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PALAVRAS

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    PALAVRAS Eu gosto de palavras que se enlaçam Em frases simples, ou versos floridos, Desde que, entrelaçadas, satisfaçam Os ritmos que lhes sejam requeridos, Quer nuas e selvagens quando passam, Quer com mantos opacos por vestidos, Que nas voltas que dêem, se se abraçam, Falem tanto à razão quanto aos sentidos. Colho-as ao fim da tarde, ou bem cedinho, Conforme o propicie o descaminho Por onde me conduzam tempo e espaço E a elas me confio enquanto possa Lembrar que, quando fui menina e moça, Quase ousei desistir das que hoje abraço. Maria João Brito de Sousa – 18.01.2018 -18.12h  

NÃO MAIS QUE UM DEDAL...

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  NÃO MAIS QUE UM DEDAL... Hoje sou poeta que, em tempos passados, Teve outros cuidados. Achei-me incompleta. Sem rumo, nem meta pr`ós passos já dados, Vi-os naufragados sem causa concreta E, usando a caneta, sondei meus pecados Tão sobrestimados... tudo isso era treta E a vida, uma recta sem fuga prós lados Que me eram vedados. Tornei-me obsoleta. Era natural, ou assim o pensava Porque me cansava de vê-lo tão mal Que achava um sinal onde nada encontrava; Nem pedra, nem clava, nem sonho, afinal, Ou pinga de sal, se o sal me faltava... Pouco me sobrava. Não mais que um dedal. Maria João Brito de Sousa – 04.12.2018 – (por volta das 8.00h) Trabalho inspirado no soneto SOBRE MIM DISSERTO de MEA.  

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - VIDA

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É LÁ NESSE LUGAR QUE A VIDA HIBERNA   Lá no alto onde o tempo se calou Onde há nuvens que choram sem querer Pra onde a lua foi e não voltou E há estrelas acabadas de nascer…..   Lá no alto onde o tempo já brilhou Quando o sol lá nasceu sem se esconder Lá onde o azul do céu se misturou Com as cinzas das estrelas a morrer   Fica o lugar mais belo, mais sereno Onde a paz é maior o vento ameno E a luz, eu direi mesmo que é eterna   Onde o sonho renasce e permanece Quando a idade já nos entardece …É lá nesse lugar que a vida hiberna!   MEA 28/11/2017   ******   TAMBÉM NESSE LUGAR NASCE A POESIA     “Lá no alto onde o tempo se calou” E os astros pulsam ao sabor do espanto Cadências de um quasar que começou Há milhões de anos sem que o desencanto,   “Lá no alto onde o tempo já brilhou”, O impedisse de ir espraiando um manto Sobre o vazio de um espaço que inundou De química, primeiro, e... depois tanto,     “Fica o lugar mais belo, mais sereno” De todos os locais que um ser terreno Pode engend...

CHUVA

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  Mais três tímidos pingos se juntaram Aos três primeiros, hoje anunciados, E, bem depressa, mil outros tombaram, Pois já cai chuva a rodos nos telhados, Nos canteiros do buxo que ensoparam, Nos vidros das janelas, salpicados, Nas gentes que aqui passam, ou passaram, Sob chapéus-de-chuva improvisados... Bendita sejas tu, que dessedentas! Bendita, pelo bem que representas Para a terra sequiosa e para a vida! Chorando sobre a crosta, a reinventas, A cobres de verdura e a sustentas, Ó chuva, tão sonhada, quão fugida! Maria João Brito de Sousa – 23.11.2017 – 16.34h NOTA – Na sequência do soneto “Só Três Pingos...” de Maria da Encarnação Alexandre.    

DEPOIS DA MARÉ-CHEIA...

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  DEPOIS DA MARÉ CHEIA *   Que faço de um poema que não pinto, Nem burilo, polindo-lhe as arestas? Que faço ao que me escapa pelas frestas, Daquilo que não vejo ou que não sinto? * Que faço, já que eu própria me desminto Pois vou desperdiçando em mornas sestas As horas de criar, quando em giestas Podendo transmutar-me, o não consinto? * Ah, toda a minha vida andei correndo E agora repouso, compreendo... Mas pudesse eu correr como corria * E garanto que, ainda que morrendo, Seria mais veloz, menos doendo Depois da maré-cheia, outra, vazia. * Maria João Brito de Sousa – 11.08.2017 – 11.40h  

GLOSANDO FLORBELA (17)

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    A VIDA É vão o amor, o ódio, ou o desdém; Inútil o desejo e o sentimento... Lançar um grande amor aos pés d'alguém O mesmo é que lançar flores ao vento! Todos somos no mundo "Pedro Sem", Uma alegria é feita dum tormento, Um riso é sempre o eco dum lamento, Sabe-se lá um beijo donde vem! A mais nobre ilusão morre... desfaz-se... Uma saudade morta em nós renasce Que no mesmo momento é já perdida... Amar-te a vida inteira eu não podia... A gente esquece sempre o bem dum dia. Que queres, ó meu Amor, se é isto a Vida!... Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"     ... E A MINHA... "É vão o amor, o ódio, ou o desdém" E esvaem-se as paixões mais exaltantes Na própria combustão do que as mantém Acesas como chamas rutilantes... "Todos somos no mundo ´Pedro Sem`" Que exalta as suas naus já vacilantes Pr`a logo descobrir que, sem vintém, Tudo voltava a ser como era dantes... "A mais nobre ilusão morre... desfaz-se..." E a realidade, ...

FÓRMULA

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    (Soneto em decassílabo heróico) E anima-se a matéria criativa até ao ponto exacto e necessário para que nasça, enfim, matéria viva do que, antes, parecera o seu contrário E cresce, a cada dia mais activa, não pára de fluir de modo vário na direcção daquilo que a motiva pr`a desaguar, por fim, no seu estuário... Digo, porém, que não será cativa da força de algum ponto estatutário, nem verga à reprimenda punitiva, Porque é pertença do mais rico erário duma Arca que flutua e que anda à d`riva no rio do nosso humano imaginário. Maria João Brito de Sousa - 29.08.2015 - 17.56h NOTA - Esta Fórmula, ou como lhe entendam chamar, aplica-se às línguas - todas elas! -, mas não só...        

ESTE MEU MAR II

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  (Soneto em decassílabo heróico)   Ó vagas do meu mar, loucas marés que ao longo de uma vida me perderam, ó jangadas de espuma, ó vãs galés de uns sonhos que em poema aconteceram,   Não sei se ainda estou sobre os meus pés se vos evoco e lembro que estiveram ao leme desta barca, ou no convés de um sonho que bem poucos conheceram   Mas, livre ou brutalmente aprisionada, o amanhã que o diga. Eu calo agora por hoje, ou para sempre, a voz magoada   Que me comanda a vida a toda a hora e a cada instante insiste em ser cantada, mesmo quando empurrada borda fora...     Maria João Brito de Sousa – 05.06.1015 -16.16h   Imagem retirada do Google  

SONETO COM EFEITOS SECUNDÁRIOS

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  SONETO COM EFEITOS SECUNDÁRIOS *   Da mesmíssima massa em que sois feitos por percorrer-me a carne um sangue igual, assumo como vós estes defeitos que expresso num poema acidental *   Tenho, decerto, humanos preconceitos, ínfimos medos que disfarço mal, gestos azedos, duros, imperfeitos, que se me escapam sem que eu dê por tal *   Mas como todos vós, tenho direitos: venha o que venha, do que é virtual, piso os atalhos, muito embora estreitos, *   Que ousei escolher sem previsão geral do que sabemos serem os efeitos de amar-se a vida e ser-se, assim, mortal. *   Maria João Brito de Sousa  02.05.2015 -19.48h         Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia  

... E SOLTA-SE O SONETO

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  … e solta-se um soneto alvoroçado Da estranha compulsão do gesto breve Que cresce de um anseio exacerbado Nos insensatos dedos de quem escreve. Traduz um sonho só, deixa de lado O jugo do silêncio em que prescreve E ao ver-se desse jugo libertado Diz, por vezes, bem mais do que o que deve. Tem pouco espaço pr`a dizer-se inteiro Mas, habilmente, custe o que custar, Num nada se constrói teimosamente; Pode ser temerário, aventureiro, Ou simples, incorpóreo eco lunar, Mas não terá nascido inutilmente! Maria João Brito de Sousa – 31.05.2012 -16.51h         Imagem das Ilhas Galápagos retirada da net

MEDIR OU NÃO MEDIR A ESTRADA - Sonetilho

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  Passa num nada este nada Que duma vida nos cabe Quando olhamos para a estrada Temendo que ela se acabe… Vamos medindo a passada Antes que tudo desabe Mas, duma estrada acabada, Pouco ou nada a gente sabe Pois, por mais que se procure Razão para os desatinos A que a estrada conduzia, Nunca evitamos que jure; - Todos vós nasceis meninos e haveis de morrer um dia… Maria João Brito de Sousa – 06.04.2012 -13.21h     NOTA - Peço desculpa pela inusitada apresentação do texto poético... a decisão foi do Sapo...

INVOCATION À LA SAGESSE

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      O, Sagesse, seule capable de nous guider à travers de la vie! O toi qui enseignes la vertu et qui domptes le vice, que serions-nous sans toi, nous et tous les hommes? C`est toi qui as enfanté les villes, en inspirant aux hommes épars l`amour de la société; c`est toi qui leur as fait rapprocher leurs demeures, contracter des unions saintes, inventer une langue et une écriture comunes. C`est toi qui as dicté les lois, formé les moeurs, civilisé les peuples. Je cherche un asile auprés de toi; j`implore ton secours. Content jusqu`ici de suivre en partie tes leçons, aujourd`hui c`est tout entier que je me donne à toi. Un seul jour passé dans le bien et selon tes préceptes, vaut mieux qu`une immortalité coupable. A quelle puissance aurions nous donc recours plutôt qu`a la tienne, ô toi qui nous donnes la tranquilité de la vie et qui nous ôtes la terreur de la mort?   Cícero, Tusc. 5.2.   L`ARBRE ET SON FRUIT     Sois attentif à l`accomplissement de tes oeuvres, jamais à leurs fruits. N...

ESTA PARTE DE MIM QUE PODEM VER

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    Não quero ir já. Não devo `inda morrer. É muito, muito cedo pr`a partir. Falta-me um tanto que quero saber E umas milhentas coisas por cumprir...   E tantas, tantas coisas por fazer Dessas tais que me irão fazer sorrir... É cedo, ainda, para me esquecer E muito cedo para desistir.   Mas esta mesma força que me corre Pelas veias que agora me mantêm, Há-de um dia extinguir-se, há-de morrer...   Será tão só o corpo o que me morre No sangue destas veias que contêm Esta parte de mim que podem ver.  

O ARTIGO DE PRIMEIRA PÁGINA

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    Eu hoje trago imensas novidades! Notícias bem fresquinhas, a saltar, Coisas de que ninguém vai duvidar, Sobre as limitações das liberdades!   Trago coisas secretas, que não sabes, Mas das quais tu vais querer ouvir falar E se eu, agora mesmo, as publicar, Não farei mais do que falar verdades…   Mas… pensando melhor, antes me calo! Pode alguém não gostar do que aqui falo, Pode alguém ofender-se e contestar…   Afinal… eram só opiniões! Nada de escandaleiras ou traições Nem tragédias, sequer, pr`a vos contar…       IMAGEM RETIRADA DA INTERNET  - Ardina de Lisboa      

O LOBO

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              Eu sou o lobo e, às vezes, não sou manso… Assim me fez o Deus que me criou E que, dentro de mim, adivinhou A estranha ambivalência em que balanço.   Sobrevivente, eu chego aonde alcanço Tentando preservar tudo o que sou Com esta força astuta que mostrou Saber permanecer sem ter descanso…   Não ouseis condenar-me! Vós, Humanos, Que destruís bem mais do que eu destruo, Que caçais por prazer, não pela Vida,   Reparai, em vez disso, os muitos danos Que fazeis neste mundo! Este recuo Em que lançais a Terra Prometida!   NOTA BREVE - Eu sei que ainda é cedo, que muitos ainda estarão a começar a aperceber-se de que estamos num novo ano de uma nova década, que todos temos tendência a protelar o que temos para fazer - somos uns tremendos procrastinadores, não é? - , mas dei comigo a pensar que o http://poesiaemrede.no.sapo.pt/ tinha poucos poemas e, o que é bem pior, estava com muito poucas visitas... vai daí, inchada e tudo, com dor de maxilar e tudo, meteu-se-me na ...

O LEITO FICCIONAL...

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Longínquo fado, o destes mansos dedos Sobre essa aresta instável do sentir Onde luto por dar - ou conseguir? - Bem mais doces volúpias, sem folguedos...   Antecâmara alada do meu espanto Que me devolve à vida e, no retorno, Me oferece a nitidez de outro contorno Depois de adormecido o breve encanto…   Não mais serei mulher… serei poeta! Luzam-me os olhos de outras tentações Enquanto as mãos se afogam nas palavras   E aspire unicamente à estranha meta Que me desdobra em versos- sensações Num leito ficcional de etéreas lavras!     Maria João Brito de Sousa – Maio 2009

SACIEDADE

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  Fico dentro de mim, onde o mar cresce E, ao entardecer, o sol se põe, Onde, aceso, o luar se sobrepõe À penumbra da tarde que então desce.   A lua que me nasce é vagabunda E sabe-me de cor, pede-me tudo... Eu também a conheço e não me iludo Mas aceito o luar que então me inunda.   Dou dois passos em frente e três atrás... E finjo acreditar, faço-me louca. Sigo as regras do jogo e dou as cartas   Porque, ó lua, afinal o que me dás Não será o que eu quis mas coisa pouca Sacia este vazio das almas fartas.     Imagem retirada da internet        

MONTANHAS...

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  No cume da montanha, outra montanha… E outra e outra ainda, por escalar. (nunca a minha escalada irá findar por muito que pareça inútil, estranha…)   No cume da montanha, ali ao fundo, Avisto inesperados horizontes. Respiro fundo e vou subindo os montes Que alcanço na escalada deste mundo.   Um pouco além - quem sabe? - outro caminho Me levará, enfim, de novo ao ninho A que sei pertencer desde o começo.   Comanda-me a vontade… e vou subindo! (ao longe outras montanhas vão surgindo Por trás de cada rocha em que tropeço…)     Maria João Brito de Sousa - 25.02.2009      

ADEUS, AMIGA!

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Adeus amiga das horas cansadas, Dos sonhos breves, da melancolia, Destes desfiles do meu dia a dia E dos passeios, pelas madrugadas.   Adeus amiga do sorriso manso, Das mil corridas pela rua fora, Desta amizade que não vem de agora… Que seja suave a hora do descanso.   Que a tua morte te não traga dor, Que seja um leve sopro e, sem temor, Possas partir de cumprida que estás.   Que nunca o medo do que não conheces Assombre esse momento em que adormeces… Que a vida em ti termine, agora, em paz.        

ESCOLHAS E... ESCOLHOS

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ESCOLHAS     Ah! Não fora tão forte esta certeza De ter ainda tanto por fazer, Das coisas por sonhar, por aprender, Talvez tivesse tempo pr`à tristeza...   Talvez não me sentasse em cada mesa Só pr´a poder criar, poder `screver (é por isto que nunca irei saber se seria feliz tendo riqueza...)   Desfeita nas palavras sou feliz Vivendo do que tenho e sempre quis, Sendo, no fundo, aquilo que Deus quer...   Palavras, esses bens que não se esgotam, Que, passando por muitos que as não notam, É sempre a mim que acabam por escolher...     ... E ESCOLHOS     Este ser-como-sou que aqui descrevo, O ser, exactamente e tal e qual, Aquilo que vos mostro em virtual, Este sobreviver de estranho enlevo,   Todo este não-sei-quê se pinto ou escrevo, Eu, este absurdo bicho, este animal, Que está comigo e que quer ser igual, É tudo o que vos pago, o que vos devo.   Fico, ás vezes, perdida no sentido... Será que alguma vez terei mentido? Mas não penso demais... antes sentir!   (tantas vezes c`os olhos tão v...