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SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA

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  "A Tia" Tela de minha autoria * SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA ou PEQUENA ARTE DE CONTRADIZER FAMOSOS ou APOLOGIA DE UM ATREVIMENTO * (Em genuíno verso alexandrino) * Minha Musa rebelde embora talentosa, Pedir-te que jamais te afastes de quem sou É qu`rer guardar na mão uma manhã ventosa Ou ir roubar ao mar o sal que o mar salgou * Mas se és mera invenção - segundo o Abrunhosa... - E se só eu te sinto em mim ou se só estou, Terei que te negar embora estando ansiosa Por procurar em ti quanto de mim restou * Ah, sim, sei que o trabalho é mais do que importante E que sem trabalhar nada de bom se faz Mas sem sentir-te em mim de mim fico ignorante *   E escrevo à martelada ou quedo-me incapaz De escrever tanto quanto o fez o grande Dante Que nunca me deu mais do que o que tu me dás! * ©Maria João Brito de Sousa   * Sorrindo muito, às quinze horas do vigésimo terceiro dia do ano da graça de MMXXIII

A QUEM SOUBER OUVIR O (EN)CANTO DOS PARDAIS

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A QUEM SOUBER OUVIR O (EN)CANTO DOS PARDAIS * Aos mortos nos covais e aos que estão por vir, Aos que estão a dormir, aos que nem dormem mais, Aos troncos verticais dos cravos a florir E a quem souber ouvir o (en)canto dos pardais, * Aos rios nos seus caudais, aos montes por subir, Às pedras por esculpir, aos mestres geniais, Às infracções verbais, aos versos por escandir E à morte que há-de vir porque somos mortais: *   O poema é uma aventura incerta e fascinante Que ninguém nos garante, infinda descoberta, Quase uma fresta aberta ao gesto vacilante * Do que ainda hesitante ousar o que o liberta Porque a fresta desperta o que o levara avante Naquele exacto instante em que ele a dá por certa. *   Maria João Brito de Sousa 17.06.2020 - 12.31h *** Em verso alexandrino com rima duplamente encadeada

PENDE DO MEU ANZOL UM PEIXE VIRTUAL - Reedição

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Gravura de Pieter Bruegel (o velho) * PENDE DO MEU ANZOL UM PEIXE VIRTUAL * Amo o azul do mar, o verde da planura E quanto da lonjura alcança o meu olhar: Serei escrava de um lar que no mar se procura Enquanto esta loucura assim me cativar * E, sem me rebelar, nem franca, nem perjura, Ainda que imatura aceito este invulgar Destino de varar um mar que só me augura Os ventos da ventura em que hei-de naufragar... * Ao longe, pedra e cal, brilha um velho farol, Branco como um lençol que foi tecido em sal E se me saio mal porque um raio de sol * Derrete e faz num fole esta rota ideal Na colisão plural dos estros sem controle, Pende, do meu anzol, um peixe virtual! *   Maria João Brito de Sousa 15.06.2020 - 16.09h * Soneto em verso alexandrino com rima duplamente encadeada *  

SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA- Reedição

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SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA ou PEQUENA ARTE DE CONTRADIZER FAMOSOS ou APOLOGIA DE UM ATREVIMENTO * (Em genuíno verso alexandrino) * Minha Musa rebelde embora talentosa, Pedir-te que jamais te afastes de quem sou É qu`rer guardar na mão uma manhã ventosa Ou qu`rer roubar ao mar o sal que o mar salgou * Mas se és mera invenção - segundo o Abrunhosa... - E se só eu te sinto em mim se só não estou Terei que te negar embora estando ansiosa Por procurar em ti quanto de mim restou * Ah, sim, sei que o trabalho é mais do que importante E que sem trabalhar nada de bom se faz Mas sem sentir-te em mim de mim fico ignorante *   E escrevo à martelada ou quedo-me incapaz De escrever tanto quanto o fez o grande Dante Que nunca me deu mais do que o que tu me dás! *   Mª João Brito de Sousa * Sorrindo muito, às quinze horas do vigésimo terceiro dia do ano da graça de dois mil e vinte e três.

SEM TÍTULO VII

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SEM TÍTULO VII * Num verso me quis dar, em versos me fui dando, Como se em verso amando eu mais pudesse amar, Ou como se cantar fosse ir-me, a mim, doando Nunca sabendo quando insistir... ou parar. *   Depois de a mim me achar, quiçá, frutificando E em tudo me adequando a quanto ousei cantar, Talvez reflicta o mar, talvez vá naufragando E vá o mar cantando os versos que eu calar... * Se pareço falar de mim, tão só de mim, Não vos direi que sim, nem vos direi que não, Mas esta embarcação transmuta-se em jardim * E não há espaço em mim para a tripulação Que dela fez seu chão e nela viu seu fim: É, afinal, assim que não se embarca em vão. * Mª João Brito de Sousa 16.11.2022 - 11.00h *** Soneto em verso alexandrino com rima dupla (intercalada)  

COISAS QUE SÓ EU SEI

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COISAS QUE SÓ EU SEI * (em verso alexandrino) *   Não canto essoutro amor cantado à exaustão Que é fruto da paixão que irrompe como a flor Quando, no seu esplendor, garante a gestação A cada geração que seduz pra se impor. * Cantá-lo por favor, a mim, não me imporão Que eu moro na canção que eu entender compor E não ando ao dispor da velha tradição; Nada faço à traição, nem guardarei rancor * Porque é com despudor que afirmo que cantei Coisas que só eu sei e outras que, não sabendo, Tentei ir aprendendo assim que aqui cheguei; * A Amor nunca neguei, que o vivi no crescendo Que a vida foi tecendo enquanto o que sonhei Cá dentro sufoquei. De amar não me arrependo. *   Maria João Brito de Sousa - 26.02.2021 - 11.35h  

A MÃO QUE O VERSO CRIA

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  A MÃO QUE O VERSO CRIA * (Em verso alexandrino com rima encadeada) * Vem quase tudo quando um nada já me chega Disto que não se nega e cresce em descomando De encantos se encantando ao ver-me assim tão cega Que bem mais se me apega assim que, cega, abrando. * Disto me vou queixando aquando mal sossega A mão que tudo agrega e que me vai faltando Quando mais precisando estou da mão que entrega Que, hoje, tudo delega até sei lá eu quando... * Um nada sobraria e tudo, de uma vez, Sem comos nem porquês caindo à revelia Do que ela escandiria ao compasso de um mês, * Parece-me, talvez, pedir em demasia... Mas quem impediria o verso, um descortês, De aninhar-se onde o fez a mão que o verso cria? * Maria João Brito de Sousa – 13.07.2018 – 13.11h *  

RUAS

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  (Soneto em verso alexandrino) Adoro, ao pôr-do-Sol, ver a noite cair Sobre esta minha rua, esta rua onde moro, E por sobre a calçada amada ver surgir Em raios de luar a luz com que a decoro.   Amanhã, se acordar, hei-de vê-la a florir! Há sempre um “se” eu sei, mas nunca, nunca choro, Tal como nunca sei se irei, ou não, mentir, Dizendo não pedir, pois nunca nada imploro.   Passa a noite a correr. Nem dei por que passasse Conquanto a sono solto um sonho cavalgasse... E, quanto à rua amada, amor, vejo-a sem ti,   Pois por mais que no sonho ansiosa o procurasse Não mais vi, nesta rua, abrigo que abrigasse... Rua da qual gostasse, amor, não mais a vi.     Maria João Brito de Sousa – 12.09.2017 – 08.29h