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A mostrar mensagens de novembro, 2018

ATÉ SEMPRE!

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ATÉ SEMPRE! * Mortinhos andamos por saber das vidas E lutas renhidas de servos e de amos, Mas pouco ganhamos quando desmentidas Ou mal repartidas nos diversos ramos, * Se as consideramos noções adquiridas; Das coisas ouvidas, tudo partilhamos E nem duvidamos. Se estão garantidas, Quão mais repartidas, mais nos fascinamos. * Mas, hoje sem musa, que a musa fugiu, Lembro Bento, o tio, e fico confusa... A musa em recusa, pois Bento partiu * Concede-me um fio da malha inconclusa Que em nada se acusa, mas faz um desvio; Faz frio, tanto frio, que este “adeus” se me escusa. * Maria João Brito de Sousa – 30.11.2018 – 11.26h * Em singela homenagem ao poeta Bento Tiago Laneiro, mais conhecido por “tio Bento”, ontem falecido. Até sempre, tio Bento!       Imagem retirada  daqui       Aqui , em Oeiras, na pastelaria Paris, há cerca de nove anos.   Da esquerda para a direita, Landa Machado, eu, Vitor Castanheira, Dulce Saldanha e Bento Tiago Laneiro (tio Bento)   Fotografia gentilmente cedida por Lan...

GRATIDÃO

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GRATIDÃO * Estou grata à vida e grata aos homens justos Que lutam pra que a vida justa seja, Mas sei que um ideal tem grandes custos Para quem lute e para quem proteja, * À custa de cansaços e de sustos, Os ideais que em consciência eleja Inda que surjam espinhos muito adustos Na vida de quem luta e não corteja * A corja que envilece o nosso mundo, A vã glória dos sacos sem ter fundo E a perfídia dos grandes lambe-botas. * Estou grata, sim, aos homens e mulheres Que enfrentam as mentiras dos poderes E sempre vencem, mesmo nas derrotas. * Maria João Brito de Sousa – 29.11.2019 Portugal Nota – Em resposta ao belíssimo soneto homónimo de Raymundo Salles, Brasil.     imagem retirada  daqui

A VERDADEIRA TIRANIA DO "GOSTO"

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A VERDADEIRA TIRANIA DO “GOSTO” * “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”,* Muda-se a velha coisa em coisa nova E, reparando bem, tudo comprova Que há vidas que se trocam por saudades. * Transmutam-se as mentiras em verdades Que muito poucos podem pôr à prova E alugam-se os bilhetes para a cova Segundo as modas e publicidades. * Mas caso assento houvesse ao qual subir E abismo ao qual descer, do lado oposto, Jamais o novo se faria ouvir, * Nunca a uva daria senão mosto E ninguém poderia evoluir Senão na mira de ter mais um gosto. * Maria João Brito de Sousa – 28.11.2018 – 13.55h * *Verso inicial de Luís Vaz de Camões   Imagem retirada  daqui

SEM LÁGRIMAS

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SEM LÁGRIMAS *     Sem lágrimas te deixo, que eu não choro! Há quanto, quanto tempo se esgotaram as abundantes gotas que deploro nos inocentes olhos que as choraram? *     Mas se te olho melhor, se me demoro no lago em que os teus olhos se espelharam, não juro que com eles não faça coro lançando-me nas águas que o formaram. *     Não, não te sei dizer qual a razão desta minha assumida obstinação em não chorar por mim. Por dor alheia, *     Por essa, choro sempre! Para dentro... Sem lágrimas, acendo o fogo lento de um mar que esteja sempre em maré-cheia. *       Maria João Brito de Sousa – 26.11.2018 – 14.30h  

SERVIDO EM PEQUENAS DOSES

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SERVIDO EM PEQUENAS DOSES *     Por cada verso, um beijo, um boca-a-boca, que sinto se esse verso me cativa e de senti-lo assim ninguém me priva, porque o beijo me of`rece um beijo em troca. *     Se pouco harmonioso, mal me toca; naufraga à beira-ouvido ou segue à deriva... Ninguém espere que pare ou que conviva com verso errante que em nada se foca. *     Vasos comunicantes, simbioses, raízes, ramos, frutos requintados... Em tudo se transmutam nossas vozes *     Assim que geram versos musicados que só servidos em pequenas doses por todos devem ser saboreados. *       Maria João Brito de Sousa - 26.11.2018 – 13.08h   Imagem - "O Beijo" - Gustav Klimt  

DA EVOLUÇÃO DA LINGUAGEM E DA ESCRITA

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DA EVOLUÇÃO DA LINGUAGEM E DA ESCRITA * Mais, muito mais que pr`alindar poemas, Serve ao humano a interpretação Da escrita em sua eterna evolução Nos diversos gradientes dos seus temas. * É certo que nos traz alguns problemas A não literalidade, a sugestão Dos humanos anseios, da paixão E até de outras questões menos extremas. * Ah, não tivesse a escrita evoluído Passando a mais complexa e bem mais rica, Que sonhos haveríamos perdido? * Quão mais complexa, quão melhor se explica A escrita que por vezes eu pratico E que a cada todos nos serve e gratifica. * Maria João Brito de Sousa – 25.11.2018 – 14.16h

TANTO MAR...

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TANTO MAR... * (Em verso dodecassilábico alexandrino) *     Amei, quando era tempo, o ramo em fruto e flor. Agora é bem menor, mais fraco o meu talento, Bem menos turbulento e atenuado em cor, Mas é ainda amor quanto hoje represento. * De quando tudo enfrento ao rir-me face à dor, Renego-lhe o pior. Com muito ou pouco alento, Tiro do mau momento o que haja de melhor; Irónico, o esplendor, e estranho, o seu sustento... * Assim será por fim quando a luz se apagar E nem mesmo o luar eu veja sobre mim, Que é mesmo só assim que agora devo amar * Sabendo cultivar, não rosas de jardim, Mas ramos de alecrim, do tal que cruza o mar Pra poder inspirar mundos que o são sem fim. *     Maria João Brito de Sousa – 24.11.2018 – 14.47h

VÔOS CRUZADOS EM SONETO ALEXANDRINO

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VÔOS CRUZADOS EM VERSO ALEXANDRINO * Voar, voar, voar, ainda que por dentro, ainda que sem tento, ainda que a lembrar as ondas do meu mar nos braços do meu vento e os rasgos de talento a que eu puder chegar * E decompõe-se o ar do qual eu me sustento em espasmos de ouro lento e raios de luar que ficam a pairar num pasmo sonolento, sonhador, mas atento a tudo o que encontrar * Bastava-lhe sorrir. Nada porém bastou quando o olhar focou no que estava por vir, mas sem o omitir, nunca o justificou. * Nesse dia acordou para não mais dormir apesar de sentir o quanto lhe pesou tudo o que ultrapassou pra não escolher fugir. * Maria João Brito de Sousa – 23.11.2018 – 05.35h

VÔOS DE TODOS OS TEMPOS

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VÔOS DE TODOS OS TEMPOS * Analiso tudo. Se o não compreendo, aos poucos aprendo, porque nada é mudo... Sei que não me iludo quando assim vou sendo pois não mais pretendo, daquilo a que aludo, * Do que este veludo que me vai enchendo Assim que me prendo nas malhas de tudo... Dispo-me, contudo, do que antes fui vendo e bem mais me estendo se de mim sacudo * O tecido gasto das ideias feitas... Coisas imperfeitas com que a mim me basto põem-me no rasto, mesmo rarefeitas, * De estradas bem estreitas, céu nada nefasto onde tudo é casto e as pedras eleitas Estando insatisfeitas, já nem dão pró gasto. * Maria João Brito de Sousa – 22.11.2018 – 11.21h Imagem retirada  daqui

SONETO ESCRITO NA CORDA BAMBA

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SONETO ESCRITO NA CORDA BAMBA * “Há uma corda bamba nos meus passos d`hoje” que quase me foge, que oscila e descamba... Grito-lhe: Caramba, não és chão que aloje, chão a que se arroje senão cobra mamba! * Hoje, danço um samba que me não despoje desse toca e foge que um tal chão mal lamba, que o sapato camba quando a tal se arroje em chão que se espoje mais do que muamba * E já que o não faço na realidade, não só pela idade, mas por não ser de aço, aguento o madraço com serenidade, * Testo a qualidade deste ambíguo espaço, galgo passo a passo cada ambiguidade e, em boa verdade, pouco mais eu faço... * Maria João Brito de Sousa – 21.11.2018 – 12.47h * Soneto escrito a partir do primeiro verso do poema PASSOS DE OUTONO, da autoria de Joaquim Sustelo. Imagem retirada  daqui

"ÃOS" & "ADES"

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NOITE DE BRUXAS

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NOITE DE BRUXAS *   “No escuro calado de noites sem fim”, Despertando em mim presunções de mau fado, Voeja assombrado um vulto que assim Transforma o jardim num antro embruxado. *   Se o ponho de lado, mais corre pra mim... Begónia ou jasmim? Inquiri com cuidado, Não fosse, zangado, crescer, crescer sim, Bem mais que o jardim no qual estava plantado... *   Não tive resposta, por mais que a esperasse. Qual ave rapace, bruxinha não gosta De à prova ser posta... mas, que não gostasse * E se agigantasse! Arrisco a proposta! Fiz a minha aposta, embora aguardasse Reacção oposta à que mais me agradasse...   *   Maria João Brito de Sousa – 19.11.2018 – 13.06h *   Soneto escrito a partir do primeiro verso do soneto “Sem Rosto Nem Olhos, Sem Mãos Nem Dedos”, da autoria de MEA. (Maria da Encarnação Alexandre)      

OITAVAS MUITO SOLTAS

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ALERGIAS...

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1969

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1969   Ao tremor de terra assinalado Na ocidental praia lusitana, Cujo epicentro o mar trouxe agitado E tanta gente fez sair da cama * Uns sem vestido, muitos sem calçado, E outros que até foram de pijama Para a rua, fugindo ao sismo irado Mais do que prometia a força humana, *   E, sob intensa chuva, se arriscaram A sucumbir às gripes que apanharam, Eu canto e espalharei por toda a parte *   Que a natureza em fúria, a “desancar”, Bem mais sinistra foi que Salazar, Por muito que pr´algoz lhe sobrasse arte. *     Maria João Brito de Sousa – 28.02.1969 *       (Escrito no dia do grande sismo, aos quinze anos. Primeira tentativa de soneto - e última até Abril de 2007 - ainda com versos eneassilábicos misturados com decassilábicos heróicos)     Imagem retirada  daqui

ENTRA MOSCA, OU SAI ASNEIRA...

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ENTRA MOSCA OU SAI ASNEIRA *     “Não entra mosca em boca bem fechada” Sem duvidar que seja verdadeiro Este paternalismo conselheiro, Não obedeço a sorte assim ditada *     E aceito esse risco, pois calada Jamais irei ficar, a tempo inteiro, Que me entra, olhos adentro, um nevoeiro Capaz de me deixar, a mim, “moscada”. *     Peço desculpa, caso saia asneira Em vez de entrar a mosca varejeira Que anuncia o prazer de uma visita... *     Não aceito a mordaça por fronteira; Nunca aprendi a ser de outra maneira E, se tentar mudar, vou ver-me aflita. *       Maria João Brito de Sousa – 14.11.2018 - 06.59h

A CARAVANA

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A CARAVANA *   Passa uma caravana. É bem visível, nessa agónica marcha, o desespero, pois diz-me a caravana o que não quero sequer sonhar que possa ser possível. *   Deixa uma caravana o ponto zero e vence, metro a metro, um chão sem nível do espaço que faltar pra que, invencível, alcance a meta. Em nada me supero *   Se apenas a descrevo e sou sensível à voz que vou ouvindo e que me esmero por traduzir e por tornar audível. *   Avisto ao longe um mar que considero ser de gente temente e não temível e ladra um cão que me olha, enquanto a espero. *     Maria João Brito de Sousa – 13.11.2018 – 11.22h     Imagem retirada  daqui. Ler por favor.

TEIMEI...

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  TEIMEI... *     Dormi por vinte horas seguidas, ou quase, que estou numa fase de eternas demoras... Decerto deploras que tanto me arrase, mas tenho por base restricções motoras *   E, às aves canoras, nunca sei se as case com versos de envase, com rimas, com escoras... Senhores, senhoras, que ninguém me atrase; esgotei-me, ou estou quase. Não vejo melhoras. *   Teimo e teimarei em ser como fui e disto se intui que hoje não cantarei segundo a tal lei do compasso que flui   *   E se o ritmo rui, eu culpada serei... Sabê-lo, bem sei; nunca um poema se frui se se substitui só por teima. E teimei! *       Maria João Brito de Sousa – 12.11.2018 – 09.37h     (Soneto em verso hendecassilábico com rima intercalada)    

O DESCANSO DA MUSA

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HISTÓRIAS DE CASAS II

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HISTÓRIAS DE CASAS

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  HISTÓRIAS DE CASAS *     Não se alongasse tanto esta demora do vento transformado em ventania que açoita a velha casa já vazia das lágrimas passadas, que não chora *     E não se erguesse a chama que devora, nem se infiltrasse o frio, que hoje arrepia, a casa duraria e duraria mais uma eternidade, a cada hora. *     Contam histórias, as casas mais modestas, quando as rajadas sopram pelas frestas das janelas fechadas que estremecem *     E, a cada sopro, um novo capítulo Sugere, a quem lhes queira dar um título: Bem mais são as casas do que o que parecem... *       Maria João Brito de Sousa – 09.11.2018 – 10.48h      

REGISTO PONTUAL DE UM FUTURO NÃO TÃO IMPROVÁVEL QUANTO POSSA PARECER

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  REGISTO PONTUAL DE UM FUTURO NÃO TÃO IMPROVÁVEL QUANTO POSSA PARECER *     Lembrar-te-ás do tempo em que os humanos, pensando por si mesmos, concebiam esboços de coisas qu`inda nem sabiam que haveriam de vir, passados anos? *     Lembrar-te-ás dos seus convictos planos, da prática do amor, quando o sentiam, das complicadas vestes que os cobriam, dos danos que causaram? Quantos danos... *     Bem sei que pode ser que não te interesse, mas terão sido os nossos ancestrais, segundo se acredita. Reconhece *     Que ficaste a saber um pouco mais sobre a espécie já extinta, ao que parece, que, em tempos, foi matriz dos nossos pais. *         Maria João Brito de Sousa – 08.11.2018 – 11.42h     Fotografia de António Pedro Brito de Sousa      

PROCURO UM VERSO

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  PROCURO UM VERSO *     “Procuro por um verso em qualquer canto”, estranhando o verso não me vir chamar, que as mais das vezes basta-me acordar pra que um verso me acenda em puro espanto. *     Hoje impõe-se a procura e, no entanto, faz-se o verso difícil de encontrar, talvez apenas pra me provocar, talvez pra me deixar banhada em pranto... *     Se não te encontro, por ti esperarei, verso volúvel que te fazes caro, mas não sabes metade do que eu sei, *     Nem podes suspeitar deste meu faro pr`achar, em quantos versos nem busquei, um soneto completo, exacto e claro. * Maria João Brito de Sousa – 07.11.2018 – 11.28h * Soneto escrito a partir do verso inicial de um soneto homónimo, da autoria de MEA (Maria da Encarnação Alexandre)