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PEÇO DESCULPA; NEM UM VERSO OUVI... - Coroa de Sonetos

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NEM UM VERSO OUVI... - COROA DE SONETOS Maria João Brito de Sousa e Custódio Montes * 1 * Houvesse, hoje, um versito distraído Que por aqui passasse por acaso E que algo murmurasse ao meu ouvido, Pra poder-vos dar conta deste atraso... *   Fosse de pé quebrado ou mal medido, Quase a desvanecer-se num ocaso, Gago que fosse ou tão mal construído Que em tudo semelhasse ângulo raso, *   Que quisesse ser recto e não se erguesse Um grauzito sequer que graça desse A quem o visse ou lesse por aí... *   Mas este que encontrei sem voz, nem dono, Tudo quanto fará é dar-vos sono; Peço desculpa. Nem um verso ouvi. *     Maria João Brito de Sousa - 24.07.2020 - 14.30h ** 2 * Também eu não ouvi sequer um verso Pois fui passar uns dias à aldeia Sem versos, claro, venho de alma cheia E este estado assim é bem perverso * Trazer a alma toda em anverso: A alma com poesia sem que leia O ritmo que entre ela se encandeia E firmem no conjunto um universo * É termos o poema cá bem dentro E a forma arredada do ...

SÁBADO DOMINGO E SEGUNDA FEIRA VIII

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    A HORA DO SORRISO *   Tendo a vida virada do avesso E estando já tão perto da partida, Tenho, afinal, aquilo que mereço Porque assim se define a própria vida *   E, se a glória vier, caso demore, Que nunca tenha pressa de chegar, Só para que, depois, ninguém me chore Apenas por fingir saber-me amar. *   Agora, se sorrir, estarei mentindo Porque me dói, no corpo, a alma inteira, Porque me assumo humana e pensadora * O que me irá, decerto, permitindo Ir-me reinventando. A brincadeira Não me imporá sorrir a toda a hora. *   Maria João Brito de Sousa - 2010       UMA TAREFA LENTA...     Não tenho tempo, irmãos, que o Tempo voa; Quem vê, na Poesia,  distracção, Não é poeta e nunca foi senão Alguém que por aí verseja à toa… *   Lá longe, muito ao longe, o verso ecoa, Aproxima-se mais, pede atenção E não lhe posso já dizer que não Quando, vindo de longe, em mim ressoa. *   Flutua e vai pousar. Quedo-me atenta E espero o exactíssimo momento Em que consiga ouvi-lo e dar-lhe voz. *   Pode a ...

PRENÚNCIOS DE OUTONO

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  Veio a lua espreitar sobre os beirais A ver se vislumbrava as andorinhas E eis que se zangaram as vizinhas E o sol se foi deitar cedo demais…   Quando o sol se deitou, houve sinais E prenúncios de noite sobre as linhas Que os poetas traçavam. Estas minhas Tornaram-se douradas, outonais…   Amanhã ou depois as noites crescem, A lua vai brilhar por mais um tempo E a chuva vai cair sobre os terraços…   São prenúncios de Outono antes que fechem As horas deste meu entendimento Gerado na matriz de outros abraços…     Imagem retirada da internet