SONETO PROLETÁRIO
SONETO PROLETÁRIO * Nas redacções do meu imaginário, Agora menos fértil, mais cansado, Se (a)colho um verso humilde e proletário, Fico segura de não ter errado * E sigo em frente. O texto, solidário, Flui no papel como regueiro em prado E a Musa empunha o sacho do cenário Que enquanto escrevo vai sendo lavrado * Mas se perto do fim as mãos me doem, Se os olhos se me cerram de cansaço A quatro versos - ai! - do fim do texto, * São os sachos que lavram e compõem Estes últimos versos, traço a traço, Pra que o regueiro venha aguá-los, lesto. * Mª João Brito de Sousa 30.11.2022 - 10.50h *** Imagem - "Peasant Woman", Vincent Van Gogh