A FLOR E A ARMA
METAMORFOSE “Tenho alma de papoila; mal se toca, mal se agita, caem-lhe as pétalas todas e fica morta, despida noutras vezes, a papoila, só por força do dever, transforma-se em rocha dura resiste à dor, à tortura, nada a pode comover mas, rocha bruta ou papoila, no palco fica a Mulher; eu, metamorfoseada em anjo ou alma-penada, ora papoila, ora fraga, conforme vos convier” Maria João Brito de Sousa - 1993(?) Poema introdutório, escrito por mim no Verão de 1993 A FLOR E A ARMA * Dei-vos a flor das armas que não tinha - ou tinha e quereria nunca usar... - E a dupla imensidão desta alma minha Num corpo que a mal sabe resguardar, * Entreguei-vos a espada, sem bainha, Na baioneta, pronta a disparar, E ninguém reparou que ela, sozinha, Se transformava em flor pr`a vos cantar * Por isso já não sei se arma, ou se flor, Mas seja ela aquilo que ela for, Ninguém pode negar-lhe a dupla vida * E, ao entregá-la com tão grande amor, Com ela disparei, sem mágoa ou dor, Um ve...