SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA IX (acho eu...)
Disse-me o sol, um dia, indo dormir; - Lembras-te, ó ser lunar, dessoutro tempo Em que outros paraísos do sentir Te davam melhor cor, maior alento? Do tempo dos sentidos a florir, Das vôo singular cortando o vento, Das horas de encantar, sempre a surgir Das águas que te inundam lá por dentro? Lembras-te, ou não te lembras? Se o recordas, Se, acaso, essa memória te acompanha E caso em ti persistam tais lembranças, Vives delas ainda e, se concordas, Repara bem que é tua – embora estranha... – Essa imagem de ti com duas tranças. DOUTA IGNORÂNCIA Nunca sei se me sei. Eu pouco sei Pr`além da lucidez do que em mim sinto, Mas do que sei sentir, nunca desminto As rotas de quem sou, no que vos dei. Do muito que senti, pouco pensei E, ainda desse pouco, quanto instinto, Quanta intuição! O que pressinto Pode vir – eu sei lá… – de quanto herdei. Nesta minha doutíssima ignorância, Sou igual aos demais que a pouco aspiram Enquanto sou dif`rente de outros tantos Que primam por ...