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GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (3)

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  CASTELÃ DA TRISTEZA   Altiva e couraçada de desdém, Vivo sozinha em meu castelo: a Dor! Passa por ele a luz de todo o amor... E nunca em meu castelo entrou alguém!   Castelã de tristeza, vês?... A quem?!... – E o meu olhar é interrogador – Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr... Chora o silêncio... nada ... ninguém vem...   Castelã da Tristeza, por que choras Lendo, toda de branco, um livro de horas, À sombra rendilhada dos vitrais?...   À noite, debruçada p’las ameias, Por que rezas baixinho?... Por que anseias?... Que sonho afagam tuas mãos reais?...   Florbela espanca, in "Livro de Mágoas"   NÃO VÊS?   "Altiva e couraçada de desdém", Mas nunca desprovida de valor E, quase sempre, pronta a pressupor Que, mesmo nada sendo, eras alguém...   "Castelã da Tristeza, vês? ... A quem?!..." Quando tu, cultivando a própria dor, A cada qual tornaste um desertor Da mágoa que, por vezes, te entretém?...   "Castelã da Tristeza, por que choras" E a qu...