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CERNE DO MUNDO - sonetilho

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Sem dizer uma mentira, Sem falar do que não sinto, Espero que ninguém me fira Ou, sequer, julgue que minto.   Sou, do mundo, o que nele gira Sem me negar esse instinto Do que à vida me retira Quanto do sonho eu consinto.   Sou aquilo que sobrar De um mundo em ebulição Na tropopausa gelada,   Na condição de encontrar No auge da privação, Qualquer coisa;- ou tudo, ou nada!       Maria João Brito de Sousa - Maio 2011     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

MEU RIO, MEU IMENSO, INSUSTENTÁVEL RIO

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Minha canção das margens inconstantes Rasgando a pradaria dos sentidos, Meu rio de águas revoltas mas brilhantes A começar do nada, em tempos idos,   Minha ribeira brava dos instantes Que acrescentaste aos dias já vividos, Das lonjuras, dos sonhos mais distantes Que à partida me foram prometidos,   Meu leito, derramando em terra ardente O abraço da vontade que não morre Do riso que descrê, mas não desiste,   Meu líquido poema omnipresente Nas águas de um futuro que dele escorre E à qual, embora querendo, não resiste.     Maria João Brito de Sousa – 24.05.2011 – 15.17h  

A QUEDA DO POETA

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Tropeçou, o Poeta, no seu manto… Quem lhe procura a voz que está caída Nas pedras do caminho, em qualquer canto? Poeta que caiu, tem voz perdida   E de nada lhe serve sê-lo tanto Se não encontra a voz que é, à partida, O único bordão do seu encanto… Se a voz se lhe perdeu, está desmentida!   Poeta, encontra a voz que te caiu Ou nunca chegarás a ser Poeta Neste mundo de quedas e tropeços!   E, se alguém te empurrou, ninguém o viu; Foste tu, nessa cauda de cometa, No teu vaivém de eternos recomeços…     Maria João Brito de Sousa – 30.04.2011 – 14.12h