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A mostrar mensagens de setembro, 2013

SONETO "PANFLETÁRIO"

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APELO AO VOTO   Soneto assumidamente panfletário, partidário, utilitário e, na opinião da autora, necessário… (Em decassílabo heróico) Há pobres, infelizes criaturas Que, sem vontade própria, se norteiam Por teorias de outros que as odeiam E à má-fila promovem ditaduras De elites que apregoam falsas curas, De eleitos que a si próprios se nomeiam E “neutros” que o não sabem, mas falseiam O sentido da Luta em vãs loucuras. Atentem à mentira, quando alastra! A nós, essa perfídia não nos castra E o voto, a duras penas conquistado, Há-de fazer tremer a corja “rasca” Que, ao dividir-nos, tanto nos atasca Em dúbias jogatinas de mercado! Maria João Brito de Sousa – 22.09.2013 – 21.00h (Em reedição, mais uma vez inevitavelmente reformulado a 14.06.2015)  

SONETO DE CODA

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    (Em decassílabo heróico)     Quando o verso desponta e, de repente, Sinto que o Tejo vem, de vaga em vaga, Depor, nas rochas que em meu peito traga, Em líquido compasso, o comburente   Deste fogo maior, insano, urgente, Que ateia a poesia em qualquer fraga E, sem hesitações, rejeita e esmaga Razões de outra razão bem mais urgente   Eu, bicho, ao descobrir que o não comando, Que, sabendo porquê, nunca sei quando O fluxo se me impõe com força tal   Que dele brote o poema, agreste ou brando, E, com força de grito ou murmurando, Se afirme, em rebeldia, um bicho igual,   Deixo aberto esse espaço em que, voando, Se imponha livremente e vá brotando De geração espontânea e natural…     Maria João Brito de Sousa – 17.09.2013 – 17.05h     Nota – Este é o meu primeiro “soneto de coda”. Dedico-o ao poeta Frassino Machado pois, ao contrário do que ele imaginava, não conhecia esta “modalidade” até me deparar com alguns sonetos de coda, de sua autoria. Nasceu da forma espontânea que tão naturalme...

PEQUENAS SUBVERSÕES A UM INEVITÁVEL PÔR DO SOL

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  (Em decassílabo heróico)       Solto esta voz que invade o meu poema, Que chega não sei de onde e não sei quando, E entrego-lhe a palavra que, voando, Despreza a rigidez de forma e tema,   Pois só brota se, livre e sem problema Na condição de impor-se, ir-se espraiando, O grito que lançar for conquistando Batalhas que engendrou contra um sistema.   Depois… fica o poema, vai-se o “mago” Que, ao mergulhar no mar do que em mim trago, Promete só voltar quando entender   E resta-me este fundo e calmo lago, Tão perceptível quanto um vago afago, Confirmando o que a aurora ousou esconder.         Maria João Brito de Sousa – 15.09.2013 – 20.35h

"DE MÃO BEIJADA"...

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    (Soneto em decassílabo heróico)     Se isso viesse, assim, de mão beijada, Tempr`ar-nos desse sal com que o escreveste E fosse ouvido, sem dizer mais nada, Significando o mais que nele escondeste…   Depois, se ultrapassada a longa estrada De quanto humano passo nunca deste, Se erguesse e se lançasse em revoada, Determinado, urgente, irado, agreste,   Sobre a bruta injustiça alicerçada Por quem aceita a “capa” e logo a veste Só porque foi por tantos cobiçada,   Melhor fora eu ficar muda e calada A “soprar-te” que sei que não esqueceste Os tais que a vestem gasta e já rasgada.         Maria João Brito de Sousa – 07.09.2013 – 20.25h   NOTA – A um texto publicado por Alexandra Freitas Moreira, no seu mural, em 07.09.2013     IMAGEM - Diego Rivera - "Gloriosa Vitória"

SONETO AO PRODUTOR EXPLORADO II

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          Sem agasalho, quando o frio lho pede, Nem acessórios, quando necessários, Não diz palavra em causa que não mede, Assim que os ventos sopram mais contrários *   E se ergue o punho contra os salafrários Ou espuma as raivas que a razão concede, É por ter mil razões contra os salários Que só lhe compram fome e pagam sede *   Passa, invisível, sobre o dia-a-dia, Vai, devagar, morrendo em contra-mão, Arremedando a velha alegoria *   Que, honrando a letra de uma melodia, Em coro nasça de uma multidão Que venha, erguida, impor-se à tirania. *     Maria João Brito de Sousa – 03.09.2013 – 19.51h       Imagem do 25 de Abril de 1974 - Partido Comunista Português