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A mostrar mensagens de junho, 2017

GLOSANDO JOÃO MOUTINHO

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  AGORA II   Agora, diz-me tudo o que quiseres Agora, é o momento de sentir Agora, não desfolho malmequeres Agora, é o instante de sorrir   Agora, é uma pressa que tu queres Agora, é outro passo no porvir Agora, é outra seta que desferes Agora, nem me chegas a ferir   Agora, já passou, já é futuro Agora, foi o tempo que perdi Agora, se quiser, posso ser puro   Agora, não importa o que vivi Agora, já não posso ser mais duro Agora, já não sei viver sem ti     João Moutinho MORDENDO O ALHEIO FRUTO “Agora, diz-me tudo o que quiseres”, Agora, e não depois, te glosarei, Agora, bem sabendo que preferes Que apenas prove e diga que gostei. “Agora, é uma pressa que tu queres” E foi precisamente onde eu parei, Agora, vou esquecer quanto opuseres Aos versos que, na pressa, te roubei. “Agora, já passou, já é futuro” Agora, sem pedir - nada pedi... -, Tomo posse daquilo que capturo. “Agora, não importa o que vivi”, Mordo o poema urgente e já maduro Que sem pedir licença aqui colhi. Maria João Brito ...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLVI

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      NÓS, E MAIS NÓS Há no meu peito nós. E tantos são! Que me embargam a voz, cortam o ar Que fazem os meus pés perder o chão Quando nele me faço caminhar   É tal este tumulto e confusão De rituais que me vêm molestar Que roubam meu sossego, qual ladrão Quando a noite, serena se vem dar   Percorrem cada vaso, cada veia Fazendo do meu peito uma odisseia De suspiros calados plo aperto   Devagar o cansaço trava a luta O sono chega e vence esta labuta E do meu peito faz suave deserto   MEA 20/06/2017 TENTANDO DESEMBARAÇAR-ME... "Há no meu peito nós. E tantos são!" Alguns são como "a volta do fiel" Que é duplo e tudo amarra com paixão Por ser bom cumpridor do seu papel... "É tal este tumulto e confusão" Que os versos que acorriam num tropel, Pararam sob a sua imposição E foi também parando o meu cinzel... "Percorrem cada vaso, cada veia" E dou comigo presa numa teia Composta pelos nós que havia em mim... "Devagar o cansaço trava a luta"; D...

INFILTRAÇÔES

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  INFILTRAÇÕES *   (Soneto em verso hendecassilábico)  *   Já chove e goteja na minha cozinha! Dispenso-lhe, asinha, coisa que a proteja... Um balde? Que seja! Mantenho-a sequinha, sem uma gotinha, nem estragos... que eu veja...  *   Mas, por muito lesta que eu seja, vizinha, sempre uma gotinha me escapa e rasteja, se infiltra e graceja... ninguém adivinha que, ao longe, se aninha nas zonas que eleja  *   E, dia após dia, vai-se acumulando, mais gotas juntando, fazendo razia; Por sempre ínvia via se esgueira, infiltrando *   Pouco adiantando, vos garantiria que vos saberia dizer como e quando, mas, nem me escutando... por que é que o diria?  *   Maria João Brito de Sousa - 29.05.2016 - 13. 18h

O POEMA E EU

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  Resposta a um amigo que me enviou um soneto por email   (Soneto em decassílabo heróico)   O Poema e Eu... Eu, dos meus, serei sempre a terna amante, A que se lhes entrega, a que é fiel, Pois mal nos nasça um verso, de rompante, Logo os mais vão surgindo, num tropel... Assim me dei desde o primeiro instante E assim me darei sempre. O meu papel, No palco do poema, é ser constante E cavalgar - sem sela... - esse corcel... Um riso, um choro, um grito lancinante... De tudo um pouco neste carrossel Em que o verso galopa e, já distante, Chama por mim se hesita o meu cinzel Em dar-lhe muito mais do que o bastante Pr`a que a ambos nos saiba a escrita a mel... Maria João Brito de Sousa - 2.06.2016 - 10.25h

CALADA

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  Não mais me prende o Tejo e nem o mar, De que ao longe vislumbro um quase nada, Faz por manter-me alegre ou minorar As penas de uma morte anunciada. É tarde. É muito tarde pr`a sonhar E quando um sonho vai, não sobra nada, Ou sobra-me, acoplado ao que sobrar, Este sentir-me presa e derrotada. No entanto, criei. Se ousei criar, Se fui rebelde, persistente, ousada, Tive um tesouro e cabe-me aceitar Ter sido pela musa abandonada, Ter já perdido a força pr`a cantar E a sorte de ir morrendo, assim, calada. Maria João Brito de Sousa -08.06.2017 - 19.21h  

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLV

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    FANTASIA, SONHOS E BRINQUEDOS   Há  fantasia, sonhos e brinquedos Fundidos com amor e esperança Alegria aventuras e segredos Nos olhos inocentes da criança   E quando chora e grita com os medos Nos seus olhos há gotas numa dança Translúcida, que brotam quais torpedos Até sentir de novo ar de bonança   Se na água do rio se vê espelhada Tem nos olhos uma estrela desenhada Que cintila nos risos que declama   Como sendo poemas, esses risos Mágicos,  que se fazem de improvisos Quando os seus olhos vêm quem ama     MEA 1/06/2017   A CURIOSIDADE INFANTIL "Há fantasia, sonhos e brinquedos" E essa curiosidade natural Que, ao fervilhar nas pontas dos seus dedos, Desvenda do complexo ao mais banal   "E quando chora e grita com os medos", São esses choros coisa ocasional, Porque logo se apagam nos folguedos Que engendra pela casa, ou no quintal...   "Se na água do rio se vê espelhada", Sobre ela se debruça extasiada, Fantasiando sobre o que ali viu...   "Como...