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A mostrar mensagens de junho, 2008

A ISENÇÃO DAS MADRUGADAS

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  Ó minha madrugada imaculada Em crescendos de luz e de cansaço... P`ra ti eu quero o tempo e quero o espaço, P`ra ti, a quem me dou sem pedir nada.   De ti, lembrança viva, inalcançada, Vou colhendo os poemas que te faço E que depois devolvo ao novo abraço Que em luz desvenda a nova madrugada.   Ó minha madrugada pendular, Meu ensejo de enfim ressuscitar Nesse recomeçar das horas novas,   Tu abres os teus braços aos meus dias E renovas-te em dores e alegrias Sobre as nenhumas coisas que reprovas...     Maria João Brito de Sousa - 30.06.2008 - 14.47h      

DICOTOMIA

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Humano corpo-escravo, a quanto obrigas! Quantas vezes limitas quanto prendes... Bem sei que não conheces, nem entendes, Os meu voejos d`alma, estas cantigas.   Pobre corpo mortal! Quem tu abrigas É um`alma invencível a quem estendes Uma âncora-grilheta. Compreendes? Pouco lhe importa, a ela, quanto digas.   Neste equilíbrio instável sobrevivo Entre um corpo imprestável e cativo E um` alma de poema, insatisfeita.   Nesta dicotomia, o meu arquivo, Amontoo os mil versos que cultivo No seio dessa amálgama (im)perfeita.       Maria João Brito de Sousa - 29.06.2008 - 13.26h . Dicotomia - Aguarela e pena 67x47cm Maria João Brito de Sousa 2002  

CÁ DENTRO E TÃO PERDIDO...

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      Sei de um mundo de luz onde os poetas, Despidos dos humanos preconceitos, Viajam pelo espaço entre os eleitos Como estrelas do céu, como cometas.   É por aí que a alma, essa inquieta, Etérea como a luz, esquece os defeitos E rodopia em círculos perfeitos De fórmula geométrica e secreta.   Eu sei de um mundo mágico e seguro Onde cada presente é um futuro, Onde a terrena dor não faz sentido.   Sei desse mundo porque já lá estive E a imagem del ´inda em mim vive Dentro de mim. Cá dentro e tão perdido.       Maria João Brito de Sousa - 27.06.2008 - 22.32h   Imagem retirada da internet      

TOURO DE MORTE

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  Cego de medo e dor, já nada vê. Confuso e humilhado, o bicho é cego. Roubam-lhe a liberdade, o aconchego De amar a vida sem saber porquê.   Corre o sangue no dorso. Já não é Da natureza o seu desassossêgo. Da vida que viveu com estranho apêgo Pressente o culminar... [Olé,olé!]   O público, em histeria colectiva, Estremece inebriado e grita: -Viva! Mas é morte que quer e a morte vem...   Ajoelhou o touro e vai morrendo E eu, que nada fiz mas compreendo, Ajoelho com ele, morro também.     Olé... .   Maria João Brito de Sousa - 2008  

TOURADAS... E O RESTO?

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  Fotografia retirada do blog lavaflow.blogs.sapo.pt   Todos morremos um dia, mas ocorre-me pensar que o poderemos fazer com a dignidade possível e natural do momento. Não me agradaria nada morrer desta forma... Muitos pensarão: - Está preocupada com os touros e esquece-se dos homens mulheres e crianças que, a cada minuto, morrem em idênticas circunstâncias... Nada disso. Eu preocupo-me com os touros E com os homens, mulheres e crianças. Preocupo-me com tudo o que vive, sente e sofre. Preocupo-me e ocupo-me. E é preocupando-me e ocupando-me que me ocorre ter algumas certezas. Uma delas é que há mil e uma maneiras do ser humano (que ainda não morreu nestas ou noutras circunstâncias) ocupar o seu tempo e que torturar animais não é, seguramente, a mais saudável... Há quem se debruce sobre este assunto com maior eloquência e objectividade, por isso vos remeto para trapezio.blogs.sapo.pt/23338.html - MARRADAS  

GESTAÇÃO FLORAL

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Um abraço, um sorriso, um beijo breve, Um poema a nascer desse momento, Numa manhã que traz um novo alento A quem, de tanto dar, já nada deve...   À força de sonhar, quem tanto escreve, Alimenta de sonho o seu talento E distribui depois esse alimento Como se a própria dor lhe fosse leve   E nasce um novo dia, uma promessa, Nessa flor de ideais que recomeça Na estranha imposição da nova ideia   Na palavra engendrada - uma raiz -, Floresce, desabrocha, é tão feliz Quanto a força que a fez e que a norteia!       Maria João Brito de Sousa - 23.06.2008 - 12.26h   (Agora mesmo, directamente no post) Imagem - Gestação Floral - 100x70cm Pastel de Óleo e Acrílico - Maria João Brito de Sousa 1999  

...NÃO TECEM NEM FIAM...

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Ó lírios deste campo, quem teceu Nesse terceiro dia a vossa alvura? E que sagrada mão vos preencheu Puros perfis em traços de brancura?   Quem foi esse que soube em vós erguer A vossa perfeição serena e casta Sem macular, fiar, entretecer, Esse pálio subtil que vos encastra?   Só vós, humildes filhos destes campos, Conheceis dessa vossa criação A mais concreta, ou vã, simbologia,   Pois nós somos os tais que tecem mantos, Nós, os que desdenhamos da razão Da vossa perfeição e harmonia…     Maria João Brito de Sousa - 21.06.2008 - 16.21h     .  

S. JOÃO VIRTUAL NO CAFÉ COM NATAS!

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  NOTA DO COMPUTADOR-VELHINHO:   A Poeta deu cabo de mim na Festa do S. João Virtual! Encontro-me em greve e o anti-vírus está em coma... Até amanhã, após negociações com o Poder-Central.

NUNCA DESENCANTES UM SAPO!

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  NUNCA DESENCANTES UM SAPO! * Quebra-se a magia do beijo assombrado Que magicamente fez, do sapo, humano... Fico entristecida! Quanto desengano Pra quem fora um simples sapo descuidado! *   Vá lá!, nunca beijes um sapo encantado, Lembra-te que podes causar-lhe tal dano Que o pobre batráquio, de sapito ufano, Passe a ser humano. Coitado, coitado! *   Pobre desse sapo que estando inocente De culpa, de intriga, de ódio e de traição, De repente entende quantas falhas tem *   Quando, por um beijo, se transforma em gente E perde inocência. Que desilusão... Tu, quando o beijaste, sabia-lo bem! *   Maria João Brito de Sousa 19.06.2008 - 08.53h * NOTA - Descobri que foi este o meu primeiro soneto em verso hendecassilábico, o que não deixa de ser curioso pois nem sequer fazia ideia de o ter escrito. Está reformulado, claro, mas foi mesmo escrito em verso hendecassilábico, no seu original.   15.01.2016 .         Ao SAPO, porque o prometido é devido e eu sempre gostei de sapos!

DESPIR AS PALAVRAS

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  A ti me entrego, ó lucidez suprema! Eu, pequenina luz do teu feitiço, Minha última morada e compromisso, Eu ínfima pecinha do teu esquema,   Tão lúcida que vejo além de olhar, Eu que, embora confusa, já vislumbro Razões que tenha para andar no mundo Buscando o que não devo nem sonhar...   E brinco ainda!? Nem sei bem porquê... Vestida de palavras que são tuas, Descubro outras palavras que são minhas   E agora que me dispo e ninguém vê, Vão-me ficando as frases todas nuas; Assim me entrego a ti que me adivinhas.       Maria João Brito de Sousa - 18.06.2008 - 12.29h   Imagem retirada da Internet   

TUDO O QUE EU QUERIA...

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  Ainda a minha fome era criança, Ainda olhos perdidos nas lonjuras, Ainda não na espera, que as procuras Se sobrepunham sempre à própria esp`rança.   Inda a vida girava numa dança, Inda o corpo pedia outras doçuras, Inda as formas instáveis, inseguras, Inda os cabelos presos numa trança,   Já as mãos, incansáveis, me guiavam, Entreteciam estrofes, desenhavam, Perdidas na missão que lhes cabia   E, à noite, já meus olhos se cansavam Sobre as palavras que os desafiavam Como se fossem tudo o que eu pedia...       Maria João Brito de Sousa - 16.06.2008 -22.38h    

SEGUNDO REFLUXO

    Aos medos que venci, ao desamor, Mudei-os em poemas, dei-lhes traços E há sempre um amanhã cheio de cor Que me vem abraçar estendendo os braços ...     Se me julgarem triste, na aparência, Por dentro, eu serei Estrela da Manhã, A que anuncia a luz nas refulgências Da coisa prometida - e não foi vã... -       Amo, também, a graça das estrelas E a bruma que é a mãe de outra magia Que estua sobre um mar de caravelas     As ondas que te embalam no seu canto E encontro, a cada hora desse dia, Teus versos que me envolvem como um manto...     Maria João Brito de Sousa - 15.06.2008 - 11.57h               À Ki, que hoje festeja o seu aniversário, e ao Poeta António de Sousa que escreveu o poema REFLUXO.     Imagem retirada da Internet

EPOPEIA(ZINHA)

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EPOPEIA(ZINHA) *     Eu sou o espaço vivo dos meus dias Nos tropeços do mundo aos trambolhões E desprezo a prudência dos travões Nesta estranha corrida de ousadias. *   Acelerando encontro novas vias, Portagens de antiquíssimas opções Onde o meu combustível de ilusões Garante protecção contra avarias. *   Cometo as mais temíveis infracções! Na meta deste evento está Golias Desafiando as minhas convicções; *     Diabos, tentações, feitiçarias, Gigantes - ou moinhos... - e dragões Gerados na matriz das fantasias! *    Maria João Brito de Sousa, 14.06.2008     In Poeta Porque Deus Quer - Autores Editora, 2008   (ligeiramente reformulado)          

O ÚNICO MEDO...

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  Neste meu castro feito de ilusões Não há nada que tema nesta vida, Mas surge-me uma falta, como f`rida; Um medo irracional dos aviões!     Não temo, nem gigantes, nem dragões, Na casa de papel por mim erguida, Onde, por cada causa prometida, Enfrento ousadamente as maldições,     Mas... contra os aviões, não há remédio, Auguram grandes "quedas" e receio Que não possa lançar-me em tal batalha,     Portanto... enfrento as invasões do tédio Nos braços de um soneto em devaneio E só me eleva um verso, que não falha.     Maria João Brito de Sousa - 12.06.2008 - 12.55h    

A FEIRA

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      Na vila há uma feira à moda antiga, Cheínha de balões e carrosséis, Farturas embrulhadas em papéis E outras tentações para a barriga.     Na vila há uma feira, rapariga! Vê lá se desapertas os cordéis À bolsa e vens à feira ver os reis Que estão, agora mesmo, de partida!     A rapariga escreve. Irá depois! Irá se essoutro encanto o permitir, Talvez quando acabar de se encantar,     Pois sabe não poder juntar os dois; À feira nunca há-de ela optar por ir, Deu-lhe a vida outro sonho p`ra sonhar...       Maria João Brito de Sousa - 11.06.2008 -12.39h       Dedicado a mim, porque essa rapariga fui eu, à Ligeirinha que me acaba de contactar por telefone e manda muitos beijinhos para todos porque está sem computador, e à vila de Oeiras que tem, neste momento, uma Feira que se realiza todos os anos por altura dos Santos Populares.       Fotografia retirada do Google  

NO BALCÃO DE MULHERES

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      Entre mim e este espaço em meu redor Há um breve intervalo de palavras Onde a respiração, nas horas vagas, Redesenha perfis de humana dor...     Estou entre o que já fui e o que vou sendo Com a alma rendida ao que não faço Nesta indefinação, neste cansaço Que assim me proibiu de o ir fazendo...     Sou, afinal, humana e estou cansada De criar a partir de cada nada Por obra desta sede de infinitos     E, aqui, sou prisioneira e passo a ser Imagem virtual de outra mulher; Apenas uma aflita entre os aflitos...     Maria João Brito de Sousa - 10.06.2008 - 13.36h       Ontem à noite, no Balcão de Mulheres, com soro e máscara de oxigénio.    

ORIGAMIS

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Arrecadei pecados e candura, "Origamis" de sonho e de desejo, Cobri-me de tesouros que não vejo E vislumbrei a estrada da loucura.   Em mil-e-uma noites de amargura Chorei um rio mais longo do que o Tejo, E acalentei ideias que antevejo Redimirem milénios de tortura.   Por ora, as minhas horas são de mel Pois, por mais que recorde a minha vida, Mantenho-me à distância da memória;   Os "origamis" são simples papel, O Tejo que chorei está de partida E mal recordo um pormenor da história...     Maria João Brito de Sousa - 08.06.2008 - 11.45h    

CORAÇÃO DIGITAL I e II (diálogos entre poeta e instrumento de trabalho)

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  CORAÇÃO DIGITAL     Pobre coraçãozito digital Tentando acompanhar o meu que é louco... Por muito que tu saibas, sabes pouco, Pois falta-te o genoma de animal...     Pobre companheirito de metal Limitado por Gigas e por Megas Que estás sempre a meu lado e me não negas As compulsões de origem natural;   Ao toque duma mão, sempre leal, Fazendo ouvir o teu zumbido rouco, É sempre disponível que te entregas     A esta minha urgência tão total, A que nunca fizeste ouvidos moucos, Neste enlace ideal das horas cegas...     Maria João Brito de Sousa - 2008       CORAÇÃO DIGITAL II     Já estou desfragmentado e, no entanto, Pareço não ser lá muito eficaz... Não sei por que razão isto me traz Um tal cuidado e tanto desencanto...     Aqui, sossegadinho, no meu canto, Aceito o que vier e fico em paz Pois dou exactamente o que tu dás! Dou tanto como tu! (ou quase tanto...)     Eu sei! Tu és poeta, eu instrumento... Não te posso dar mais! O que eu lamento Não ter a Vida que te faz sonhar!     Serei...

EU, POETA PORTUGUÊS

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      Eu tenho o nobre toque das areias Do meu pequeno-imenso Portugal E vivo em transparências de cristal S obre uma estranha fome de alcateias *     Eu, esboço de tritões e de sereias Num traço decidido, horizontal, Renasço, para o bem e para o mal, Da cópula carnal de mil ideias... *   Aqui cresci! Castelo em construção De um sonho e da raiz de uma ilusão Na qual naufraga um mar todos os dias,  *   Descrevo-me em longínquas caravelas, No sol, na lua e nos milhões de estrelas Em que a dor espanto, à força de ironias. *     Maria João Brito de Sousa    05.06.2008 - 11.56h ***    

FOGO(S)-PRESO(S)

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  Tenho a minh`alma acesa em fogo-preso... Esperneia, quer ser livre e... não consegue... A culpa é deste corpo que a persegue Porque a minh`alma, essa, é fogo aceso   Que me consome o corpo em seu defeso, Mas...  por muito que a chama se lhes negue, Nunca este corpo a escuta... "soma e segue", "Empenado", dorido, altivo e teso...   A alma acesa em mim, neste interím Em que o corpo a comanda e prende assim, Vai protestando e esvai-se toda em versos;   Ó alma, tu tem calma, o corpo é breve, Mas... caso "fiques" quando a morte o leve, Escreverás de que forma? Em que universos?       Maria João Brito de Sousa - 02.06.2008 - 10.34h   Reformulado a 10.03.2016    

NÓS, OS MISERÁVEIS

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  ABRAHAM MASLOW E A HIERARQUIA DAS NECESSIDADES     Temos a força urbana dos cativos Na liquidez da noite atormentada, Assim que o sono vence à beira-estrada A nossa condição de mortos-vivos.   Nós somos quem invade os teus sentidos , Quem te estende uma mão como a facada Que mata o irmão certo à hora errada Na esp`rança de uns consolos desmedidos.   Nós somos quem respira um ar que é "teu", Quem come os teus detritos no caixote, Quem te transforma o sonho em pesadelo;   Somos a multidão que converteu A mais louca ambição de D. Quixote À fome de que Sancho é bom modelo...       Maria João Brito de Sousa - 01.06.2008 - 11.44h    Imagem retirada da Internet