Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta um soneto sempre que puder

ATÉ AO FIM DO MUNDO

Imagem
    Até ao fim do mundo e de mim mesma, Nas diversas camadas do "sentir", Multipliquei-me inteira no porvir Das páginas de um livro, resma a resma E, até ao fim de cada pedacinho De um corpo que é de verbo entretecido, Sê-lo-ei pelo tempo consentido A quem coma do pão, beba do vinho… Até ao fim do mundo hei-de ser eu Quem foi verbo nas ondas, nas areias, Na lava dos vulcões, no seu clamor, Ou quem absurdamente pretendeu Fazer desabrochar milhões de ideias De um momento de raiva... ou puro amor… Maria João Brito de Sousa - 21.04.2010 - 13.54h          

TALVEZ

Imagem
  Talvez nas ilusões  deste hemisfério A lua seja toda em Camembert, Eu seja um mineral quando quiser E o meu Ego o centro deste império…   Talvez seja exequível não sonhar Com esta humana essência em desatino E talvez, no futuro, o meu destino Seja aquele que uma fada me apontar…   Talvez seja “talvez” todos os dias E nem por um momento haja certezas, Razões pr`a caminhar ou convicções…   Talvez das ilusórias ironias Surja um castelo cheio de princesas Guardadas por maléficos dragões…  

OS MERCADORES NA FEIRA

Imagem
      São dias de ir ao banho e pôr os laços Os tais dias de feiras e mercados, Em que homens e mulheres, engalanados, Irão vender o fruto dos seus braços…   Já se trocam batatas por nabiças E há beijos mordidos pelos cantos… [no meio da balbúrdia caem mantos às cachopas que vendem hortaliças…]   São os dias de Feira nas aldeias. O mulherio esforçado só se anima Quando o coreto arrosta em sinfonias   Com os pregões acesos nessas veias. À tardinha o poeta acende a rima E afogam-se, no vinho, as “valentias”…  

CADA VERDADE

    Agora que os milénios se passaram Sobre as glórias do império de uma infância Recordo, debruçada na distância, O muito que esses tempos me ensinaram.   O tanto que então lia e pesquisava, As construções das cores e dos grafismos E a dissecação dos silogismos Em que uma maioria acreditava…   As coisas que aprendi, as que sonhei, As que nunca pensei `inda aprender E os sonhos construídos na vontade…   Hoje procuro ainda o que não sei Nos mais fundos recantos do meu ser Onde alcanço encontrar cada verdade.     Maria João Brito de Sousa - 09.03.2010          

AMORES E DESAMORES

Imagem
  A tua face hermética e segura, O teu vulto elegante e decidido… Desculpa ter brincado e ter-me rido, Ter-te feito passar por tal figura!   Um dia, no passado, - que loucura! Quando te via ao longe e, distraído, Passavas e ficavas entretido A olhar-me sem ponta de ternura…   Ai, esse tempo de menina e moça! Era olhar-te e pasmar, sonhar contigo Num somatório absurdo de promessas,   Mas hoje é só de mim que faço troça E tu, se acaso foste meu amigo, Podes troçar também, antes que esqueças.       Maria João Brito de Sousa - 13.08.2009     Imagem retirada da internet

MEMÓRIA DESCRITIVA

Imagem
    Era azul, como o mar… ou mais ainda! Suave e tão lento quanto a lentidão, Desenhava-se, ao fundo, um vulto vão E paisagem de fundo era tão linda…       A outra veio vê-lo. Era bem-vinda. Destacava-se, enfim, da multidão Como se fosse a própria solidão. Aquela que, ao chegar, nunca se finda…       Era melhor assim! Tanto melhor Se desfrutava, assim, da própria cor, Se sabia ser lá que pertencia…       E, sobretudo, não sentia dor Nem jamais encontrara tanto amor Como encontrou na luz que então se via.       Imagem retirada da internet

OS FICCIONISTAS

Imagem
  E eram estas mãos que mo pediam! As mesmas mãos que um dia tanto deram, As mesmissímas mãos que me perderam E agora, envelhecidas, me doíam...   As mesmas mãos que à terra me prendiam E que agarrada à vida me tiveram, As mesmas mãos que me sobreviveram E que agora, de mim, se despediam.   Mas são ainda mãos! Humanas mãos, Benditas pela entrega tão total Dessoutros mesmos dons que Deus lhes deu.   São elas que vos tocam, meus irmãos... as mesmas que, não querendo fazer mal, Vos falam do que nunca aconteceu.     Imagem retirada da internet

ESSÊNCIA II

Imagem
        Nunca encontrei ninguém que plagiasse As rimas que os meus dedos vão tecendo… Citá-los? Tudo bem! Eu compreendo, É bem melhor do que se os publicasse!   Tudo extasio e tenho a liberdade De amar a vida e de expressá-la assim! De aumentar, dia a dia, o que há em mim, Enquanto partilhar esta verdade.   Por mais forte que fosse a tentação, Por muito que of`recessem, não vendi Este eixo do sentir, a minha essência.   Estou em paz c`o meu próprio coração Pois disse o que sentia e não menti... Pr`além desta assumida incongruência.    

TUDO O QUE HÁ-DE VIR, SE DEUS QUISER!

Na Era do Cansaço há céus que brilham E muito que fazer nos arvoredos… Despontam, devagar, novos segredos Como rastos de estrelas que cintilam…   Depois deste cansaço, os passos trilham O novo espaço cheio dos mil medos E há, de novo, palavras nos meus dedos Que as tocam, as soletram, as dedilham…   Ainda este cansaço, a letargia, Apenas disfarçados na magia De quem irá fazer o que puder…   Procuro o novo mel de uma alegria Ou o alívio de uma anestesia Em tudo o que há-de vir, se Deus quiser!     DE VOLTA AO TRABALHO…             Gostaria de abraçar-vos de verdade mas, em verdade vos digo, que nem forças para um “abraço real” me sobraram. Gostaria de vos prometer o mesmo ritmo de trabalho que em tempos tive, mas seria mentira… e eu não gosto de mentir.   Nada vos posso prometer senão o meu melhor, estando bem consciente de que “o meu melhor” já não é o que era há uns meses atrás. Limitar-me-ei a prometer-vos a não desist...