NAUFRÁGIO DE POBRE
Catraia e cacilheiro do Tejo, séc. XIX * NAUFRÁGIO DE POBRE * Naufraga, a dourada, na areia da praia Se avança a catraia na água encrespada Pela vergastada de um vento que ensaia Um uivo, uma vaia que ao mar é lançada * Naufraga, arpoada, uma enorme arraia De rodada saia de branco pintada E ao longe, quebrada, uma vaga desmaia Enquanto se espraia em alvura rendada... * Por tudo e por nada e sem sino que dobre, Se um naufrágio ocorre ao largo da costa E o náufrago arrosta quanto mar lhe sobre * Ninguém o socorre, nem Deus nele aposta Que é chaga sem crosta do assombro em que morre: De morto e de pobre quem espera resposta? * Mª João Brito de Sousa 21.04.2023 - 12.30h *** Nota - Soneto hendecassilábico com rima encadeada (dupla) * Arraia ou raia pintada