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A mostrar mensagens de junho, 2022

ABRAM ALAS!

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ABRAM ALAS! *   "De gestos sem graça ou de traços grosseiros" Não quero, garanto, ser perpetradora E tão pouco quero versos embusteiros Que apenas galopem à força de espora *   Desdenho os encómios que são traiçoeiros, Qual gato escondido c`o rabo de fora Mas cultivo os cactos, embora em canteiros, Que comigo trouxe das matas de outrora... *   Se glórias não quero prás C´roas que teço, É certo que gosto que as leiam, confesso, Embora sozinha nem tente engendrá-las *   Mas se acaso entendo virar do avesso Poema que eu queira findar no começo, Ao génio da Musa recorro: Abram alas! *   Mª João Brito de Sousa 30.06.2022 - 13.00h *** Poema concebido a partir do último verso do soneto NÃO QUERO, de MEA (Maria Encarnação Alexandre) 

FATALIDADE

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FATALIDADE * Já faz tanto tempo que pouco me sobra Do tempo que, à justa, cabe a cada humano E ele há tanto verso que em mim se desdobra Que nisso envelheço milénios por ano... * Já faz tanto tempo que o tempo me cobra Quanto me extasia sem causar-me dano: Verso a verso tento consumar a obra Mas depressa acordo desse sonho insano * E do quase nada que possa restar-me, Fazendo-me surda aos sinais de alarme Que alguns julgam fruto desta (in)sanidade, * Persisto no verso, dure ele o que dure: Se desta "doença" não há quem me cure, Já nasci poeta. Que fatalidade! *   Mª João Brito de Sousa 28.06.2022 - 16.00 *** Soneto dedicado à poeta e sonetista Helena Fragoso  

AMORA

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Vai uma  amora?

"PORQUE A VIDA É CAPRICHOSA"

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Aqui ,  por favor.

TENTAÇÃO

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Por  aqui , por favor

"CALOR... TROUXE MULTIDÕES"

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NÃO ME SAI... - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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NÃO ME SAI... * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * 1. * Não me sai cantiga que possa agradar A voz que eu tenho só quer brincadeira Esconde-se às vezes e, namoradeira, Fala só baixinho, não se quer notar * O amor esconde-a, só pensa em amar Não canta à segunda nem canta à primeira Só fala baixinho sem ninguém à beira Não se ouve por perto, não se ouve a cantar * Há muito que cala, não quer escrever Devia contar e contar a valer Porque se não canta contava uma história * Em parte inventada de que se gostasse E assim fosse lida para que ficasse Se não fosse em canto, seria em memória * Custódio Montes 22.6.2022 *** 2. * "Se não fosse em canto, seria em memória", Ou juntos, em ambos... Seria perfeito Cantar a memória trinada a seu jeito, Compondo-se o canto ao compasso da história *   Eu, sempre que o faço, não procuro glória, Só persigo a força que trago no peito E tento alcançá-la escrevendo a preceito, Sabendo, contudo, ser meta ilusória * Pois não ...

POENTE

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Ainda que seja noite de São João, para mim, o Sol virá por-se  aqui

"SALTANDO À NOITE A FOGUEIRA"

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Hoje é  aqui , o arraial possível

O DIA EM QUE O MAR TREMEU

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    O DIA EM QUE O MAR TREMEU * "A vista embebe na amplidão das vagas" A velha mãe do jovem pescador Mas nada enxerga além de pranto, dor E um mar que, de tão cru, criava garras * Há quantos dias levantara amarras E se fizera ao mar o seu amor, O seu menino cheio do vigor E da alegria própria das cigarras? *   Sobre esse areal branco o negro vulto Confronta o mar num derradeiro insulto Ao azul impassível que a roubara * E, toda raiva e fúria, avança agora Mordendo as águas onde o filho mora: Pra quê esperar se a dor já a matara? *   Mª João Brito de Sousa 20.06.2022 - 13.45h *** Poema criado a partir do verso final do soneto MATER DOLOROSA de Gonçalves Crespo e inspirado pelas glosas feitas por Joaquim Sustelo ao mesmo texto poético. ***  

ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO

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"Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!" Machado de Assis *   ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO * Gosto de cactos verdes e espinhosos, E até de rosas vaidosas e nobres... Nos mundos ideais - sonhos de pobres! - Finto sem medo maciços rochosos, * Mostrengos gigantescos, tenebrosos, Que nunca vergarão por mais que os dobres, E a todos vou metendo em meus alfobres Transmutados em nada, vaporosos. * Aqui termino o breve devaneio E assumo que há mostrengos que receio Ou que as rosas me ferem se algum espinho, * Dos muitos que por vezes manuseio, Na carne se me crava, mesmo em cheio, Até que o sangue escorra, vermelhinho. *   Mª João Brito de Sousa 15.05.2022 - 15.50h ***   Soneto concebido para um desafio de temas no Horizontes da Poesia

"INTERMEZZO"

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"INTERMEZZO" *   Minto se vos disser que sou feliz E minto se afirmar que não o sou: Desdigo-me a mim mesma, de raiz, Se houver raiz no que de mim sobrou... * Relevo quanto sobre mim se diz E tanto se me dá se o que restou Dos poemas que fiz e que desfiz Bastou para ser obra... ou não bastou. * Quando voltar a mim, se a mim voltar, Talvez a Musa me volte a acenar Com versos musicados, como outrora * Mas, desta vez, talvez eu lhe resista Conquanto saiba bem que enquanto exista Se me recusa, a Musa, a ir-se embora. * Mª João Brito de Sousa 18.06.2022 - 20.15h ***

NOTÍCIAS - 18.06.2022

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Querid@s amig@s e companheir@s de versos, mais uma vez os problemas de saúde me levaram a ter de andar a correr de laboratório em laboratório e de consulta hospitalar em consulta hospitalar, induzindo-me um estado de exaustão que me tem mantido afastada tanto das leituras e da escrita quanto do vosso convívio diário. Este especifíco problema está ainda longe de estar resolvido, mas intensa a dor física que acompanhava os dois simultâneos quadros infecciosos encontra-se, de momento, bastante controlada. Não posso prometer um trabalho interactivo diário e constante, mas posso tentar recomeçar. Devagarinho, muito devagarinho, que a minha força física e anímica ainda não regressou aos mínimos exigíveis a quem pretenda poder concentrar-se tanto na leitura quanto na escrita. Muito obrigada a tod@s @s que me telefonaram ou comentaram durante este período em que as dificuldades, a dor e a indisposição física conseguiram superar a minha vontade.   Um forte abraço para tod@s vós. * Mª João * 18....

GENETICAMENTE INSPIRADO - Reedição

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  GENETICAMENTE INSPIRADO * Vou pincelando, a ocres e vermelhos, Este soneto oval que me fascina E engano os meus anseios de menina Numa ressurreição de cacos velhos *   Desminto a evidência dos espelhos! Deste enlevo renasço, pequenina, Crescem-me asinhas de feição divina E fico invulnerável a conselhos *   Pois moldo, pinto, engendro a "obra-prima" Que vou solicitando aos meus sentidos Sem que me sinta, nunca, arrependida *   E, a cada segundo, o que me anima É toda a profusão de coloridos Que há nesta sensação de criar vida! *   Maria João Brito de Sousa  31.01.2008 - 10.15h   ***   In Poeta Porque Deus Quer, Autores Editora, 2009  

UM CASTELO DE AÇUCENAS- Reedição

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UM CASTELO DE AÇUCENAS *     Na paz de Deus embalo os meus poemas E desse não sei quê que vive em mim Vem-me uma lucidez que não tem fim E é, no fundo, a razão das minhas penas *     Na paz que delas vem, ergo as empenas Do castelo em que abrigo o meu jardim De versos cujas rimas de cetim Bordei letra por letra. E são centenas! *     No pátio dos poemas que eu herdei, Na paz que o verso em mim quis delegar, Vi florescer nas tardes mais serenas *     O pomar dos poemas que criei... Eu, que mendigo um pão pra mastigar Do alto de um Castelo de Açucenas. *     Maria João Brito de Sousa - 17.02.2008 * In Poeta Porque Deus Quer - Autores Editora, 2009   (ligeiramente reformulado)

UMA BARCA A VARAR A TEMPESTADE

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  UMA BARCA A VARAR A TEMPESTADE * "Numa chuva de dor tocada a vento" Vai vendo aproximar-se a tempestade, Essa a que um ser humano não se evade Por mais que à sua rota esteja atento * E esse bom capitão cujo talento Não gera um verso - um só! - que desagrade, Vê turvar-se-lhe a vista: como há-de Fazer frente a um mar tão turbulento? * Não sabe o que ninguém pode saber E nem o sabe a Musa proteger De uma tal tempestade interior, * Sabe, porém, que a força que lhe resta Reside no alento que lhe empresta A Barca cuja proa enfrenta a dor! *   Mª João Brito de Sousa 04.06.2022 - 14.00 *** Soneto criado a partir do último verso do soneto CÉU CINZENTO de José Manuel Cabrita Neves  

TANTAS CARAVELAS... - Reedição

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TANTAS CARAVELAS... * Ergue-se o pano e surge outro cenário Vindo de uma matriz que mal denota O virtual do qual emerge a frota De sonhos com aromas de incensário *   A multidão, em sentido contrário, Retoma, paulatina, a sua rota E os que não trouxerem espada e cota Farão boicote ao vosso imaginário… *   Não será de estranhar que, no futuro, Se (re)erga uma ponte sobre um muro E um outro entendimento sobrevenha, *   Nem será de esperá-lo. O que vos juro, É que a tela que pinto e que emolduro Se vai esfumando ao longe. E ninguém estranha. *   Maria João Brito de Sousa 02.03.2009 - 22.30h ***

EPOPEIAZINHA

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EPOPEIAZINHA *   Percorro o espaço vivo dos meus dias Nos tropeços do mundo aos trambolhões E desprezo a prudência dos travões Numa estranha corrida de ousadias *   Acelerando, encontro novas vias Prás minhas mais remotas compulsões E o meu combustível de ilusões Garante protecção contra avarias *   Cometo as mais temíveis infracções! Na meta do evento está Golias Desafiando as minhas convicções *   Com demos, tentações, feitiçarias, Gigantes - ou moinhos... - e dragões Gerados na matriz das fantasias. *   Maria João Brito de Sousa - 2008 *   In Poeta Porque Deus Quer - Autores Editora, 2009   (ligeiramente reformulado)            

A PERFEITA OCUPAÇÃO DAS HORAS - Reedição

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  A PERFEITA OCUPAÇÃO DAS HORAS *   No corpo inacessível de um poema Mora o ritmo, sereno ou agitado, Que fala da virtude e do pecado E faz com que escrevê-lo valha a pena *   A pauta musical que assim me acena A seduzir-me o corpo já cansado, Virá trazer-me o verbo inesperado Que me preenche a alma enfim serena *   E vai-se-me o vazio que então crescia Mudado em fruição do que se faz Nas noites renovadas como auroras *   Em que me torno amante da Poesia E apenas o soneto me compraz Nesta perfeita ocupação das horas. *     Maria João Brito de Sousa 30.01.2009 - 23.58h ***   Nota - Soneto ligeiramente reformulado