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FRUTO DE UM MAR PROIBIDO - Reedição

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FRUTO DE UM MAR PROIBIDO * Quis lembrar-me do mar que trazias A pender-te da ponta dos dedos, Prometendo, acenando aos mil dias Que eu roubava à avareza dos medos *   E colhi, desse mar que escondias No remoto pomar dos segredos, O mel doce que em fruto of`recias Dentre mil, extemporâneos, azedos… *   Houve um tempo redondo e magoado Em que o fruto minguava escondido, Definhando de tão resguardado * Na redoma do que é proibido E se eu nunca o tivesse encontrado, Talvez nunca o tivesse perdido. * Maria João Brito de Sousa 23.10.2011 – 15.00h *** (Em verso eneassilábico)

SONETO INESPERADO ou Soneto à Coragem de Viver

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    (Em verso eneassilábico) Ai, Soneto esquecido, que voltas, Que te alheias das dores que me minam Que te acendes nas loucas revoltas Que nem deuses, nem mestres te ensinam, Que te enlaças nas pontas já soltas Desdobrado em gorjeios que trinam, Enfrentando, sem medo e sem escoltas O temor dos que em vão se aproximam. Ai, Soneto que eu nunca esperei, Que não sonho e nem sei bem se sei Se me nasces do espanto, ou das horas, Mas que exaltas, num mel que olvidei Nos tormentos da dor que calei, Quanta voz soltarei, sem demoras… Maria João Brito de Sousa – 04.05.2013 – 16.26h       Imagem - Desenho de Álvaro Cunhal (Série "Desenhos da Prisão")

ESPADA DE POETA

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ESPADA DE POETA (Soneto em verso eneassilábico) Cá estou eu, decidida a vender Muito cara a provável derrota, Com poemas e rimas por frota, Na batalha ao rigor do Poder! * Não sei bem se esta luta me quer, Se enfeitada com elmo e com cota Chego a ver a mudança da rota, Ou consigo sequer combater, * Mas se luto é por grandes anseios E se avanço enfrentando os receios, Uma gota – não mais! – lhe acrescento * Porque o faço negando os recreios De que os palcos de guerra estão cheios E, por espada, uso o simples talento. *   Maria João Brito de Sousa – 02.04.2013 – 18.52h