TRÊS SONETOS DO DIA II
FUTURO/FUTUROS... Se o futuro se quer entre mentiras, Oculto em clandestinos ideais, Eu prefiro sonhar, como outros mais. Futuro, este sonhar tu não me tiras! E se, acaso, Futuro, me surgiras Carrasco de quem sonha entre os demais, Se até estes meus sonhos virtuais, Tu quisesses calar e me puniras, Eu calaria, então, a minha voz Nas mãos certeiras de um futuro algoz Que nega a liberdade de expressão, Mas, antes de calar-me, eu deixaria Alguém que a ti, depois, te julgaria Num futuro qualquer, mais nobre e são! É PARA AMANHÃ... Eu hei-de ir amanhã! Amanhã vou Ao médico, ao mercado, a cada espaço Onde possa levar-me este cansaço Que me não deixa ir onde não estou... Eu hei-de ir amanhã! Não fui, nem sou, Mulher de desdizer-se. Eu digo e faço! Hoje é que já não dou nem mais um passo E este amanhã de ontem já passou... Este meu "amanhã" [sempre inseguro...], Um dia há-de ser "hoje" e, de futuro, Eu hei-de, certamente, ter descanso....