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GLOSANDO LUIZ VAZ DE CAMÕES IV

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    MUDAM-SE OS TEMPOS... * Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o Mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. * Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve, as saudades. » O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. » E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía. Luiz Vaz de Camões *     DIALÉCTICA * "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades," Muda-se o gesto, o modo, o linguajar E até por não poder se não mudar, Se mudam, do ser vivo, as qualidades. * "Continuamente vemos novidades," De que iremos gostar, ou desgostar, Conforme as consigamos, nós, olhar Com lucidez que afaste ambiguidades. *   "O tempo cobre o chão de verde manto(,)" E, o nascimento, a vida de alegria Que tanta vez se muda...

GLOSANDO LUIZ VAZ DE CAMÕES III

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  JURANDO DE NÃO MAIS EM OUTRA VER-ME * Como quando do mar tempestuoso  O marinheiro todo trabalhado,  De um naufrágio cruel saindo a nado,  Só de ouvir falar nele está medroso,  * Firme, jura que o vê-lo bonançoso  Do seu lar o não tire sossegado;  Mas esquecido já do horror passado,  Dele a fiar se torna cobiçoso, *  Assi, Senhora, eu que da tormenta  De vossa vista fujo, por salvar-me,  Jurando de não mais em outra ver-me;  * Com alma que de vós nunca se ausenta,  Me torno, por cobiça de ganhar-me,  Onde estive tão perto de perder-me.  Luís Vaz de Camões In "Sonetos" *** BRAVATA(S) "Como quando do mar tempestuoso" Que engole inteiro o velho galeão, Emerge o grande vate e traz na mão Quanto lhe fora em vida mais precioso, * "Firme, jura que vê-lo bonançoso" Chegar às mãos de D. Sebastião, Lhe justificará toda a aflição Da luta contra um mar fero e raivoso * "Assi, Senhora, eu que da tormenta" Medo não tenho e vibro de ousadia, O mesmo irado mar...

"ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE"

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  "Erros meus, má fortuna, amor ardente"... de erros que me sobrassem, naturais, fui trocando - de menos, ou demais? - as quadras por sonetos... dei semente! "Tudo passei, mas tenho tão presente" um ror dos pecadilhos mais venais, dos comuns, cometidos por mortais que à perfeição aspirem, tão somente... "Errei todo o discurso de meus anos", talvez num verso, ou noutro... é natural porque apenas humana e nunca um deus! "De amor não vi senão breves enganos", mas como posso, a Amor, levar a mal, se, o próprio, erros comete, iguais aos meus? Maria João Brito de Sousa - 08.09.2015 - 11.47h   NOTA - Soneto escrito na sequência da publicação do soneto de Camões com o mesmo título, glosado por Helena Fragoso.