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A mostrar mensagens de janeiro, 2024

CONVERSANDO COM CUSTÓDIO MONTES

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* TENHO UMA AMIGA * Tenho uma amiga que vive em Oeiras Escrevia, antes, sempre noite e dia Não sei o que tem, estou sem alegria É, entre as amigas, uma das cimeiras * Tenho outras, claro, também verdadeiras Mas sem grande rasgo a escrever poesia Outros predicados de categoria Que muito me agradam, amigas inteiras * Mas esta de Oeiras é muito inspirada Tem ao pé a musa com ela amestrada Ambas muito ilustres, ambas de condão * Uma não tem nome, é essa que inspira A outra, já digo, é a que gente admira Tem um nome lindo: Maria João. * Custódio Montes 26.1.2024 *** TENHO UM AMIGO * Dos muitos amigos que por cá vou tendo, Já só um me acode se penso em tecer Uma bela C´roa que tanto prazer Traz à minha vida quando a estou tecendo * Custódio se chama e nos montes vivendo Montes traz no nome que lhe coube ter E eu montanhas subo pra lhe responder; Ele comigo aprende e eu com ele aprendo... * Mais amigos tenho que aqui não nomeio Porque sendo tantos tenho algum receio De algum me falhar e fazer...

SONETO III - Lviz Vaz de Camões

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Ilustração de Norman Rockwell enviada para o meu endereço electrónico por Pinterest * SONETO III * Tanto de meu estado me acho incerto, que em vivo ardor tremendo estou de frio; sem causa, juntamente choro e rio, o mundo todo abarco e nada aperto. * É tudo quanto sinto, um desconcerto; da alma um fogo me sai, da vista um rio; agora espero, agora desconfio, agora desvario, agora acerto. * Estando em terra, chego ao Céu voando, nũ’ hora acho mil anos, e é de jeito que em mil anos não posso achar ũ' hora. * Se me pergunta alguém porque assi ando, respondo que não sei; porém suspeito que só porque vos vi, minha Senhora. *   Luís de Camões in Rimas Texto estabelecido, revisto e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão, Coimbra, Almedina, 1994 * SONETO III * Alínea M * "Tanto de vosso estado me acho incerta" que acautelada fico e desconfio de quanto me dizeis. Se vos sorrio, de gentileza, apenas, faço oferta... * Não sei, Senhor, se me tomais por certa, nem se há verdade em vos...

INTEMPORALIDADE - Mª João Brito de Sousa e Lourdes Mourinho Henriques

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Aguarela de Luís Rodrigues *   INTEMPORALIDADE * Coroa de Sonetos * Mª João Brito de Sousa e Lourdes Mourinho Henriques * 1. *   Aqui não há passado nem futuro; O presente é fieira que não finda E não tem de passar por nenhum furo Embora a agulha disso não prescinda * E disto estou seguro, tão seguro Quanto de não haver ninguém que cinda A ponta que se afasta e que conjuro Como se o tarde cedo fosse ainda... * Onde não há princípio nem há fim Sou tudo e não sou nada. Este ínterim É somente ilusão. Paradoxal? * Talvez sim, talvez não, talvez talvez, Já não quero saber de outros porquês; Quem mede esta meada intemporal? *   Mª João Brito de Sousa 01.11.2021 - 10.30h *** 2. * “Quem mede esta meada intemporal?” Alguém cujo engenho e muita arte Pintando numa tela sem igual, Expõe a sua alma em toda a parte. * Alguém que seus poemas nos of’rece Cada dia que passa, que beleza, Qual deles o melhor, e com certeza Que sua inspiração jamais falece! * A Musa está presente a toda a hora, Mas insist...

SONETO CONTRA NATURA

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Imagem Pinterest ***   SONETO CONTRA-NATURA * Burile-se o soneto qual escultura Mas só depois de impresso. Quando brota Deve jorrar selvagem em ruptura Com a suave aparência que denota: * Curto tamanho, pequena estatura Tem o soneto e escolhe a própria rota Ainda que ela o leve à sepultura Rindo de si como se fora anedota... * Mas se em tão curto espaço cabe inteiro Nem sempre o que contém é tão ligeiro Quanto o que hoje vos trago e que desmente * Quanto quero dizer e só desdigo No pouco, quase nada, que consigo Deixar-vos porque a Musa mo consente. *   Maria João Brito de Sousa 16.11.2020 - 13.59h *** Segunda versão modificada em relação ao soneto original

SOBREVIVENDO ÀS MAZELAS- reedição

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Fotografia de Carlos Ricardo Por  aqui  , faça favor

ADAGIO PARA VELHOS SONETISTAS (e não só)- Mª João Brito de Sousa e Custódio Montes

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  ADAGIO Para Velhos Sonetistas e Não Só * Coroa de Sonetos * Mª João Brito de Sousa e Custódio Montes * 1. * Caminhamos curvados pelas ruas Geladas e brilhantes como espelhos, Nós desgastados, nós que estamos velhos, Nós cujos ossos ferem como puas... * Cá vamos nós, trocando sóis e luas Por veias que azularam nos artelhos E se multiplicaram quais coelhos Multiplicam no solo as tocas suas... * Tentamos proteger-nos do contágio, Que este Janus* vai estando rigoroso E nós chegámos ao mais alto estágio * Do Inverno da Vida, o mais penoso, Que apenas nos concede um lento "Adagio" Em vez de um "Presto" firme e vigoroso. *   Mª João Brito de Sousa 08.01.2024 - 16.47h *** 2. * “ Em vez dum “Presto” firme e vigoroso" Que trouxe a juventude ao começar Que agora vai embora sobre o mar, Deus do ocaso, um velho langoroso * No começo o jardim era formoso Com papoilas e rosas ao luar Sol nascente e cantigas pelo ar Agora um astro breu, velho e moroso * E vemos primaveras a ...