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A mostrar mensagens de novembro, 2012

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas

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Que me invada, sustente e suporte Esta tão castigada impaciência Que, surgindo, me abrace e conforte Qualquer forma de alada aparência!   Mas… pensando melhor, que desnorte Me invadiu e me impôs tanta urgência Quando a mão mais pesada da sorte Se abateu sobre a minha imprudência?   Quanto mais pesa o corpo, mais pede, Mais e mais a razão se nos mede Pelas pautas de um sonho improvável   Numas asas que a mente concede E que, às vezes, nos brotam da sede De um conceito ou de um gene insondável.         Maria João Brito de Sousa -30.11.2012 – 19.56h       IMAGEM - O último Anjo de Maria - Maria João Brito de Sousa, 1999

SONETO PARA UM SONHO QUE SONHEI - Em decassílabo heróico

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  Depois de uma janela, outra janela Se abriu de par em par, nesse protesto… Mil se abriram depois, fazendo o resto, Assim que a voz do sonho ecoou nela!   Completo, nasce o sol, derruba a cela, Infiltra-se-lhe a luz no duro asbesto E, nessa convicção que ao sono empresto, Traduz-se-me em vontade enchendo a tela…   Transmutada a janela em peito aberto, Fosse essa luz descrita a voz roubada À vivência de um tempo insano, incerto,   Estaria essa vitória bem mais perto E já se glosaria, em qualquer estrada, Invicta, esta alegria em que eu desperto!         Maria João Brito de Sousa – 24.11.2012 – 09.39h         Imagem retirada da net, via Google                    

AOS 1.385.068 DESEMPREGADOS PORTUGUESES EM NOVEMBRO DE 2012 - EXIGIMOS!

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Não pedimos faustosos vestidos Sobre as carnes já tão castigadas Do chicote das lascas dos vidros Das janelas de esp`ranças quebradas!   Queremos pão, pois não fomos vencidos, E o direito, que é nosso, às moradas De alicerces por nós construídos, Pelas mãos que, ora, vedes paradas!   Exigimos saúde e futuro Sobre um solo a que temos direito E este sonho indomável, mas puro,   De alcançar esse fruto maduro Que, ao crescer, cá por dentro do peito, Nos falou de um devir menos duro!         Maria João Brito de Sousa – 22.11.2012 – 19.45h       IMAGEM - Os Comedores de Batatas - Vincent Van Gogh

NAVALHA OBLÍQUA NUM BECO SEM SAÍDA - Em nove sílabas métricas

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É tão crua esta oblíqua navalha Que apunhala os sentidos da gente, É tão suja, é tão vil que não falha; Assassina e… disfarça, inocente!   Se debalde lhe foge a canalha Que afinal lhe foi sempre indiferente, Ela fixa, encurrala e estraçalha Cada um dos que em fuga pressente.   Mas que importa a navalha cruenta De um poder que nos quer degolar Se outra força imperiosa argumenta   Numa voz que até mortos sustenta Pr`a dizer que é morrer ou lutar E, à navalha, nem sangue a contenta?         Maria João Brito de Sousa – 22.11.2012 – 01.48h       IMAGEM - The Charnel House - Pablo Picasso 1944/45

MAIS UM PROTESTO - Soneto de nove sílabas métricas

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Mil protestos `spontâneos, mas sábios, Vêm desde o mais fundo de mim Sem que os vá “recortar” de alfarrábios, Sem sonhar se os lerão mesmo assim…   Meus protestos são feridas gritadas Sobre a crosta arrancada dos dias, A correr, por aí, de mãos dadas C`o prenúncio do fel de agonias!   Sabereis quanta gente aqui morre Sem ter leito onde encoste a cabeça? Cuidareis, todos vós, dos “sem nome”?   Qual de vós, “milionários”, discorre, Sem que uma autocensura o impeça, Sobre o mal desta impúdica fome?         Maria João Brito de Sousa – 21.11.2012 – 18.22h       Imagem retirada da net, via Google, sem registo de autor

AOS QUE NUNCA SE CALARÃO - Soneto de nove sílabas métricas

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Sobre as terras lançaram, salgando   A semente, a promessa, o legado,   Do que tantos lá foram plantando   No retorno do esforço gerado…       Sobre os mares foi lançado um feitiço,   Um conluio orquestrado e sem cura,   Que tornou impotente e submisso   Quem dele tira alimento e ventura…       Foram expulsos das velhas cidades   Despojadas dos seus habitantes   Os que irão espalhar sonho e saudades       Na procura de abrigo e salários   Noutras terras diferentes, distantes,   Tantos mil produtores, bons operários…         Maria João Brito de Sousa – 19.11.2012 -16.04h       Imagem retirada da internet, referente à emigração da década de sessenta do século passado  

BLOG EM GREVE

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EU, POBRE E SUBURBANA...

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Eu, pobre e suburbana, me confesso Nas “lides de ideais” fraca figura! Deveras insensata, reconheço Ser muito avessa a “jogos de cintura”…   Diz-me, a razão, que irei pagar o preço Desta desprotecção, desta loucura, Mas falta-me o dinheiro, ou cheque impresso, Que assegure, ao saldado, a cobertura.   Eu, pobre e suburbana, nunca meço O alcance do que intuo… ou se o mereço E defendo o direito a ser quem sou,   Por vezes destemida, no começo, Se aflorando questões que desconheço, Fico perdida, sem saber que o estou...       Maria João Brito de Sousa – 04.11.2012 -20.19h