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GLOSANDO ARY DOS SANTOS

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  SONETO DE MAL AMAR Invento-te recordo-te distorço a tua imagem mal e bem amada sou apenas a forja em que me forço a fazer das palavras tudo ou nada. A palavra desejo incendiada lambendo a trave mestra do teu corpo a palavra ciúme atormentada a provar-me que ainda não estou morto. E as coisas que eu não disse? Que não digo: Meu terraço de ausência meu castigo meu pântano de rosas afogadas. Por ti me reconheço e contradigo chão das palavras mágoa joio e trigo apenas por ternura levedadas. Ary dos Santos, in 'O Sangue das Palavras' SONETO DE MAL-LEMBRAR "Invento-te recordo-te distorço" Essa velha memória desgastada Pelo tempo passado, pelo esforço, Pela estrofe que passa, desgarrada. "A palavra desejo incendiada"; Erro de paralaxe, ou óbvio escorço Duma memória em versos recriada Que é, da figura humana, apenas torso. "E as coisas que não disse? Que não digo (:)" Sobre as fomes de um pão que encontra abrigo Em quadras e sextilhas (en)cantadas? ...

DIALOGANDO COM JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

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SONETO PRESENTE                                                                                                              Não me digam mais nada senão morro aqui neste lugar dentro de mim a terra de onde venho é onde moro o lugar de que sou é estar aqui. * Não me digam mais nada senão falo e eu não posso dizer eu estou de pé. De pé como um poeta ou um cavalo de pé como quem deve estar quem é. * Aqui ninguém me diz quando me vendo a não ser os que eu amo os que eu entendo os que podem ser tanto como eu. * Aqui ninguém me põe a pata em cima porque é de baixo que me vem acima a força do lugar que fôr o meu * José Carlos Ary dos Santos, in "Resumo" ***    SONETO DE "ANTES QUEBRAR QUE TORCER" *  E que po...