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A mostrar mensagens de novembro, 2022

SONETO PROLETÁRIO

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SONETO PROLETÁRIO * Nas redacções do meu imaginário, Agora menos fértil, mais cansado, Se (a)colho um verso humilde e proletário, Fico segura de não ter errado * E sigo em frente. O texto, solidário, Flui no papel como regueiro em prado E a Musa empunha o sacho do cenário Que enquanto escrevo vai sendo lavrado * Mas se perto do fim as mãos me doem, Se os olhos se me cerram de cansaço A quatro versos - ai! - do fim do texto, * São os sachos que lavram e compõem Estes últimos versos, traço a traço, Pra que o regueiro venha aguá-los, lesto. * Mª João Brito de Sousa 30.11.2022 - 10.50h ***   Imagem - "Peasant Woman", Vincent Van Gogh

AQUELE VERSO QUE UM DIA PERDESTE- Reedição

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AQUELE VERSO QUE UM DIA PERDESTE *   Àquele verso que se te escapou Quando te passeavas na cidade, Julgo ter sido eu quem o achou No chão caído e morto de saudade * Desse poema que nem começou Por culpa sua, ainda que a vontade Lhe pedisse uma urgência que calou Por ter perdido a oportunidade. * Quis devolver-to mas, fragilizado, Dissolveu-se inteirinho ao ser tocado Embora eu lhe tocasse tão de leve * Que pareciam seda, estes meus dedos... Versos perdidos são como os segredos: Se descobertos, têm vida breve. *   Maria João Brito de Sousa 21.01.2019 – 14.12h *** Poema reformulado

FOI NUM NATAL MUITO FRIO

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FOI NUM NATAL MUITO FRIO * I * Era o Inverno mais frio De que podia lembrar-se, Mas nem tentou lamentar-se: Se gritou, ninguém ouviu * Corressem-lhe, embora, a fio As águas, a agigantar-se Cada dor até soltar-se O filho que então pariu... * Era o vento que soprava, E era a chuva que, impiedosa, Açoitava o velho quarto * Mas só no filho pensava Quando sobre a colcha rosa Suportava as dores do parto * II * Nunca teve anjo, nem estrela Que a viesse iluminar, Só o menino a chorar, Num cestinho à luz da vela * A criança, o cesto e ela, O improviso de um lar Onde ela o põe a mamar Sob um céu que a agride e gela... * Não veio nenhum rei mago Trazer-lhe ouro, incenso e mirra, E nem sequer José veio * Fazer-lhe um pequeno afago Na desmedida barriga Nem dar-lhe um pão de centeio * III * Nesse Dezembro gelado, Nem vaquinha, nem burrico, Só da chuva algum salpico Saudou o recém chegado * Pequenino ali deitado, Tão pobre e de amor tão rico Quão emocionada fico Por havê-lo aqui citado... * Mas esse ...

SOLUÇÃO

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Procura uma solução? É por  aqui  se faz favor

"É UM GRITO DE ESPERANÇA"

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Ouviu um grito de esperança? O som vem  daqui

SE A NAVALHA NOS FALHA, OSCILA E CAI - Reedição

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SE A NAVALHA NOS FALHA, OSCILA E CAI * Se, no fio da navalha caminhando, A navalha nos falha, oscila e cai, Sem um suporte, tudo se nos vai E sem asas, nem chão vamos ficando... * A que nos agarramos se, oscilando, Até o gume, de repente, trai Aquilo que nos nega e que subtrai Ao pouco que antes fomos avançando? * A própria Musa, desasada fica, A corda, retesada, já não estica E os versos, um a um, caem também * Da tal pauta invisível que os prendia Ao fio duma navalha que os servia E que não serve agora a mais ninguém. *   Maria João Brito de Sousa 11.01.2019 – 12.16h ***  

OBITUÁRIO - Reedição

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OBITUÁRIO *   Morri, segundo fonte oficial... A (a)creditada folha assim me informa Num breve obituário de jornal De pequena tiragem, como é norma. *   Esfrego os olhos! Duvido! É natural Que apesar de não estar em grande forma, Me revolte e entenda que está mal Morrer sem ter gozado da reforma *   Leio de novo. Não, não era um erro, Podia ler-se a data do enterro: "Rebéubéu, zaz-traz-paz, tantos de tal". *   Sem pressas, cerro um olho. Ao outro o cerro... Contudo, o meu cadáver, mesmo perro, Ergue-se e escreve o verso terminal. *   Maria João Brito de Sousa 17.07.2018 – 15.46h ***

CATIVEIRO

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CATIVEIRO * Como meridiano-de-mulher Na divisão do Ser em hemisférios, Sou o imponderável dos mistérios Que explica o seu mistério a quem quiser *   Falo a quem me entender, a quem souber Dentro de si achar outros impérios, Se farto das prisões e cemitérios A que a futilidade os quis prender * Falar-vos-ei de um tempo-antes-do-tempo Bem como dos futuros-infinitos Que ainda estão por vir no mundo inteiro *   E de um maior, mais justo entendimento...  Tudo quanto se ler nestes escritos Nasceu da liberdade em cativeiro. * Maria João Brito de Sousa 14.05.2008 - 02.53h *** (Poema ligeiramente reformulado)

MEMORANDO FLORBELA ESPANCA E JOSÉ MANUEL CABRITA NEVES

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  ACRÓSTICOS A FLORBELA * Memorando Florbela Espanca e José Manuel Cabrita Neves * ACRÓSTICO * Fui a tristeza, a mágoa, a solidão! Longe da felicidade e da alegria, Ostentei um caminho que sabia, Reverso e controverso de paixão… * Bebendo silenciosa a nostalgia, Enquanto eu era toda adoração, Lia nalguns olhares condenação, A esse amor tão puro que sentia… * Errei pois por amar quem não devia, Seguindo a terna voz do coração, Peregrina fiel duma ilusão, Alimentando a cega idolatria… * Não creio haver sequer comparação, Com esta minha entrega doentia, Ao dedicar-me inteira ao próprio irmão!... * José Manuel Cabrita Neves *** ACRÓSTICO- RESPOSTA * * Fui, sim, tristeza e mágoa e solidão, Lamento de infindável nostalgia Ornato de candura e poesia, Remate de perfeita (in)confecção *   Bordado a ponto-cruz sobre aflição, Errando, ou não, - conforme a disforia... -, Louca, talvez, que muito bem sabia A que conduziria tal paixão... *   Estou livre, no entanto - quem diria? - Singrando agora um...

AMARELO

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Vai um solzinho amarelo? Por  aqui , faça favor!

NAS ARTÉRIAS E V(E)IAS DA CIDADE - Reedição

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NAS ARTÉRIAS E V(E)IAS DA CIDADE Reedição *   O sangue inunda as veias da cidade Vindo da fonte humana que o contém E só por uns instantes se detém Para beber um copo na Trindade, *   Para dizer bom dia a quem lá vem, Pra dar-se num abraço de saudade, Pra comer uns natinhas em Belém Ou na Avenida que é da Liberdade... *   Corre esse sangue em estranho descompasso Do Marquês ao Terreiro que, do Paço, Passou a ser do povo que é sa(n)grado, *   E nessa infinda, imensa hemorragia Esvai-se a cidade inteira, dia a dia, Ao som das mansas notas do seu fado. *   Maria João Brito de Sousa 22.06.2018 -15.48h ***    

"QUANDO O TEMPO É LIMITADO"

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  Por  aqui , se faz favor

MEMORANDO JOSÉ SARAMAGO NO SEU CENTÉSIMO ANIVERSÁRIO

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MEMORANDO JOSÉ SARAMAGO NO SEU CENTÉSIMO ANIVERSÁRIO *   SONETO ATRASADO *   De Marília os sinais aqui ficaram, Que tudo são sinais de ter passado: Se de flores vejo o chão atapetado, Foi que do chão seus pés as levantaram. * Do riso de Marília se formaram Os cantos que escuto deleitado, E as águas correntes neste prado Dos olhos de Marília é que brotaram. * O seu rasto seguindo, vou andando, Ora sentindo dor, ora alegria, Entre uma e outra a vida partilhando: * Mas quando o sol se esconde, a noite fria Sobre mim desce, e logo, miserando, Após Marília corro, após o dia. * José Saramago In “Os Poemas Possíveis” *** SONETO DO REENCONTRO *   Atrás de mim correste e me alcançaste Na pista dos sinais por mim deixados, Mas tivesse eu mais rio, mais chão, mais prados E soubesse eu dos sonhos que sonhaste, * Mais sinais deixaria onde passaste, Mais lágrimas, mais risos entoados, E muito menos passos apressados Teria dado até onde me achaste *   Caminhava alheada desta vida, Sem cuidar de cuida...

MEMORANDO O GRANDE POETA E SONETISTA JOSÉ MANUEL CABRITA NEVES

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MEMORANDO O GRANDE POETA E SONETISTA JOSÉ MANUEL CABRITA NEVES *   EU FUI O SONHO * Eu fui a ave desbravando o espaço, Eu fui o grito ecoando ao vento, Eu fui o mar sereno e o violento, Eu fui o beijo, o afago e o abraço! * Eu fui a eternidade e o momento, Eu fui a caminhada passo a passo, Eu fui a resistência e o cansaço, Eu fui o desalento e o alento… * Eu fui a meta e ponto de partida, Eu fui a paz e a raiva enfurecida, Eu fui o horizonte da verdade! * Eu fui o amanhã da ilusão, Eu fui o sonho desta geração, Eu fui Democracia e Liberdade!... * José Manuel Cabrita Neves (1943-2022) ***   E EU FUI... * Eu fui a noite, quando o sol raiava, Eu fui a cama de um quarto de lua, Eu fui a pedra solta de uma rua, Eu fui , em simultâneo, altiva e escrava... * Eu fui esta torrente que me estua, Eu fui este estuário em que me olhava, Eu fui, do sol, a nuvem que o tapava, Eu fui a que se veste e fica nua... * Eu fui ninguém, quando era toda a gente, Eu fui, de alguma forma, omnipresente, Eu fui t...

SEM TÍTULO VII

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SEM TÍTULO VII * Num verso me quis dar, em versos me fui dando, Como se em verso amando eu mais pudesse amar, Ou como se cantar fosse ir-me, a mim, doando Nunca sabendo quando insistir... ou parar. *   Depois de a mim me achar, quiçá, frutificando E em tudo me adequando a quanto ousei cantar, Talvez reflicta o mar, talvez vá naufragando E vá o mar cantando os versos que eu calar... * Se pareço falar de mim, tão só de mim, Não vos direi que sim, nem vos direi que não, Mas esta embarcação transmuta-se em jardim * E não há espaço em mim para a tripulação Que dela fez seu chão e nela viu seu fim: É, afinal, assim que não se embarca em vão. * Mª João Brito de Sousa 16.11.2022 - 11.00h *** Soneto em verso alexandrino com rima dupla (intercalada)  

SEM TÍTULO VI

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SEM TÍTULO VI * Repara, amor, que a mim tanto me fez Que fosses rico ou pobre ou branco ou negro Que nunca olhei à cor da tua tez E à riqueza, amor, inda hoje a nego * Sequer à tua força e robustez Olhei que o meu amor era, então, cego E amei-te com a mesma insensatez Que engendra a solidez do desapego... * Amei-te pressupondo desvendar-te E cega vi-te, amor, por toda a parte, Como se foras puro, imaculado, * Mas assim que curada da cegueira, Ao ver a tua imagem verdadeira Mal cri no que não vi por ter cegado. *   Mª João Brito de Sousa 15.11.2022 - 10.30h ***        

SONETO DA LIQUIDAÇÃO TOTAL DE "STOCK"

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  SONETO DA LIQUIDAÇÃO TOTAL DE "STOCK" * Aqui vai, no formato do costume, Um soneto barato e sem sentido Que por ser sem sentido que se assume Às três pancadas vos será servido * Compu-lo como quem cria um perfume Que sabe que jamais será vendido Ao qual juntou um nada de azedume E uma lasca de humor recém colhido... * Como um grito de raiva ou de vitória, Escrevi-o sem pensar, calei-lhe a história E retirei-lhe o espanto e a paixão... * Não sei bem por que o fiz, nem pra que o quero, Mas sei - tenho a certeza! - que é sincero E que não me custou nem um tostão! * Mª João Brito de Sousa 14.11.2022 - 11.00h ***

RESPEITO

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Leia  aqui , por favor

ESTOU CONVOSCO SEM VOS VER

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AQUI , por favor.

"A MORTE QUE DA VIDA O NÓ DESATA"

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FIOS & NÓS * "A Morte que da Vida o nó desata" Vai desfiando os fios que a Vida tece E nesse empenho seu, nunca esmorece Que, tarde ou cedo, a Morte avança e mata. * Enquanto Amor em fios se desbarata, Ciente, ou não, do tanto que merece, A Morte um só valor lhe reconhece E é tão só por ser Vida que o contrata * Mas se nem Amor forte, Amor sincero, Pode vencer o decidido empenho Da Morte que da Vida o nó desfaz * Ame-se em alegria ou desespero, Mas teça-se o novelo, embora estranho Pareça ser o Nó(s) que Amor nos traz. *   Mª João Brito de Sousa 11.11.2022 - 10.45h *** Soneto criado a partir do primeiro verso do soneto "A Morte que da Vida o Nó Desata" de Luiz Vaz de Camões.

EU, POETA E PORTUGUÊS - Reedição

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EU, POETA E PORTUGUÊS * Eu trago o nobre toque das areias Do meu pequeno-imenso Portugal E vivo em transparências de cristal Sobre uma estranha fome de alcateias *   Eu, esboço de tritões e de sereias Num traço decidido, horizontal, Renasço, para o bem e para o mal, Da cópula carnal de mil ideias... *   Aqui cresci! Castelo em construção De um sonho e da raiz de uma ilusão Na qual naufraga um mar todos os dias, *   Descrevo-me em longínquas caravelas, No Sol, na Lua e nos milhões de estrelas Em que a dor espanto, à força de ironias. *   Maria João Brito de Sousa Junho, 2008 *  In Poeta Porque Deus Quer Autores Editora, 2009 *** Vinheta de Manuel Ribeiro de Pavia In LIVRO DE BORDO, António de Sousa  

O CAPITAL

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O CAPITAL * Poemas que vos dizem quanto sei Em versos que vos falam do que penso E que vão descrevendo o contra-senso Dessa temeridade em que me dei * Descritivo fiscal de quanto herdei Livre de selo, imposto e emolumentos, Será pena remível por tormentos Mas sem taxas impostas pela lei * Minha vasta fortuna legarei E enquanto vou escrevendo o testamento Crescem-me os bens além do que sonhei * É na soma dos versos que engendrei, Aqui legalizada em documento, Que cresce o capital que acumulei! *   Maria João Brito de Sousa In Poeta Porque Deus Quer, Autores Editora, 2009 *** (Reformulado)

SIMON SAYS

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Pedindo desculpa aos amigos e camaradas que me lêem em português, este sonetilho nasceu-me em inglês e assim será editado uma vez que o seu destinatário não conhece a língua portuguesa.   NEVER DO WHAT SIMON SAYS! * Simon says: - "Do as I said!" Will you do what Simon wants Knowing not what Simon grants, When you know he might be mad? * Simon says:- "I`ll give you bread And i`ll put guns in your hands, Cause I own the better brands That you may dream of! I swear!" * Simon - said I - go to hell, Knock its door or ring its bell Cause hell is your perfect spot! * Maybe you`re already there Cause you dream quite a nigthmare And you planned its bloody plot! * Mª João Brito de Sousa 07.11.2022 *** Tradução mais ou menos literal * NUNCA FAÇAS O QUE SIMON DIZ! * Simon diz: -" Faz o que eu disse!" Tu vais fazer o que Simon quer Sem conhecer o que Simon te concede, Quando sabes que ele pode estar louco? * Simon diz: - "Vou dar-te pão E vou-te colocar armas nas ...

SONETO DO DESCONCERTO

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Tela de C. Portinari * SONETO DO DESCONCERTO * Desconcerta-me o mundo em desconcerto E mais me desconcerta quem, fingindo, Diz que o conserta e vai-o destruindo Pra ficar, do poder, muito mais perto * Não fosse a alma humana um livro aberto E o futuro um romance nunca findo, Desistiria de o sonhar bem vindo Como água na secura de um deserto * Mas enquanto o meu sonho tiver metas E eu me bater por causas bem concretas, Não deixo de sonhar, nem de escrever, * Nem de ousar enfrentar, de verso em punho, Os desconcertos que hoje testemunho, Para que um dia a Paz seja o poder! *   Mª João Brito de Sousa 06.11. 2022 - 10.00h ***    

"FINALMENTE LÁ CHOVEU!"

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Onde?  Aqui!

PERFIL - Reedição

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PERFIL - Reedição * Não recorda o que fez. O que não fez Ficou escrito nas horas de outros dias, Perdido nas ingénuas fantasias De um tempo em que vivia de porquês... * De mais nada se lembra... Só, talvez, Das desoras remotas e tardias, Em que o moviam estranhas ousadias E em que vivia, num só dia, um mês * Parte sem o saber. Esse é, decerto, O fruto que plantou no chão deserto Em que o seu dia a dia se tornou... * Na perspectiva holística do ser, Decerto se lembrou de o não colher, Mas de o esquecer de vez, não se lembrou. *   Mª João Brito de Sousa Janeiro 2010 *** (poema reformulado)