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TENTANDO COMEMORAR - COM OS QUATRO DIAS DE ATRASO QUE AS CIRCUNSTÂNCIAS JUSTIFICAM - O SEXTO ANIVERSÁRIO DO "POETA PORQUE DEUS QUER"

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SONETO CON(M)SENTIDO     (Em decassílabo heróico)     A mão morre na praia, o gesto hesita E a voz vai-me cedendo às avarias Que minam quanta carne o estro habita, Um pouco mais e mais, todos os dias,   Porém, lembrando as horas mais sadias, Renegando essa dor em si se agita, Tenta o verso ir mantendo as ousadias E canta pr`afirmar qu`inda acredita!   Saudades? Já vou tendo, o tempo voa E voam, nestas rimas conquistadas Às horas em que a dor a carne arpoa,   As palavras que, embora maltratadas, Conseguem, nessa voz que em dor se escoa, Sonhar com quantas mais nasçam cantadas!         Maria João Brito de Sousa – 18.01.2014 – 13.51h   IMAGEM - "Solstício de Verão" (xilogravura) - Manuel Ribeiro de Pavia, 1942    

A TODOS OS ARTISTAS PORTUGUESES QUE RESISTEM E SOBREVIVEM A ESTE ANO DE TODAS AS INJUSTIÇAS

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(Soneto em decassílabo heróico)   Num traço, redesenho este universo Ao meu jeito de bicho inacabado Mas travaram-me o traço mal esboçado Como a mentira entrava o pólo inverso…   Do que me sobra, culminando em verso, Retiro, peça a peça, este legado Que aqui sirvo, bocado por bocado, Na refeição comum de um tempo adverso…   Assim, do ousado rumo em que me invento, Eu cobro, à Poesia, esse sustento Das horas de ser carne e sangue e sonho   E mais vos não sei dar, nem tenho alento Pr`a obra que me exija mais talento Do que em tão estranho gesto agora ponho…     Maria João Brito de Sousa – 04.02.2013 – 19.25h   IMAGEM – Fotografia de Manuel Ribeiro de Pavia, nome artístico do artista plástico alentejano, Manuel Ribeiro, tirada por António Pedro Brito de Sousa, meu pai.

ALENTEJO

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ALENTEJO *   Revejo esse Alentejo no meu sonho; Na toada de Régio em sua casa Queima-me um sol ardente como brasa E alguém bebe aguardente de medronho *   Depois dos seus ciprestes, os sobreiros No leito espreguiçado da planura E perdem-se-me os olhos na lonjura De uns sobreiros leais, mas altaneiros *   Alentejo, ou sonhei-te, ou estive lá, Onde as ceifeiras mondam o teu trigo E as ovelhitas pastam pelos montes *     Não sei se fique aqui ou se lá vá, Envolta neste sonho em que me abrigo, Espreitando os teus longínquos horizontes. *       Maria João Brito de Sousa         NOTA - Este é para a minha amiga Maria, pela sua gentileza e disponibilidade e para o meu amigo Manuel Ribeiro de Pavia por ter sido o meu pri- meiro Mestre no desenho a carvão e Tinta da China.