FIM DE TARDE Entra o sol pla vidraça entreaberta Vem brilhar no meu rosto já esquecido Dos suaves afagos desta oferta Que por beijá-lo o deixam aquecido Com ele traz suave mas incerta A música dum pássaro atrevido E que mesmo cantando fica alerta E faz-se esvoaçar por um estalido O sol é tão ameno. O canto frágil! Vai desmaiando o Sol. O passaro ágil Desfaz-se do seu canto, cala a voz Pla vidraça fechada apenas escuro Nem o brilho do sol, mesmo inseguro Nem o canto do pássaro veloz MEA 11/12/2016 ESPAÇO-TEMPO (Um dia sem poesia) Por cá, passou-se o dia, e mal o vi... Choveu, é certo, a meio da manhã, Mas se houve sol, nem del` me apercebi Nesta canseira imensa, inteira e vã Em que, por força externa, me encolhi Por dentro, qual semente da maçã Que fiquei a olhar, mas não colhi Porque, olhando melhor, não estava sã... Por cá, passou-se o dia. Mais um dia Em que nem mesmo o verso, a melodia Me veio consolar com suave abraço, Pois tudo o que o cansaço permitia Era ir sobrev...