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A mostrar mensagens de novembro, 2008

OS QUARTOS DA LUA

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Nestes quartos-de-luz  da lua-cheia Desfaço-me e, desfeita, eu pago o preço De ter virado a vida do avesso Cozinhando poemas para a ceia...   Divido-me e, assim, fico só meia... Mas mesmo dividida eu não me esqueço Que devo ser melhor que o que pareço E nasce-me outra luz: a nova ideia!   Criança tonta, bato palmas, canto, Cada ideia me traz um novo encanto, Cada encanto me espanta mais e mais!   Criança tonta em louca correria Pelos quartos da lua... que alegria A de abraçar um mundo de ideais!     Imagem retirada da internet

ÁGUAS PROFUNDAS

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ÁGUAS PROFUNDAS *   Nas águas mais profundas, traiçoeiras, Que me inundam de mágoas o viver Eu, que tão pouco sei, fico a saber Das causas mais remotas e primeiras. *   Aquilo que aprendi não tem fronteiras, Vem da nascente onde começa o Ser, Não acaba depois de se morrer E não conhece atrasos nem canseiras: * É um deslumbramento vertical A engendrar um mar dentro de mim Que me enche, me extravasa e me conduz * Ao fundo do meu Ego, esse local Onde reinicio este meu fim Pra de novo acender a minha luz. *   Maria João Brito de Sousa - Novembro, 2011     Imagem - FEMME ASSISE - P. Picasso  

RUSH, RUSH, RUSH...

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Torço o pé, Estrago o sapato Nestes passos que vou dando... Piso o rabo do meu gato, Fica desfeito o encanto!   Porque, afinal, Os meus passos São sempre passos demais, Ao pisar o rabo ao gato Torço o pé, Estrago o sapato, Fica o percurso estragado... Por hoje não corro mais!     Imagem retirada da internet

HUMANA CONDIÇÃO III

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  Se passas e não olhas nem reparas No mundo que te pede o teu melhor, Se dás indiferença em vez de amor E se, passando, não ouves nem paras,   Se passas por passar, sem entender Que não é por acaso que aqui estás, Se só queres receber e nada dás, Tens muito, muito ainda, que aprender.   Só dando tu recebes de verdade; É no sonho que a nossa identidade Revela a sua humana condição   Só dando-te terás, inteiramente, Decifrado o enigma da semente Que este Universo pôs na tua mão.     Maria João Brito de Sousa - 27.11.2008   "Operários" , Tarcila do Amararal, 1933   Imagem retirada da internet

MOMENTO EXTRACORPÓREO

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  Mar de mim, eu sou quem se partiu, Quem se tentou colar mas se esqueceu De viver uma vida que perdeu Na chama que, inteirinha, a consumiu.   Aquela que a si mesma se impediu De ser tudo o que foi quando nasceu, A que, escondida, nunca mereceu O caminho do Ser a que fugiu.   Vaivém das obras nuas dos meus dedos, Das minhas disfunções e dos meus medos E, depois, a certeza de ter visto   Daquilo que se passa e já passou O caco do estilhaço  que sobrou... Eu já nem sei se vivo ou se desisto!     Maria João Brito de Sousa - 25.11.2008   Imagem retirada da internet  

O DESVIO e UM ESPAÇO AO PÉ DO MEU...

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Porque me fica a boca assim amarga E os olhos, embaçados, se me cerram Se saio desta casa onde me entregam Poemas e animais? A minha carga.   Porque será que me não sei mover Senão neste meu espaço sem fronteiras? Porque razão me sinto uma estrangeira Onde possa estar longe de só ser?   E, no entanto, aonde os outros vão, Onde as coisas se fazem é que são Os espaços benditos pelo mundo.   E eu, mais uma vez, dobro a vontade, Me curvo a essa estranha realidade E me desvio da luz de que me inundo...     UM ESPAÇO AO PÉ DO MEU...   E faço e raspo e limpo e vejo e esfrego, Depois volto a limpar e a esfregar Neste vaivém do eterno-começar Ao qual dedico a vida a que me entrego...   Já mal me sobra tempo pr`ó que escrevo E quase nenhum tempo pr`a pensar! Se tempo `inda me resta pr`a sonhar Nenhum me sobra já pr`a ter sossego...   E escovo e subo e desço e nunca paro Neste cuidar do muito que me é caro E nem sei se parando `inda sou eu...   Nem mesmo enquanto durmo eu fico em paz! Quase sempr...

DAS FUNÇÕES DO SONHO II

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Que estranha, alucinada projecção Do ego de outro alguém morando em mim... E que me importa, se me sinto assim Eu mesma em projectada oposição?   Acordo. Foi um sonho. A sensação De ter alguém comigo e estar assim, Capaz de me calar e dizer: - Sim... Quando eu mesma teria dito: - Não!   Um sonho... e, no entanto, eu aprendi, Pensei e meditei (ou reflecti?) Que tenho ainda coisas por fazer...   É a escola do sonho a funcionar, A mostrar-me o caminho, a ensinar Que o melhor desta vida é aprender...     "Sinfonia Sol-Lua com Remendo Verde" Maria João Brito de Sousa, 2006  

QUEBRANDO O ESPELHO III

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Tela de minha autoria  * Quem sou? Que faço aqui? De onde é que vim? São estas as perguntas que me faço, Tão banais que reflectem o cansaço Da rotina geral que existe em mim... *   Banais e, no entanto, eu nunca sei O que hei-de responder-lhes! Quem sou eu? Por que razão cá estou? Quem me prendeu Ao mundo ficcional a que me dei? *   E dei-me? Dei-me mesmo, ou julguei dar-me? E há perguntas em mim, a perguntar-me Quanto tempo me resta de caminho... *   - Pergunta ao espelho! - Alguém me sugeriu... E foi então que o espelho se partiu Deixando a puberdade em desalinho. *   Mª João Brito de Sousa 2008 ***     "Puberdade" - Maria João Brito de Sousa, 1999  

A CAUSA

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Se não fosse outro alguém, seria eu A despertar a causa de outro alguém, Mas como não fui eu... não foi ninguém E a causa calou-se e pereceu...   Quantos "alguéns", pensando ser inútil Abraçar um causa, pois que tantos Pensam que ela não traz esses encantos Que movem sua vida, porque fútil?   Não foi ninguém. Ninguém quis compromisso Com a causa e a causa, apesar disso, Acabou por nascer, foi abraçada...   Alguém se levantou, alguém clamou - Eu creio nessa causa! À causa eu dou O sonho, a vida, a morte... o tudo e o nada!     "Children`s Crusade" , Paula Rego   Imagem retirada da internet    

OS RESISTENTES

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Embora nós não fossemos ninguém, Embora nenhum mundo nos quisesse, Embora nem um de entre nós tivesse O domínio do Mal, a luz do Bem,   Embora neutros, homens como os outros, Passíveis de fraquezas e paixões, Embora uns tantos mais entre milhões, Lúcidos quanto baste, embora loucos...   Embora apenas meio construídos Na busca inabalável dos sentidos Que nos prendem aqui e nos comandam,   Embora estranhos barros imperfeitos Nós somos - quem diria? - esses eleitos Que insistem, que não vergam nem debandam.       Tela de Vincent Van Gogh Imagem retirada da internet

TEMPERO DE MAR

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  Mar dos luares de prata sobre a areia, Dos búzios e das conchas nacaradas, Das algas sob os pés, em caminhadas Que vão da baixa-mar à maré cheia...   Mar de ouro branco e pérolas de luz Como os grãos das areias que em ti piso... Uma vez mais me perco no sorriso Com que a tua brancura me seduz...   Eu perco-me e perdida encontro em ti A criança que em mim nunca perdi No percorrer da areia intemporal   E dissolvo-me em ti e sou tão tua Quanto a brancura dessa branca lua Como se, em vez de mim, fosse o teu sal...     Maria João Brito de Sousa - 20.11.2008 - 13.54h     Imagem retirada da internet  

QUEBRANDO O ESPELHO II

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Depois de quebrado o espelho Fica a dúvida no ar... Tanto espelho! Quanto espelho Fica ainda por quebrar?   Mais um espelho que se quebra, Mais um passo... e nunca acaba! A vida é feita de espelhos. Espelhos novos, cacos velhos Quando uma vida se encerra...   Quando a luz se espelha em nós, Quando, à hora da partida, Nos sentimos menos sós, Quando o espelho, já quebrado, Separa o corpo da alma E, depois, medo e pecado Dão lugar a outra calma, Já o espelho se quebrou Já os cacos se esqueceram Reflectindo o que ficou Das coisas que nos prenderam...   Quantos cacos por aí E nós sem nos darmos conta... Quanto espelho eu já parti, Quanta fachada de montra?   Quebrado o último espelho Fica a dúvida a pairar... Tanto espelho! Quanto espelho Fica ainda por quebrar?     "Vida" - Pablo Picasso, 1903   Nota - Esta alegoria foi concebida como um grupo simbólico de significado aberto e trata-se de uma homenagem ao seu amigo Casagemas - o personagem masculino seminú - que, no ano anterior...

QUEBRANDO O ESPELHO

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QUEBRANDO O ESPELHO *   Quebro a cara e fico em pé, Quebro o espelho e jogo fora! Fui eu quem quebrou, até, A caixinha de Pandora... * Quebro a cara nesta dança... Que me importa? A dança é minha! Quebro a cara, colo a cara, Faço e desfaço uma trança No tempo que me separa Dos passos que dei sozinha! * Colo o espelho que quebrei... Colo, mas volto a quebrar! Quantas vezes me não dei, Quantas quis antes não dar? * Quebro a cara e fico em pé, Quebro o espelho e jogo fora! Fui eu quem quebrou, até, A caixinha de Pandora! * Quebro o espelho, arraso o palco, Colo a cara e quebro o espelho, Colo o espelho e quebro a cara... Quanto tempo me separa Do tempo mais do que velho Dos vestidos de tobralco? * Colo o espelho que quebrei Só pró voltar a quebrar... Quantas vezes me não dei, Quantas quis antes não dar? *   Quebro a cara e fico em pé, Quebro o espelho e jogo fora! Fui eu quem quebrou, até, A caixinha de Pandora... * Maria João Brito de Sousa 18.11.2015 -14.13h ***     "Joie de Vivre...

UMA OUTRA CASA, TAMBÉM PORTUGUESA...

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Eu passo! Essa jogada não é minha! Prefiro a lucidez distanciada Do tempo em que ao jogar uma cartada Tinha a vitória mais do que certinha!   Um livro de cordel (escrito por mim!), Uma sopa no prato, sobre a mesa... Vestígios de outra casa portuguesa Sem beijo à minha espera (antes assim!)...   Sem azulejos nem flores e jardim, Sem nada que pareça uma promessa, Mas sempre a minha casa e não m`int`ressa   Se a casa cheira a mel e alecrim! A casa portuguesa... um universo Desta implosão de mim no meu inverso!       Imagem retirada da internet      

DE COR E SALTEADO...

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De cor e salteado, eu sempre soube Ser esta a minha estrada, o meu caminho, Pelo qual passo leve e de mansinho Por ser esse o destino que me coube.   De cor e salteado eu sei o espaço Destas paredes entre as quais me movo E sempre que o contemplo me comovo E crio mais amor, aperto o laço...   Poeta, como poucos militante, De cor e salteado, a cada instante, Tecendo a longa trama destas linhas,   Sabendo-me, de cor e salteado, Sem freios e sem rédeas nem cuidado, Liberta de fronteiras mais mesquinhas...     Imagem cedida por http://observantes.blogs.sapo.pt/      

NO DESFILE DE ROSAS...

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Hoje o meu soneto vai estar no "Desfile de Rosas" , no cantinho do meu amigo Free-Style. Muitas rosas irão desfilar, nesse espaço. Para que me possam reconhecer aviso-vos de que desfilarei com o modelo "De Alma Nua..." O espectáculo terá início às  21.52h  (peço desculpa. Enganei-me nos minutos...) do dia de hoje, mas se quiserem dar uma vista de olhos antes dessa hora, já encontrarão outras concorrentes a "desfilar" ao som de magníficas músicas...   Aqui fica o convite e o "bilhete", gentilmente oferecido por http://free-stile.blogs.sapo.pt/    

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR...

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Eu fui, tu foste, ele foi... sei lá quem foi Que me invadiu a Torre de Marfim, Que me roubou as flores deste jardim, Que pôs o dedo aonde mais me dói...   Eu sou, tu és, ele é um bicho-raro, Um prepotente, um parvo, um desgraçado, Um "pide", um "bufo", um mal-intencionado Que tentou boicotar o que me é caro!   Serei, serás, será seja-quem-for, Alguém que me "lixou" tentando impor Uma vontade sua à minha voz!   E seja-lá-quem-for eu, hoje, digo Que foi girando em torno do umbigo Sem respeito nenhum por todos nós!     Ao "seja-lá-quem-for" - até pode ser o espírito desencarnado de António de Oliveira Salazar ou de Adolfo Hitler - que na noite de 6ª Feira, 18 de Julho do corrente ano, fez aparecer no ecrã do meu portátil a palma de uma mãozinha aberta e a seguinte legenda: CASTIGO! SEM INTERNET...   Imagem retirada da internet...    

FASES DA LUA II (poema de rima livre)

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  Tenho fases (tantas fases...) Em que fazendo o que faço, Me esqueço de ser quem sou, Me dou toda num abraço... Tenho fases (outras fases...) Em que me ponho a pensar, Me esqueço de que me dou, Fico em "molho de luar".   Tenho fases de saber E fases de duvidar. Sou, numas fases, mulher, Noutras sou o que inventar...   Na maioria das vezes A fase que me domina É a fase dos revezes Em que volto a ser menina.   Faço dos quartos da lua O meu quarto-de-sonhar, A minha sala é a rua Em pura ascese lunar.   Tenho fases de saber E fases de duvidar. Sou, numas fases, mulher, Noutras sou o que inventar...   Mas por mais que me divida Em quartos lunares, marés, Por mais que percorra a vida E o mundo de lés-a-lés, Só na lua é que descanso, Só na lua é que me encontro... Aspiro, neste remanso, A deixar no mundo um ponto: Partir sabendo quem és...   Tenho fases de saber E fases de duvidar. Sou, numas fases, mulher, Noutras sou o que inventar...     Maria João Brito de Sousa - 13.11.2008 - ...

FASES DA LUA

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    Abreveviei-me, enfim em lua nova No singular azul deste meu céu... No sonho que o estarsó me prometeu Olhei o Universo e pus-me à prova.   À prova de mim mesma, do cansaço, Das coisas que magoam luas-cheias Neste palco lunar das mil ideias Preenchendo lacunas de outro abraço   Abreviada, já nem sou visível E transformo em luar cada impossível Numa constelação pré-fabricada...   Mas muda o tempo as fases de uma lua E assim, despida, eu fico de alma nua... Quem imagina a lua envergonhada?   Maria João Brito de Sousa - Novembro, 2008     Soneto dedicado à minha amiga Nati (outra alentejana...) que veio enriquecer a nossa "mesinha de café" com a sua presença e partilhou comigo as castanhas do S. Martinho.   Imagem retirada da internet  

A CAPA DE MARTINHO

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                                  Martinho, a tua capa, reza a lenda, Espalhou-se pelos céus, desfez-se em luz E assim tua bondade reproduz A dádiva do gesto, a tua of`renda.   Martinho, reza a história deste povo Que ofereceste ao pobre a protecção, Que a tua capa, qual consolo e pão, Transformou todo o frio em calor novo...   Martinho, em cada ano o céu sorri Lembrando a grtidão de uma partilha E o próprio tempo muda e te agradece.   Partilhando o calor que havia em ti Vais fazendo lembrar o quanto brilha Um gesto, um gesto só, que tanto aquece!     Imagem retirada da internet  

4, 4, 3... e três suplentes

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Diga-se: - Futebol! - porque se trata De assunto de importância capital E de tão grande int`resse cultural Quanto a saúde ou os bairros-da-lata!   Diga-se: - Futebol! - Tudo se explica Nessa palavra curta e tão sonora! - Foram ver futebol, foram-se embora... Só "bola" e "pé", tal qual o nome indica...   Serviu-me, o futebol, para mostrar Como um poema pode até cantar As causas "mais maiores" deste universo!   Serviu-me, o futebol, p`ra poetar! Como vêm não há que duvidar Do imenso poder que tem o Verso!     Imagem retirada da internet    

(COM)TRADIÇÕES - O MESTRE

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Quem muito quer só perde o que não teve. Eu falo-vos de sonhos, não de bens... Ati, que nada queres e nada tens, Eu digo que te admiro. A vida é breve.   Nada ter, mesmo nada, é ser tão leve Que já nem ouve injúrias e desdéns. Por nada teres eu dou-te os parabéns; Ninguém pode cobrar-te o que não deves.   Repara, nada tens, mas és feliz. Afinal pouca coisa contradiz Aquilo que tu és na tua essência...   Atenta nas mil coisas que não perdes; O teu valor é tudo o que tu medes, Ó meu Mestre e senhor de outra inocência...     "The Dream" - Henri Rousseau Imagem retirada da internet  

PERCURSO II e III

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I   Meu amor de água e sal, quanto eu sonhei Ter-te só para mim, ter-te só meu! Sonho de uma menina que cresceu Assim que a luz chegou e eu acordei...   As asas que cortaste (ou que eu cortei?) Quando enfim descobri que se perdeu Essa estranha promessa de Romeu À Julieta que em mim encontrei...   E o mundo, a vida, as noites acordadas Usufruindo absurdas madrugadas Em que te quis e nunca pude achar-te.   Tanta fome de mundo e eu... só sonho! O cansaço, a rotina, o Mal (medonho!) Erguendo-se entre nós, sempre a afastar-te...   III (O CAIS)   Há tanto céu em busca de ninguém! Tanto mar para olhar e ninguém viu O verdadeiro "Ser" nesse vazio Do corpo que a nós todos nos contém...   Tanto raio de luz que esse sol tem! E nem um, de entre vós a descobriu Nos dias em que tendo fome e frio Negando a própria luz, disse estar bem...   Mas são memórias, coisas que passaram, Cicatrizes (mais umas...) que ficaram Na sede de viver-se e fazer mais.   Já não olha pr`a trás. Em frente há vida...

O POETA DE LISBOA

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O POETA DE LISBOA *   Falou-vos de canoas e varinas, De marchas, manjericos e pregões. Falou-vos do seu mar, das orações, De velhas conversando nas esquinas *   Contou-vos das tabernas e cantinas, Do fado, das guitarras, das canções, Das palavras acesas, dos jargões Na voz mal afinada dos ardinas *   Falou-vos de Lisboa, das colinas, Das vielas, da Sé, das procissões, Das causas e razões mais pequeninas *   Que irão ultrapassando as previsões, Dos bares e das noitadas com "meninas", Dos homens, das mulheres e das paixões! *   Mª João Brito de Sousa  07.11.2008 - 12.45h     "O Velho Guitarrista" - Pablo Picasso Imagem retirada da internet

O ESPÓLIO

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Eis o património que vos deixo: O meu amar-demais em verso e cor! Nada tenho de meu senão amor Nada me faz mais falta. Não me queixo.   Há bens que são pesados como seixos: Não nos deixam voar, trazem-nos dor. Há outros que se acabam por impor, Guiando as nossas vidas, como um eixo.   O meu imenso espólio, no entanto, É bem mais leve que uma só moeda, Não vos pesa nem queima como brasa,   Ecoa pelas horas como um canto, Não tem aspirações, não teme a queda E não ocupa espaço em vossa casa...     "O Passeio", Marc Chagall Imagem retirada da internet      

DOS DIAS EM QUE OS SONETOS NASCEM, O MUNDO SORRI E OUTRAS DIVAGAÇÕES

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Há dias, - tantos dias... - em que os dedos se me contorcem em torno de inexistentes canetas e eu fico num confronto desigual com a dor física que vai mordendo, insistentemente, o anestesiado manto em que me envolvo.  Nesses dias, - quase todos, quase sempre - retomo o sorriso de Maria-Sem-Camisa e nascem-me sonetos com a sonoridade das gargalhadas e do canto. As mãos, mesmo tolhidas, recusam a imobilidade imposta pela dor e procuram, tacteiam em torno de qualquer coisa que escreva. Qualquer coisa onde escrever. Nem sempre visíveis, porque inevitavelmente dispersos, os objectos acabam por me encontrar, quase sempre no limite do verso que nasce. Dentro desses momentos há, sempre, outros momentos em que outras urgências se antecipam à minha própria urgência. Um dos gatos vomita. A cadela arranha a porta da rua num evidente apelo a um breve passeio, o cheiro a arroz queimado recorda-me o jantar dos cães, que estava ao lume... São dias como outros quaisquer. Porque todos os dias são dias d...

O POEMA III

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E SE? * E se um verso fosse obra de ninguém, Se fosse um ser que existe só por si, Independente, atento ao que escrevi, Para ver se lhe assenta mal ou bem? * Se fosse, cada verso, um novo alguém Que aspira à vida e que se prende aqui, Que pressentisse as coisas que eu vivi E quisesse vivê-las, ele também? * Se fossem, estes versos, sopro vivo De alguém que espera pra tornar-se activo E que aguarda o momento de embarcar? * Se fosse o dar-lhe vida, o dar-lhe voz, Criar um ser tão vivo como nós Que só alguns soubessem aceitar? * Mª João Brito de Sousa 04.11.2008

DA AUSÊNCIA DO BEM

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  Mal? O que é o Mal senão ausência? Senão falta de luz e de calor? Senão falta dessoutro imenso Amor Em quem errou por falha ou imprudência?   O que é o Mal senão pura inclemência? Senão a negação, senão a dor? E, se esse Mal existe, o que é pior Do que pesar, depois, na consciência?   O que é o Mal senão uma mentira? Ou a própria Mentira, disfarçada De coisa que te agrada e te apetece?   A Lua que em redor da Terra gira, Tão vestida de branco e imaculada Também recebe o Sol que nos aquece...   À Maria Luísa Adães   Pormenor de "O Grito", Edward Munsch Imagem retirada da internet  

O PEQUENO MUNDO DOS CRIADORES DE AFECTOS II

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São pombos de telhado, simplesmente... São cães, são gatos, é uma mulher Num velho apartamento de aluguer Que foi comprado noutro antigamente.   Depois veio esse afecto, tão pungente, Forte, imp`rioso como outro qualquer Que os fez fundir num só. E nem sequer É lógico ou vulgar. É só dif`rente.   Pequeno-imenso mundo a palpitar Neste meu espaço vivo, este lugar Do qual não sei nem posso separar-me!   Pequeno-imenso mundo de criar Afectos e alegrias! De sonhar, De ser-me, dividir-me e depois dar-me...     O Pequeno Mundo dos Criadores de Afectos- Maria João Brito de Sousa, 2006

HUMANA CONDIÇÃO II (Origens)

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Pretérito-de-mim. Menos do que isso! Quem sou se me não vejo em parte alguma? Serei uma visão? Serei só espuma? Desenho do que fui... ou só um esquiço   Do que de mim já fui, ente insubmisso, Do que já fui e está escondido em bruma? Aonde o meu batel, a minha escuna, Aonde o corpo, a casa, o reboliço?   Aonde o Espaço-Tempo em que habitava O barco, o meu corcel, a minha aljava? Aonde o pau, a pedra, a chama acesa?   E, se me prolonguei, onde é que eu estava, Se mesmo antes de mim já recorda va Um antes-de-ser-eu? Tenho a certeza!   Maria João Brito de Sousa - Dezembro,2008     Ao Artesão Ocioso   Imagem retirada da internet   Acabadinho de nascer! Peço desculpa por não responder já aos vossos comentários. Não tenho tempo...