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A mostrar mensagens de fevereiro, 2023

CORAGEM - Reedição

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CORAGEM *   Coragem? Que é dela se, manipulada, Se sente sondada, moldada, invadida No que à sua vida concerne e, num nada, Se vê humilhada, presa e sem saída? *   Cala a voz dorida que assim controlada Em vez de indomada carne aberta em f`rida Oscila vencida qual chama apagada Da peça engendrada nos palcos da vida *   Esta, de sumida, soa-lhe abafada, Ou desafinada, que triste e vencida Não será ouvida porque amordaçada *   Por mão precavida. Solta-a sussurrada Em vez de exaltada mostrar-se traída Que a força antes tida foi-lhe ora negada. *     Maria João Brito de Sousa 09.03.2017 - 16.13h ***  

UM SONETO A POSEIDON

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UM SONETO A POSEIDON- Reedição * Não sei se te temo, mas sei que te sinto Por vezes meu escravo, por vezes meu rei Se colhes do favo quanto mel te dei Enquanto perdida no teu labirinto *   Nas veias do espanto, sorvendo o absinto Da taça em que o guardas, que ergui, que provei... Ah, quando me tardas - que és de ouro... de lei! - Por qu`rer-te e provar-to, me rendo e consinto *   Que inteira me dobres, a mim que selvagem, Sozinha desbravo os caminhos do p`rigo Nas ondas mais bravas - não mais que a coragem! -, *   Por rotas convulsas de crime e castigo, Na Barca da Vida que já ruma à margem Da louca voragem que enfrento contigo. * Maria João Brito de Sousa 26.02.2016 - 12.39h ***

"PORQUE AMAR NÃO É PECADO"

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FILHO DAS TEMPESTADES - Mª João Brito de Sousa e Custódio Montes

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FILHO DAS TEMPESTADES * Coroa de Sonetos * Mª João Brito de Sousa e Custódio Montes *   Andou perdido por remotas plagas Sem bússola nem vela. Era a Paixão Quem o mantinha à tona sobre as vagas Do mar da sua imensa solidão * Cerrava as mãos. Fechadas como garras As levava do leme ao coração Quando da barca soltava as amarras Aos primeiros sinais de um furacão * E assim se fazia à tempestade Como à bonança os outros se faziam Mal o vento amainava o seu furor * Pra si, porém, o vento é liberdade E os raios são pendões que o desafiam A vencê-los em espanto e garra e cor. *   Mª João Brito de Sousa 21.02.2023 - 10.00h * 2. * "A vencê-los em espanto e garra e cor" E o vento bem soprava ao desafio Mas ele como as mães tinha valor E como seu filhote, força e brio * Por sobre as ondas viu-se o seu fulgor Andava contra o vento em corrupio Com força mais depressa que um vapor Singrando sem ter medo ou arrepio * Elas, as tempestades, com orgulho Paravam para verem o seu filho Correr des...

SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA

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SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA ou PEQUENA ARTE DE CONTRADIZER "FAMOSOS" ou APOLOGIA DE UM ATREVIMENTO * (Em genuíno verso alexandrino) * Minha Musa rebelde embora talentosa, Pedir-te que jamais te afastes de quem sou É qu`rer guardar na mão uma manhã ventosa Ou qu`rer roubar ao mar o sal que o mar salgou * Mas se és mera invenção - segundo o Abrunhosa... - E se só eu te sinto em mim se só não estou Terei que te negar embora estando ansiosa Por procurar em ti quanto de mim restou... * Ah, sim, sei que o trabalho é mais do que importante E que sem trabalhar nada de bom se faz Mas sem sentir-te em mim de mim fico ignorante *   E escrevo à martelada ou quedo-me incapaz De escrever tanto quanto o fez o grande Dante Que nunca me deu mais do que o que tu me dás! *   Mª João Brito de Sousa * Sorrindo muito, às quinze horas do vigésimo terceiro dia do ano da graça de dois mil e vinte e três.  

SONETO DO DESAMOR POSSÍVEL

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SONETO DO DESAMOR POSSÍVEL * Não creio nessas tuas falas mansas, No teu jeito incomum de ser banal Nem na forma segura com que avanças Pra dizer qu` rer-me bem qu`rendo-me mal * Não creio no que te ouço se me alcanças E me perguntas se te sou leal Ou me pegas ao colo e me balanças Jurando ser fiel quando afinal... *   Não te creio sequer por um segundo Se me dizes que sou todo o teu mundo E que jamais pensaste amar assim * Não te creio, nem mesmo quero crer-te E espero que não crer-te me liberte Só não sei se de ti ou se de mim... *   Mª João Brito de Sousa 22.02.2023 - 22.00h ***

FILHO DAS TEMPESTADES

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FILHO DAS TEMPESTADES *   Andou perdido por remotas plagas Sem bússola nem vela. Era a Paixão Quem o mantinha à tona sobre as vagas Do mar da sua imensa solidão * Cerrava as mãos. Fechadas como garras As levava do leme ao coração Quando da barca soltava as amarras Aos primeiros sinais de um furacão * E assim se fazia à tempestade Como à bonança os outros se faziam Mal o vento amainava o seu furor * Pra si, porém, o vento é liberdade E os raios são pendões que o desafiam A vencê-los em espanto e garra e cor. *   Mª João Brito de Sousa 21.02.2023 - 10.00h *      

"ESTÁ UM FRIO DE RACHAR"

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DITADO

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O PÃO DE CADA DIA

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O PÃO DE CADA DIA * Escrevi movida a jacto e a gasóleo Até a consciência me travar: Tentei deixar por cá um vasto espólio E só um quase nada irei deixar * Porque é certo e sabido que o petróleo Mais dia, menos dia, vai faltar E este meu pequenino monopólio Sentiu-se envergonhado de o louvar... * Restava-me o cavalo... Esse escapou-se Num dia em que me achou mais distraída, Bem mais imersa em dor que em poesia * E agora escolho o mel que for mais doce Enquanto alindo a estrofe concebida Pra conceder-me o pão de cada dia. * Mª João Brito de Sousa 07.02.2023 - 10.00h ***

CONVICTAMENTE

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CONVICTAMENTE * Estou a entorpecer, é evidente! Convictamente sei estar-me a perder De tudo quanto fui remotamente E do que ingenuamente julguei ter * Se me recordo ainda é vagamente Que vaga já não sou, nem posso ser, A menos que essa vaga enfim rebente Pra que eu consiga em espumas me rever * Desfeito o coração, recorro à mente Que vendo o coração quase a morrer Convictamente se ergue e num repente * Corre pra ele e fá-lo reviver... Quão vagamente entendo o que é premente Se tão convictamente eu me render? *   Mª João Brito de Sousa 06.02.2023 - 09.30h ***

GLOSAS A UMA ESTROFE DE TEOLINDA MARREIRO

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SOMBRA

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SOMBRA * Esperou por si à hora do costume Como quem espera o dia de nascer Desnudada por dentro e sem ter lume A que chegar-se para se aquecer * Não sentindo sequer o seu perfume Soube do tanto que estava a perder E sem protestos, sem um só queixume, Percebeu que deixara de em si crer * Esperava um verso que a devolveria Aos braços de uma musa naufragada No convés de uma barca inexistente * Mas tão só se encontrou no que seria A sombra do que foi quando inspirada Escrevia louca, apaixonadamente... * Mª João Brito de Sousa 31.01.2023 - 20.00h ***