O FEITIÇO DA ÁGUA
O FEITIÇO DA ÁGUA Cobriste-me de dogmas e de ideias, Ingénuas, umas, outras, consistentes. Conheces as razões por que as semeias E a ti te contradizes, se as desmentes. À luz, porque a procuras com candeias? Às trevas, se as houver, por que as consentes? Nas malhas que teceste, por que enleias Fios que eu desenredei usando pentes? Vens cobrir-me de um pó viscoso e espesso, Mas a minha vontade não tem preço E bem me basta o pó de cada dia. Leva contigo o visco que te sobra, Que eu não sirvo de pau pra toda a obra. Antes serei maré. Mesmo vazia. Maria João Brito de Sousa – 19.04.2018 – 14.07h Imagem retirada da net, via Google