A MÃO QUE A CHAMA ATEIA
A MÃO QUE A CHAMA ATEIA * A mão que lança a chama, à chama torna E tarde ou cedo se renova o gesto Com o qual estranhamente a si se adorna Do desprezo que nutre pelo resto * Contempla toda a serra que a contorna, Observa a dor causada, ouve o protesto, Crê ver-se ao espelho e quando a cinza amorna, Retoma o gesto por qualquer pretexto. * Cada imagem filmada, cada grito, Cada ser acossado, preso, aflito, Vem garantir-lhe a glória de quem pode. * Assim se delineia a mão que ateia, A mão que nunca pensa nem refreia A compulsão que em si se acende e explode. * Maria João Brito de Sousa – 08.08.2018 – 11.33h