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A mostrar mensagens de fevereiro, 2013

NOUTRO DIA QUALQUER...

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  (Soneto em decassílabo heróico)     Noutro dia qualquer não vos diria Que as rimas se insurgissem revoltadas Mas, hoje, ultrapassaram-me apressadas, Recriando outra estranha romaria   E nem vos sei dizer se saberia, Ainda que as quisesse controladas, Ainda que bem presas, bem domadas, Mudar seu rumo, impondo outra harmonia   Mais tarde, contarei que elas ficaram, Que me iludi, que não me renegaram E que hão-de estar comigo até ao fim,   Mas - só por hoje! - afirmo que voaram, Que, ao fugirem de mim, se recusaram Às regras que me impus, neste jardim…         Maria João Brito de Sousa – 28.02.2013 – 19.05h    

SONETOS ÀS ERVAS BRAVIAS DO MATO I

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  Flor de Urtiga (Em decassílabo heróico) À flor de uma palavra… eu renuncio! Noutra, mais louca ainda, recomeço A dança da palavra e pago o preço Que me cobra o poema que anuncio. No Inverno, enfrento ainda o beijo frio Do tanto que ousei ser, mas desconheço, Neste palco terreno onde não peço, Nem aceito os favores dum novo Estio. São flores, braços e garras, as palavras! Nelas m`elevo inteira… ou me condeno Num quase desafio a quem souber Ou tentar adentrar-se em minhas lavras!  (... há flores assim, bravias, com veneno, que se escapam da mão que as quer colher…)   Maria João Brito de Sousa – 20.02.2013 – 16.32h

POETA, 2013

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  (Lembrando o poema Poeta, 1951, de António de Sousa - in "Linha de Terra", Editorial Inquérito, 1951- seguido de transcrição da parte final do texto "Esboço Impressionista do Perfil do Poeta", de Natália Correia, in "A Ilha de Sam Nunca")   (Em decassílabo heróico) Deixai-o lá, glosando ao seu destino Os motes de quem foi, de quem não foi, Que a ferrugem salina que o corrói Como a todo o punhal  de gume fino Oxida-se a si mesma e nem lhe dói Estocada que alguém esgrima em desatino No espólio em que se traça homem-menino Num espanto que o desmente e que o constrói... Deixai-o desfolhar-se à beira-pranto Onde a mãe-lua, um dia, há-de ir buscá-lo Pr`ó guardar em discreto e suave encanto Não vá um deus avulso ousar tocá-lo Jurando, a todos vós, que ele era um santo Pr`a, depois, sem remorso, atraiçoá-lo... Maria João Brito de Sousa -  11.02.2013 - 11, 35h   ----*---- "Impressionante identidade do homem e do seu discurso poético....

AUTO RETRATO CARNAVALESCO... OU QUASE...

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Magriça, olhar tranquilo, um dente em falta, Loquaz no gesto largo e comedido É, qual gato de rua em chão perdido, Que age as mui raras vezes que s`exalta   Porém nunca ofensivo dela salta Insulto qu`anteceda um desmentido Por falta de razão, por sem sentido, "Tramar", à revelia, alguém "da malta"   Assim se viu num dia em que acordou Disposta a confessar-se e lhe faltou Suporte digital em que o fizesse   E desta folha branca se apossou Lavrando nela os versos que encontrou Pr`a descrever-se em tom que lhe aprouvesse         Maria João Brito de Sousa - 11.02.2013 - 12.21h

A TODOS OS ARTISTAS PORTUGUESES QUE RESISTEM E SOBREVIVEM A ESTE ANO DE TODAS AS INJUSTIÇAS

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(Soneto em decassílabo heróico)   Num traço, redesenho este universo Ao meu jeito de bicho inacabado Mas travaram-me o traço mal esboçado Como a mentira entrava o pólo inverso…   Do que me sobra, culminando em verso, Retiro, peça a peça, este legado Que aqui sirvo, bocado por bocado, Na refeição comum de um tempo adverso…   Assim, do ousado rumo em que me invento, Eu cobro, à Poesia, esse sustento Das horas de ser carne e sangue e sonho   E mais vos não sei dar, nem tenho alento Pr`a obra que me exija mais talento Do que em tão estranho gesto agora ponho…     Maria João Brito de Sousa – 04.02.2013 – 19.25h   IMAGEM – Fotografia de Manuel Ribeiro de Pavia, nome artístico do artista plástico alentejano, Manuel Ribeiro, tirada por António Pedro Brito de Sousa, meu pai.

O PULO

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  De pulo em pulo, exalto o meu protesto! (minto porque este “pulo” foi roubado a um tempo qualquer do meu passado e ao eco das memórias que lhe empresto…)   Mas se sobra a vontade e falha o resto De que me serve, então, ter protestado, Ter tido a agilidade e ter pulado Numa acepção literal do mesmo gesto?   O pulo é o das rimas que a verdade Nunca deixou morrer na mão rendida Pois, da nova impotência que me invade,   Renasce-me o poema e, da saudade, A voz que, não se dando por vencida, Pulou de estrofe em estrofe, em liberdade!           Maria João Brito de Sousa – 30.01.2013 – 17.21h   ,