GLOSANDO JOÃO MOUTINHO
AGORA II Agora, diz-me tudo o que quiseres Agora, é o momento de sentir Agora, não desfolho malmequeres Agora, é o instante de sorrir Agora, é uma pressa que tu queres Agora, é outro passo no porvir Agora, é outra seta que desferes Agora, nem me chegas a ferir Agora, já passou, já é futuro Agora, foi o tempo que perdi Agora, se quiser, posso ser puro Agora, não importa o que vivi Agora, já não posso ser mais duro Agora, já não sei viver sem ti João Moutinho MORDENDO O ALHEIO FRUTO “Agora, diz-me tudo o que quiseres”, Agora, e não depois, te glosarei, Agora, bem sabendo que preferes Que apenas prove e diga que gostei. “Agora, é uma pressa que tu queres” E foi precisamente onde eu parei, Agora, vou esquecer quanto opuseres Aos versos que, na pressa, te roubei. “Agora, já passou, já é futuro” Agora, sem pedir - nada pedi... -, Tomo posse daquilo que capturo. “Agora, não importa o que vivi”, Mordo o poema urgente e já maduro Que sem pedir licença aqui colhi. Maria João Brito ...