"SINE DIE"
“SINE DIE” * A minha velha musa entrou em greve. Partiu sem avisar, por tempo incerto, deixando-me sozinha no deserto em que estiola a mão que já não escreve. * Sei que lhe devo o que ela me não deve, que sempre tenho o saldo a descoberto, que a mão me ficou lenta e que, decerto, se fartou deste corpo que prescreve... * Há-de voltar numa manhã qualquer, quando eu tiver esquecido que partiu, cantando um verso para me entreter, * Por ela musicado à beira rio... Há-de voltar, mas só se perceber Que a mão me vacilou, mas resistiu. * Maria João Brito de Sousa – 09.09.2018 - 10-59h