PÉS DE BARRO
Dar-vos-ia o que tenho, nada tendo; O intenso travo a sal do mar que sou, A fonte de onde o verso me brotou, As mãos com que costuro e me remendo, A dúvida, a certeza e quanto entendo De uns dotes com que a vida me dotou, A beleza que tive e já murchou, A musicalidade a que me prendo, A rosa, o espinho, a força, o estro, a chama E tudo, tudo aquilo a que me agarro Pr`a manter-me de pé, fugindo à cama... Poeta sobre humanos "pés-de-barro", - que mil vezes prefiro a ´mãos com lama`.. - Eu dar-vos-ia o céu... por um cigarro! Maria João Brito de Sousa - 20.01.2017 - 16.11h