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SONETO A UMA QUALQUER LONGA VIAGEM

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  (Em verso eneassilábico)   Tenho mãos, tenho pés, tenho braços Que ergo rumo às fronteiras da vida, Caminhando e negando os cansaços Desta estrada de terra batida.   Passa o tempo e devolve-me aos traços As memórias da estrada vencida Na cadência sonora dos passos Pelos becos que o são sem saída.   Tanto beco e ruela já vi, Tanta estrada galguei, sem parar, Que, hoje, posso afirmar ser aqui,   Sobre os longes que andei, que corri, Que os meus passos me irão conquistar Na batalha de  ser quem escolhi.       Maria João Brito de Sousa – 09.05.2013– 17.22h   NOTA - Soneto reformulado a 01.09.2015

VELHOS DOCUMENTOS

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VELHOS DOCUMENTOS (A um postal da Andrée Crabbé Rocha) * Pr`além das minhas horas de mortal, Na esquina fronteiriça e clandestina Do que vos pode parecer normal, Encontro quem, sorrindo, se aproxima, * Quem, ao chamar por mim, me não quer mal Mas, nunca o entendendo, então assina Um velho documento ou um postal Que me transporta aos tempos de menina * Então desato as minhas negras tranças E, deslumbrada, deixo-me levar Por todas as palavras ali escritas * Poeta de cantar canções tão mansas Como o são as cantigas de embalar Ora inaudíveis, ora já prescritas *   Maria João Brito de Sousa - 01.10.2010 *   "C`est surtout sur les choses que l`on ne peut ni voir ni toucher qu`il est important de se tenir en garde contre les écarts de l`imagination"   CONFUCIUS

UMA VIAGEM INESQUECÍVEL

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Saiu da agência de viagens arrumando, na malinha a tiracolo, a papelada que escrevera nos intervalos dos telefonemas dos muitos turistas que pediam o apoio da sua “hostess” depois do check-in no hotel. Eram quatro e meia de uma tarde de Verão e as palavras do chefe do Foreign Department soavam-lhe, ainda, aos ouvidos: - Maria João, gostaríamos de tê-la no nosso próximo Grupo da Getaway Adventures, desde Espanha, acompanhando o grupo desde lá. Não respondera logo. Esboçara um sorrisinho “polite” e murmurara meia dúzia de palavras que não queriam dizer coisa nenhuma. Aquele momento seria supostamente especial. Era-o. Não da forma que seria para as suas colegas que viviam e trabalhavam de olhos postos na primeira viagem. Na inesquecível primeira viagem. Para ela era muito diferente. A palavra fazia-lhe despontar raízes por dentro e por fora. Não era medo. Não era falta de ambição. Era uma ausência de medos e um desvio real das ambições… as dela ficavam-se mai...

FOI ASSIM...

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Cansada das viagens de além-mim Em busca de ideais que eu mesma impus, No rasto dessa estrada que conduz Ao princípio ideal de cada fim,   Que encontrei esta flor nesse jardim. Onde, lá mais ao fundo, há uma luz. É quando a alma inteira se seduz Que sabemos dizer que é mesmo assim.   Se voa a alma em direcção ao nada, Descobre  que tudo isto era uma estrada. (depois... não sei dizer, porque acordei...)   A estrada onde ela foi arquitectada... Retomo a minha busca inalcançada E sei que foi assim que me encontrei.     imagem retirada da internet  

O PASSAR DAS CARAVANAS

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Surgiu-me esta leviana compulsão De tudo perdoar...até a mim! A mim, que tanto errei por ser assim Tão escrava das algemas da razão...   E foi crescendo em mim esse perdão, Como a flor vai crescendo no jardim... Foi esse tal perdão, que não tem fim, Quem engendrou a minha decisão:   Tranquei-me entre paredes de cristal, De aonde nunca saio e tudo vejo Sem nunca saber "como" ou sonhar "quando"...   Fiquei a "viajar" nesse local Onde sonho, construo e me protejo, Enquanto as caravanas vão passando...     Ao Vitor porque "nasceu" de uma frase que ele, ontem, utilizou num comentário deste blog.   Imagem retirada da internet

..FECHO A PORTA, ABRO A JANELA...

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A porta já fechou. Uma janela Há-de abrir-se depois, de par em par, Para quem não passou poder passar À nova dimensão que se revela...   Mas quando a porta fecha, o corpo embate E fica então dorido e mal tratado, Que depois, à janela, debruçado, Repara que a fuga era um disparate...   Sempre que a porta se abre, eu mesma a fecho. Debruço-me à janela, apoio o queixo Nas mãos e vou sorrindo para o céu.   A porta que se fecha é um convite A viajar por dentro. E há quem hesite Em conhecer, a fundo, o que é tão seu!     Ao João Chamiço     Imagem retirada da internet