Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta sonetos da matrix

SONETO DA EFEMERIDADE - Reedição

Imagem
Imagem processada pelo ChatGPT * SONETO DA EFEMERIDADE * Prometo ser-te fiel por dez segundos E dar-te amor num frasco de compota; Prometo-me inteirinha numa gota De um simulacro de órbitas e mundos * Prometo um brilho de astros moribundos Numa galáxia próxima ou remota, Mas não te juro não fazer batota Nem te prometo afectos mais profundos * Queria dar-te um anel feito de luz Mas não me lembro, amor, onde é que o pus... Que nome me disseste que era o teu? * Não te oiço, continuo de passagem... Vou fazer outro "upgrade" à minha imagem, Estou a desconectar o velho Eu. *   Maria João Brito de Sousa   29.10.2021 - 07.30h *** SONETOS DA MATRIX + Soneto ligeiramente modificado

A CENSORA

Imagem
A CENSORA *   Perdidas nos gestos das gentes nas ruas, Apaguem-se as luas que o resto... são restos, Passageiros, lestos, de memórias cruas, Secretas, tão tuas que as guardas em cestos... * Presságios funestos que ferem quais puas Erguidos nas gruas dos grandes pretextos Parecem-te honestos assim que os intuas... Navegam faluas no cais dos protestos * Agitam-se os estros, gemem as guitarras E as novas cigarras dos becos de outrora, Filhas de Pandora, reforçam amarras *   Que há raiva nas garras da dor que alguém chora Enquanto devora códigos de barras: De plástico, as parras, de plasma, a censora. *   Mª João Brito de Sousa 11.07.2022 - 17.00h *** Sonetos da Matrix

ALMA DE CORSÁRIO

Imagem
ALMA DE CORSÁRIO *   Punem-me os deuses sempre que insubmissa? Dos deuses zombarei. se necessário. Assim que traga um bom soneto à liça. Um soneto com alma de corsário. * Despojado. contudo. de cobiça. Não aspirando a mais do que um salário. Nem sequioso estando da carniça Que no humano engendra o torcionário * Acendo uma fogueira que se atiça, Inverto o rumo. assumo o seu contrário E dou visib`lidade à coisa omissa * Que nasce do meu próprio imaginário: Minha barca? Uma rolha de cortiça. Meu oceano? O código binário. *   Mª João Brito de Sousa 12.05.2022 - 09.00h *** (Sonetos da Matrix II)

SONETO DA INTEMPORALIDADE

Imagem
"Sem Título" - Tela de minha autoria SONETO DA INTEMPORALIDADE *   Aqui não há passado nem futuro; O presente é fieira que não finda E não tem de passar por nenhum furo Embora a agulha disso não prescinda * E disto estou seguro, tão seguro Quanto de não haver ninguém que cinda A ponta que se afasta e que conjuro Como se o tarde cedo fosse ainda... * Onde não há princípio nem há fim Sou tudo e não sou nada. Este ínterim É somente ilusão. Paradoxal? * Talvez sim, talvez não, talvez talvez, Já não quero saber de outros porquês; Quem mede esta meada intemporal? *   Mª João Brito de Sousa 01.11.2021 - 10.30h *** Sonetos da Matrix  

SONETO FANTASMA

Imagem
SONETO FANTASMA * Da memória do signo renascido Venho agora por trilhas de mistério Espalhar este meu sal de deus perdido Que em tempos sonhou ser um deus a sério. * Se te fizer sentido, faz sentido, Se te não faz sentido eu ser etéreo Serei um deus em cacos destruído, Caído, como cai qualquer império. * Não sei bem se estou morto ou se estou vivo, Se sou, ou não, impulso criativo Que recusou a morte e que prossegue. * Vigio-vos ainda, inda vos prendo A tudo o que analiso e compreendo; Vivo de ir assombrando o que me negue! *   Mª João Brito de Sousa - 01.11.2021 -09.30h ***   Sonetos da Matrix      

SONETO DO TODO-PODEROSO MERCADO

Imagem
SONETO DO TODO-PODEROSO MERCADO * Venho roubar-te, ó Arte, a eternidade! Tudo o que ousaste ser te cobro agora, Excepto, talvez, o que de ti se evade E depressa se evola e se evapora... * Deixo-te uma ilusão de liberdade, Que só essa ilusão por cá vigora; Levo-te o leito, a casa e a cidade E até o tempo roubo, hora por hora. * Vesti a tua pele inacabada, Qual terrorista, não te deixo nada Senão o que do nada fores criando * Na condição de te fazer saber Que tudo o que concebas vai morrer Às mãos do Tempo que o vai devorando. *   Maria João Brito de Sousa - 30.10.2021 - 11.00h *** Sonetos da Matrix

SONETO DA IMATERIALIDADE

Imagem
"O Campo de Marte" - Marc Chagall   SONETO DA IMATERIALIDADE * Trago a realidade pela trela Enquanto ela se escapa e se dissolve Em tudo o que apareça à frente dela: Quando se for, quem é que ma devolve? * Não sei se ela me habita, se estou nela, Ou se ela é tudo, tudo o que me envolve; Há sempre, debruçada na janela, Uma equação que nunca se resolve. *   Tudo flutua agora em meu redor Na ausência do melhor e do pior, Na dispersão dos pontos cardeais... * Trago comigo um grão de realidade Dissolvido num mar que se me evade Sempre que tento içar-me até ao cais. *   Maria João Brito de Sousa - 29.10.2021 - 11.30h * Sonetos da Matrix

SONETO DA EFEMERIDADE

Imagem
SONETO DA EFEMERIDADE * Prometo ser-te fiel por dez segundos E dar-te amor num frasco de compota; Prometo-me inteirinha numa gota De um simulacro de órbitas e mundos * Prometo um brilho de astros moribundos Numa galáxia próxima ou remota, Mas não te juro não fazer batota Nem te prometo afectos mais profundos. * Queria dar-te uma década de luz Mas não me lembro, amor, onde é que a pus... Que nome me disseste que era o teu? * Não te oiço. Continuo de passagem... Vou fazer outro "upgrade" à minha imagem E já desconectei o velho Eu. *   Maria João Brito de Sousa -29.10.2021 - 07.30h *** SONETOS DA MATRIX  

CORAÇÃO LÍQUIDO

Imagem
CORAÇÃO LÍQUIDO * Num segundo se morre, ou ressuscita; Neste segundo, meço a pulsação Serena/inquieta do meu coração, Brasa que naufragada inda crepita. * Quando uma pulsação demais se agita Num segundo nos mata. A remissão Nem sempre nos concede o seu perdão E a sorte quase nunca nos visita. * Num segundo se chega ao tal lampejo Que em nós acende a chama do desejo E se apaga a seguir, noutro segundo, * E tudo, água e rochedo, é movimento Que flui no mar imenso e turbulento Em que nasce e naufraga o nosso mundo. *   Maria João Brito de Sousa - 28.10.2021 - 10.50h *** Sonetos da Matrix

SONETO quase TRANSESTÉTICO

Imagem
SONETO (quase) TRANSESTÉTICO * Na poética asséptica isométrica, Fluída consumida e assumida Cosmética patética ou hermética, Re-re-re-repetida, ainda, a vida *   Cinética diegética anoréctica Comida, remoída e digerida; Frenética imagética epiléptica Fruída se incontida e esteticida. * É de aço inoxidável e lítio e cromo Ou átomo ofuscante e ofuscado Que não tem tempo e nunca teve dono * Nem ousa ser senão assimilado Pla liquidez do sono/mono-promo Que mal nasceu passou a ser passado. *   Maria João Brito de Sousa - 24.10.2021 - 19.15h ***   Sonetos da Matrix