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A mostrar mensagens de abril, 2023

MÃO(S) II - Reedição

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Estudo de mãos - Vincent Van Gogh   MÃO(S) II * A mão que molda o barro, ao barro torna Pra que não falte o barro às mãos por vir, Pra que sempre haja mãos a ressurgir, Pra que se anime o barro, ao tomar forma * Abençoada a mão que foge à norma E se recusa ao gesto de oprimir, Abençoada a mão que resistir E a que surgir do barro a que retorna. * Olho esta minha mão. A tua. A nossa. Sei que há-de fazer tudo quanto possa Pra que outras mãos ressurjam depois dela * À minha mão velhinha, em tempos moça, Já o tempo a descarna e a desossa Sobre um barro que a fez rosada e bela. *   Maria João Brito de Sousa 26.04.2018 – 15.02h ***

NA ONDA - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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NA ONDA - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * Coroa de Sonetos * 1. * No alto da onda deu-se a explosão Do ventre saído, com luz, com amor Livre de pecado, criado sem dor Que do mar emana, mar da criação * Ao mundo lançado à procura de pão E com alegria, garra e destemor Andei pelo campo, cidade e ao redor Em tempos passados, tempos que lá vão * Agora na onda deste tempo aurido Procuro que o tempo me forneça tema Para que o meu tempo fique enriquecido * Paro e olho em frente e então por sistema Vou à biblioteca e depois de ter lido Ocupo o meu tempo escrevendo um poema *   Custódio Montes 27.4.2023 *** 2. * "Ocupo o meu tempo escrevendo um poema" Que brota da rocha que sou quando em rocha Transformo a papoila que em mim desabrocha Que às vezes é louco e bem louco, este esquema * No qual me aventuro sem leme e sem lema De dia ou de noite e à luz de uma tocha, Que acendo no escuro que de mim debocha Tentando cegar-me, que o faz por sistema... * Porém nos provectos setent...

POR TEIMOSIA OU PAIXÃO

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AOS QUE SE ACENDEM NA LUTA

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Tela de Álvaro Cunhal * Imagem retirada da página do Partido Comunista Português * AOS QUE SE ACENDEM NA LUTA * Aos que se acendem na luta, Aos que se apagam na fome, Aos que vão morrendo em nome De uns reais filhos da puta Que lhes roubam, da labuta, Quanto lucro os engordou, Lá, onde o lucro os cegou E onde a garra do poder Que não pára de crescer Cruamente se fincou * Sem que os direitos de um povo Fossem, sequer, respeitados, Garantidos, preservados, Tudo a bem de um “mundo novo” Que ele execra e que eu reprovo Na palavra, nas acções E até nas contradições A que venha a estar sujeito Pela mão de um burro eleito E outros tantos aldrabões * A todos esses e a quantos Sem descanso resistirem Mesmo se um dia caírem Na dureza dos quebrantos - que são certeiros e tantos… - Mas que, nem lerdos nem lentos, Possam ficar sempre atentos Sem mudar de direcção, Sempre opondo a voz do não Aos subornos truculentos *   À luta dos companheiros, Àqueles que ...

ABRE OS BRAÇOS À VIDA - Reedição

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ABRE OS BRAÇOS À VIDA *   Abre os braços à vida, besta louca, Besta da forte chama que arde em mim, Concede-me mais tempo antes do fim Daquilo que sei ser: humana e pouca! *   Devolve-me a revolta em mar convulso, Envolve-me em calor, em força ardente, Firma na minha mão, neste meu pulso, Glórias vindas dum doce antigamente! *   Hera, não mais serei, evoco Marte, Irei buscar Neptuno às profundezas, Já que a Terra ameaça em toda a parte, Kafkiana de inocência e de certezas... *   Lacónico, este chão que piso e que amo, Mede-me cada passo que não dei, Nenhum tempo concede o que reclamo, Oprime repetir-me o que já sei... *   Passado não me falta. Só futuro. Qual futuro?, pergunta-me a razão Rindo de mim no nada em que procuro Sombras de mim na antiga dimensão... *   Tomba um entardecer como os demais, Urdo, eu, um novo sonho amanhecendo, Vibra ainda uma corda, um eco, uns ais Wagnerianos, dóceis no crescendo, *   Xaroposos, venais, enjoativos... Yolo!,* grita-me o mar ao descobrir-me, Zer...

CANTAR ABRIL

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CANTAR ABRIL *   Ainda que outro mês me concedesse A honra de o viver e de o cantar, Eu cantaria Abril sem vacilar Porque é de Abril quem nel` se reconhece! *   De quanto mês se exalta e se enaltece Na voz que tanta gente faz vibrar, Jamais a voz de Abril se irá calar Enquanto existir povo e sonho e prece! *   Abril, na flor que a esperança aguarelou Desse mesmo vermelho que criou E que um cravo qualquer soube envergar *   Será, pr`aquele que em vida o partilhou, O mês em que este povo derrotou As mãos de quem o estava a agrilhoar! *     Maria João Brito de Sousa  12.04.2011 – 18.41h ***

O TAL VINTE E CINCO

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CORAÇÃO REMENDADO

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Tela de Salvador Dali * CORAÇÃO REMENDADO *   "Coração cansado num corpo despido" Pulsa ao meu ouvido tal qual trina um fado No peito guardado pra ser repetido Sem ser desmentido, sem ser conspurcado. * Velho e remendado coração traído Quando enlouquecido pulsas assombrado Não sei se enlevado, não sei se rendido, Não sei se perdido, nem sei se encontrado... *   Coração quebrado, logo recomposto Tal qual fosses mosto de selecta casta Que ninguém arrasta do seu firme posto *   Não te seja imposto quanto a ti te agasta E que digas, - basta!, se intenso o desgosto Furtivo e sem rosto que de mim te afasta. *   Mª João Brito de Sousa 21.04.2023 - 15.50h *** Soneto criado a partir de um verso de Albertino Galvão.

"NO SILÊNCIO DE UM OLHAR"

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NAUFRÁGIO DE POBRE

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Catraia e cacilheiro do Tejo, séc. XIX * NAUFRÁGIO DE POBRE *   Naufraga, a dourada, na areia da praia Se avança a catraia na água encrespada Pela vergastada de um vento que ensaia Um uivo, uma vaia que ao mar é lançada *   Naufraga, arpoada, uma enorme arraia De rodada saia de branco pintada E ao longe, quebrada, uma vaga desmaia Enquanto se espraia em alvura rendada... *   Por tudo e por nada e sem sino que dobre, Se um naufrágio ocorre ao largo da costa E o náufrago arrosta quanto mar lhe sobre *   Ninguém o socorre, nem Deus nele aposta Que é chaga sem crosta do assombro em que morre: De morto e de pobre quem espera resposta? *   Mª João Brito de Sousa 21.04.2023 - 12.30h *** Nota - Soneto hendecassilábico com rima encadeada (dupla) * Arraia ou raia pintada

A GENTE PASSA/A GENTE VAI FICANDO

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Fotografia do meu bisavô José de Brito no seu atelier com a minha bisavó Isabelle *. A GENTE PASSA/A GENTE VAI FICANDO *   A gente nasce e cresce. A gente passa Por dias que também estão de passagem E o tempo grava em nós a tatuagem Tanto dos risos quanto da desgraça *   Mas sempre que uma graça nos enlaça Renasce em nós a força e a coragem De protelar o fim de uma romagem Que nos dá mel ou fel, conforme a taça *   A gente é sofrimento e é prazer, Assombro, anseio e susto... A gente é ser. A gente é sempre ser, antes de mais *   Pois de quanto a gente é, foi e será Conta o que gente faz, fez ou fará Por gentes que nos são em tudo iguais. *   Mª João Brito de Sousa 18.04.2023 - 00.05h ***  

CAOS (COM)SENTIDO

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CAOS (COM)SENTIDO * Dentro de mim vivem ainda os sábios Da minha infância agora tão distante E os mil e não sei quantos alfarrábios Que se perfilam numa imensa estante * Encimada por velhos astrolábios, Um busto de Petrarca, outro de Dante E uma africana sem olhos nem lábios A amamentar um mal esboçado infante *   Povoa-me este caos, um caos amigo Que mais ninguém irá testemunhar E que abrigo no corpo em que me abrigo * Tudo fazendo para achar lugar Para qualquer recém-lembrado artigo Que me tenha esquecido de guardar. *   Mª João Brito de Sousa 19.04.2023 - 20.50h ***

GLOSANDO JOAQUIM PESSOA III

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BOM DIA, MEU AMOR! * Acordo-me. Acordo-te. Sorrio. E sobre a tua pele que a minha adora, navega o meu desejo, esse navio que sempre parte e nunca vai embora. *   E como um animal uivando o cio de um milénio, de um mês, ou uma hora, não sei se morro ou vivo, ou choro ou rio, só sei que a eternidade é o agora. *   E calam-se as palavras, uma a uma, feitas de sal, saliva, dor e espuma, com a exacta dosagem da alegria. *   Bom dia, meu amor! O teu sorriso é tudo o que me falta, o que eu preciso para acender a luz de cada dia. * Joaquim Pessoa Inédito In OS DIAS NÃO ANDAM SATISFEITOS. *   DESPERTANDO *   "Acordo-me. Acordo-te. Sorrio." peço-te alguns minutos de paciência até que me agasalhe e espante o frio e até que me abandone esta indolência *   "E como um animal uivando o cio" invades-me, poema, a transparência de quanto julgo ser, eu que sou rio, da vontade de o ser na própria essência... *   "E calam-se as palavras uma a uma" enquanto, também tu, vestes d...

GLOSANDO JOAQUIM PESSOA I I

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POETA DE COMBATE *   Poeta de combate me chamaram. De combate serei. Não mercenário! Poeta de combate é um operário das palavras que nunca se entregaram. *   Poeta de combate! E porque não? Sou poeta. Serei também soldado. O meu canto será um canto armado e o meu nome de guerra uma canção. * Poeta de combate me quiseram os que cedo da luta desertaram ou aqueles que nunca combateram. *   Poeta de combate eu hei-de ser até quando o meu povo precisar ou nada mais houver a combater. *   Joaquim Pessoa 1948-2023 In AMOR COMBATE, Moraes Editora *   POETA * "Poeta de combate me chamaram" E combatente fui. Não mais, nem menos, Do que esses que partiram entre acenos Para uma guerra de onde não voltaram *   "Poeta de combate! E porque não?" Que são meus dedos, se não são trincheiras? Que são meus versos, se não são certeiras Setas que aponto a cada coração? *   "Poeta de combate me quiseram", Poeta de combate me terão Ao lado dos que há muito se perderam *   "P...