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DIÁLOGOS ENTRE MÃE E FILHO ou O MENINO DA CIDADE DE VISITA AO CAMPO

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  (Soneto em verso hendecassilábico) -Dos lírios do campo que viste há bocado, Nenhum foi plantado. Repara que além, Já do outro lado, verdinho e doirado, Aos olhos, um prado florido nos vem... -São giestas bravas! Quero ir ver o prado! Vem vê-lo comigo! Vamos vê-lo, mãe! -Vamos! Não te esqueças, tens de ter cuidado, Não estragues as flores, que cheiram tão bem! -Ainda por cima, vê-se ao longe o gado! Ver coisas tão novas deixou-me encantado... Prometo cuidado e vou vê-lo também! -Vai, filho, vai vê-lo, não fiques parado! Eu fico sentada neste descampado Que a todos pertence e não é de ninguém... Maria João Brito de Sousa – 10.09.2017 – 16.05h   Imagem retirada da net, via Google  

DIALOGANDO COM FLORBELA ESPANCA

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  A MINHA DOR *   A minha Dor é um convento ideal, Cheio de claustros, sombras, arcarias, Aonde a pedra em convulsões sombrias Tem linhas dum requinte escultural. *   Os sinos têm dobres de agonias Ao gemer, comovidos, o seu mal... E todos têm sons de funeral Ao bater horas no correr dos dias... *   A minha Dor é um convento. Há lírios Dum roxo macerado de martírios, Tão belos como nunca os viu alguém! *   Nesse triste convento aonde eu moro, Noites e dias rezo e grito e choro, E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém... *   Florbela Espanca   In "Livro de Mágoas"   ----------------------------------------------------------------------       MINHA DOR, MINHA MUSA   *   A minha Dor, se às vezes me domina, As mais das vezes bate em retirada; Diante de um poema, vale um nada Do que me vale o verso que a fascina! *   Minh`alma - minha carne e minha sina - Quando por tanta dor desencantada, Consuma-se em soneto e, consumada, Torna-se a dor, menor, mais pequenina *   E se, em verdad...

DIALOGANDO COM JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

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SONETO PRESENTE                                                                                                              Não me digam mais nada senão morro aqui neste lugar dentro de mim a terra de onde venho é onde moro o lugar de que sou é estar aqui. * Não me digam mais nada senão falo e eu não posso dizer eu estou de pé. De pé como um poeta ou um cavalo de pé como quem deve estar quem é. * Aqui ninguém me diz quando me vendo a não ser os que eu amo os que eu entendo os que podem ser tanto como eu. * Aqui ninguém me põe a pata em cima porque é de baixo que me vem acima a força do lugar que fôr o meu * José Carlos Ary dos Santos, in "Resumo" ***    SONETO DE "ANTES QUEBRAR QUE TORCER" *  E que po...

DIALOGANDO COM DAVID MOURÃO FERREIRA

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Imagem Pinterest *   E POR VEZES * E por vezes as noites duram meses  E por vezes os meses oceanos  E por vezes os braços que apertamos  nunca mais são os mesmos. E por vezes                                                     encontramos de nós em poucos meses                                                      o que a noite nos fez em muitos anos                                                      E por vezes fingimos que lembramos                                        ...