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A mostrar mensagens de outubro, 2014

SÓ PARA NÃO DEIXAR QUE AS RIMAS GANHEM PÓ...

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(Soneto em decassílabo heróico)     Se assim escrevo, será por não saber Viver de outra maneira e ser quem sou Ou dar de forma estranha à que me dou E ser de alheia forma ao que sei ser     E se isto, amigos meus, não for escrever, Não saberá escrever quem me ensinou, Nem saberei dizer quem me enganou Quando tanto deixou por aprender,     Mas se triste me sinto ou triste estou, Já vos não sei dizer quem me afastou Desta força de, sendo, me dizer,     Nem se, acaso, houve alguém que se lembrou De lembrar-me de quanto me negou E, depois, se esqueceu de me esquecer.         MariaJoão Brito de Sousa – 22.10.2014 – 16.44h

NOUTRO DIA QUALQUER II

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    (Soneto em decassílabo heróico)   Noutro dia qualquer talvez vos diga Das razões de um poema aprisionado Na trincheira do sonho em que se abriga Quando se sente vão, velho e cansado...   Mistérios do poema. Quem lhes liga? Quem pode convencê-lo a ser cantado Se em silêncio se escapa da cantiga E teima em se manter distanciado?   Mas, duma fresta aberta em musa antiga, Sempre posso espreitá-lo e, com cuidado, Confessar-lhe esta inércia a que me obriga,   Mostrar-lhe que escolheu caminho errado (neste vislumbre, aquilo que me intriga, é vê-lo, embora vivo, assim, calado...)     Maria João Brito de Sousa – 03.10.2014 – 21.21h     Imagem - Azenhas, Amadeo de Sousa Cardoso