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OUTRO MISTÉRIO DE LISBOA

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Sou do Tejo no abraço em que Lisboa Se dá ao mar e, desse mar, reclama Esse amplexo ideal, que não magoa, Que nasce do poema, quando a chama   Virei dessa atracção sem raciocínio Com que ela seduziu um mar vadio E nascerei, também, do seu fascínio Sempre que à noite a canto à beira rio…   Esta minha cidade é como eu sou, Tem a mesma magia em que me dou Nos versos que lhe escrevo em cada dia…   Mistérios não se devem desvendar Mas sei que a cada abraço do seu mar Reinventa o mesmo amor que a principia…     Maria João Brito de Sousa