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A mostrar mensagens de abril, 2012

QUATRO SONETILHOS A CATARINA EUFÉMIA

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Linogravura de José Dias Coelho I * A ceifeira, nos trigais, Traz nas mãos sonhos negados E os dedos bem calejados De quem já ceifou demais * Flancos doendo, agachados, Entre mil gestos iguais Evoca uns pontos errados Destas questões laborais * Essa ceifeira não chora, Mas começa a acreditar Que pode bem estar na hora * De que quem assim a explora Também se deva agachar Tal como ela o faz agora *   II * Já não sonha, as dores são tantas Que só pode trabalhar Se as abafa nas mil mantas Que inventa pr`ás disfarçar * Faltam horas, umas quantas, Prá ordem de despegar E as ceifeiras, como as plantas, Podem, às tantas, murchar… * Vai longa a jorna, ceifeira! Já esgotada da labuta, Tão no auge da canseira * Depois de uma tarde inteira, Pensa enfim: - Antes a luta Que viver desta maneira! * III * Reúne os seus companheiros Da labuta dos trigais, Fala dos dias inteiros Sol a sol, sem poder mais * Lembra a escassez dos dinheiros, Diz que os patrões, sendo iguais, Os tratam como aos carneiros Que...

LANÇAMENTO DO LIVRO "PEQUENAS UTOPIAS" - CONVITE

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POEMA CARTA-ABERTA

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Se escrevo e a voz me soa em poço fundo, Se vai crescendo pouco inteligível Pr`a quem, tal como eu, anda no mundo, Será poema em vão, grito inaudível… Mas se se eleva mais, se chega a quem Quanto aqui escrevo possa decifrar, Se encontro a voz na voz de quem lá vem, Mesmo que tente, apenas, perturbar, Mais que não seja pra lembrar que aqui Está quem, não desdenhando uma partilha, Questiona um novo mundo em rota incerta, Terá sido pr`ó mundo o que eu escrevi; Pra todo aquele que nega ou que perfilha A voz do meu poema em carta - aberta.     Maria João Brito de Sousa – 19.04.2012 – 18.32h

UMA LENDA MUITO ANTIGA

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Um dia, a mão na rédea, o pé no estribo, Lançou-se um cavaleiro em cavalgada Na esp`rança de encontrar a dama amada Que - narrava uma lenda - estava em p`rigo, Porém, fez dessa lenda o seu castigo, Pois não soube, sequer, achar a estrada Que conduzisse os passos da montada A alguém que, em vez de amor, quisesse abrigo... Diz-se que corre ainda atrás da lenda, Que há-de fazê-lo enquanto não pretenda Senão o desenlace em que ousou crer, O princípe-encantado-sem-emenda Que aspira, estrada afora, à estranha of`renda De perder-se a salvar quem o não quer…   Maria João Brito de Sousa – 11.04.2012 – 18.59h Imagem retirada da net, via Google

MEDIR OU NÃO MEDIR A ESTRADA - Sonetilho

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  Passa num nada este nada Que duma vida nos cabe Quando olhamos para a estrada Temendo que ela se acabe… Vamos medindo a passada Antes que tudo desabe Mas, duma estrada acabada, Pouco ou nada a gente sabe Pois, por mais que se procure Razão para os desatinos A que a estrada conduzia, Nunca evitamos que jure; - Todos vós nasceis meninos e haveis de morrer um dia… Maria João Brito de Sousa – 06.04.2012 -13.21h     NOTA - Peço desculpa pela inusitada apresentação do texto poético... a decisão foi do Sapo...

A EQUAÇÃO DA VIDA - Sonetilho

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São tantas as variáveis Desta equação de viver Que os resultados prováveis Jamais se hão-de resolver Mas, entre as mais condenáveis Das mil coisas por fazer, Estará sermos vulneráveis Aos disfarces do Poder... Que, ao pouco que aqui fizermos, Se acrescente o nosso amor Pois, nas mil voltas que dermos, Andaremos ao sabor Da Vontade que opusermos À avidez do  predador…   Maria João Brito de Sousa – 04.04.2012 – 19.26h

SONETO MUSICAL ou Ousar a Melodia

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Sobre tudo o que nasça e que se exprima Em forma do que nunca vos direi, Desse enigma me basta, eterna, a rima Pr`a falar-vos do muito que eu não sei E, mesmo que não haja quem redima Quantas lacunas já por cá deixei, Que importa se de música se anima O quanto quis dizer, mas não logrei? Jamais duvidarei de alguém que entenda Que ousar a melodia é dar-lhe a voz Que expressa o seu sentido universal, Ou que, ao ouvi-la, exulte e compreenda O quanto dela vibra em todos nós Se o ritmo que alcançou foi musical…     Maria João Brito de Sousa -02.04.2012 - 15.15h           Maria João Brito de Sousa – 02.04.2012 – 14.53h