brincadeiras E, enquanto o penso, vou esquecendo o pranto...   "Fecho as pálpebras roxas, quase pretas...