RIO(S)
RIO(S) * Não vendo nem fio e a ninguém ofendo; Crescendo, crescendo, não passo de um rio Que nasceu de um fio. Nem eu compreendo Como é que, descendo, o caudal se me abriu * E depois se uniu com o mar que vou sendo Quando nel` me estendo quase em desvario... Todo me desfio se assim me desvendo E só me defendo se encontrar desvio. * Não vendo nem fio. Se as margens galgar Sem poder parar nem medir consequências, Por extremas urgências o fiz sem sonhar * Poder vos causar grandes emergências; Feito de inocências, quero é desaguar Pra me derramar noutras transparências. * Maria João Brito de Sousa - 01.10.2020 - 11.54h Imagem da nascente do Mondego, na Serra da Estrela, sítio do Corgo das Mós (Mondeguinho) retirada daqui