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A mostrar mensagens de outubro, 2009

DUNAS

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  DUNAS *   Nesses jardins de sílica batida - monólogos de prata à luz da lua... –, Choras uma saudade muito tua   Nos rastos que te deixa uma partida. *   Ante-câmara de alma já esquecida,   Escorrendo pelas dunas de alma nua,   A praia, marinheiro, é dura e crua,   Mas no mar que enfrentaste há sempre vida! *     Choraste sobre o chão de um mar que inventas   Pois foi na areia-mãe que tu, chorando,   Encontraste o teu rumo, ó marinheiro *     Sem vela, ó remador das braças lentas;   Quem te dará, do mar, quanto vais dando,   Sem que a maré te cubra, a ti, primeiro? *     Maria João Brito de Sousa - 30.10.2009 - 15.41h      Imagem retirada da internet       Não, não é este o soneto da Fabrica de Histórias... o soneto para esta semana foi reeditado e data de Fevereiro de 2008. Gostaria de vos convidar, a todos, para uma palestra sobre SONETO FORMALMENTE CLÁSSICO que irei dar às 14.30h do dia 13 de Novembro no Salão Nobre do  Edifício da Cruz Vermelha da Parede. Seria uma agradabilíssim...

PLANTANDO LUAS...

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http://www.pibvp.org.br/arquivos/imagens/artigos/img_50.jpg ">   Trago luas nos bolsos, nas bainhas, Nas fímbrias mais recônditas do ser E outras mil que ainda irão nascer Pr`a compensar mil outras penas minhas.   Hão-de brotar as luas, quais grainhas, Por toda e qualquer parte onde eu estiver! De cada lua-nova que crescer Nascerão luas-cheias, redondinhas...   Hoje eu amo o luar como quem ama O Mar, a Terra, a Vida e todo o Céu, Além, muito pr`além do que é visível!   Hoje um quarto-crescente acende a chama Que a lua, ainda nova, em si escondeu Enquanto a escuridão lhe foi possível...   NOTA - Soneto inspirado no poema "Uma Lua em Cada Mão" de Lisdália Viegas dos Santos, in http ://ospoetasdaapp.blogs.sapo.pt/72931.html   Imagem retirada da internet  

NINGUÉM...

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       Nem eu sei, nem tu sabes, nem ninguém Conhece, de si mesmo, o tal sentido Que faz valer a pena ter vivido Quando o que aqui se faz, se faz tão bem.   Trabalha-se, constrói-se e vai-se além Daquilo que foi feito e concebido Porque nenhum de nós terá esquecido A força que, cá dentro, a vida tem.   Construir, ser feliz, ter liberdade De sonhar como sonha a Criação De tudo o que existiu e há-de existir;   É essa a verdadeira felicidade Que move cada ser em gestação E o único objectivo a perseguir.    "L`Art cèst un combat; dans l`art il faut y mettre sa peau..." Millet citado por Vincent Van Gogh.    

QUEM TRAMOU O SUJEITO POÉTICO?

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Quem foi que ousou tramar o tal sujeito Poético e patético, o tal que actua E que jamais se rende ou compactua Com actos que o não tornem mais perfeito?   Quem foi que ousou roubar-lhe esse direito De ser etéreo e branco como a lua, De ter raiz e caule em cada rua Onde se desconstrua o que foi feito?   Quem foi que o despojou da glória eterna, Quem foi que o dissecou de corpo e alma Até chegar ao âmago de si?   Procuro - e ergo bem alto esta lanterna - Com toda a lucidez, com toda a calma Essoutro usurpador que eu nunca vi…   Imagem retirada da internet

MARIA SEM CAMISA

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NA DEADLINE PARA http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/   Não, não sou exactamente eu, conforme a imagem sugere. É mais ou menos o meu Ego sem censura, o que por aí anda à rédea solta e que acaba, sempre, por se manifestar no momento das grandes decisões. Por isso é, como eu e como todos vós, uma personagem. Pormenores? Aqui vão!         Maria Sem Camisa, a sem-dinheiro,,   Passando pela vida ao Deus-dará   Tem fama de ser louca e de ser má   Mas, no fundo, é poeta a tempo inteiro...       Maria vai plantando o seu canteiro   De sementes de si e o que não há   Inventa-o a Maria e tanto dá   Ter pouco se tão rico se é primeiro...       Maria-Sem-Camisa planta ideias   E disso vai colhendo o seu sustento   Sem cuidar da chegada ou da partida...       Os frutos que ela colhe são candeias,   São estrelas a luzir no firmamento   Da órbita em que traça a sua vida...                 A SEM CAMISA II   Maria-Sem-Camisa, a sabe-tudo, Aprendeu a falar c`os animais E não desdenha nunca saber mai...

A JUSTIFICAÇÃO DA LUZ

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  Procuro a Luz e tudo o que encontrar Ao longo desses passos que já dei Será sempre essa luz que procurei Pela simples razão de a procurar…   Quando a luz é razão p`ra caminhar, Enquanto caminhar acenderei A mesma luz que em mim antecipei No preciso momento de a sonhar.   A luz é como estrada em construção, É um nunca-acabar de passos dados, É um nunca-encontrar que frutifica   Na nossa persistência. A condição? Procurar, no futuro, os mil passados Desse orbe intemporal que a justifica.   Imagem retirada da internet     Um apelo em http://mumbles.blogs.sapo.pt/ :)

AO LONGO DE MIM...

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      Nesse “ao longo de mim” que te ofereci No breve-imenso instante em que fui tua, Eu, mulher de ninguém, irmã da lua, Despojei-me de mim p`ra estar em ti.   Foi ao longo de mim que recebi O que de ti nasceu em mim que, nua, Calava a solidão absurda e crua Das horas de cantar que então perdi.   Tu, que ao longo de mim nunca encontraste Aquilo que “era” em mim pr`além de mim E que assim te perdeste do meu eu,   Vê que, ao longo de mim, também mudaste E se não me encontraste até ao fim Foi decerto por quereres um fim só teu…    Imagem - "Les Racines du 20éme Siécle"                         Maria joão Brito de Sousa  

DESMENTIR A DERROTA

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      Hei-de cantar até que a voz me morra E, se a voz forem mãos, até que abertas Se me afoguem num mar de descobertas Sem que alguém me descubra e me socorra.   Hei-de cantar tão alto e tantas vezes, Tanta paixão porei neste meu canto Que hei-de encontrar quem ria ou fique em pranto De ouvir cantar, sorrindo, os meus revezes.   Depois, quando esta voz se me calar, Quando chegar o tempo da partida, Quando não mais se ouvir uma só nota,   Ficarão as palavras que eu cantar Nessa continuação da minha vida Que teima em desmentir essa derrota     Maria João Brito de Sousa - 20.01.2009  

TRÊS SONETOS DA SALA DE ESPERA DO HEM

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  A CONSULTA HOSPITALAR I   É neste espaço amorfo em que, sentada, Aguardo uma consulta que me espera Que a doença piora... quem me dera Não ter doença alguma, não ter nada!   Aqui fico pior! Muito pior Do que o mal que já estava antes de vir Porque nada me impede de sentir, Cada vez mais intensa a minha dor!   A esmola que pedi - porque eu pedi Dinheiro pr`a me fazer transportar - Faz-me peso demais, torna-me inútil...   Quem me dera poder não estar aqui! Tão só pudesse eu, já, daqui voar, Ir fazer qualquer coisa menos fútil!   II   Nesta infinita espera, quantas horas Se passam num crescendo de impaciência... Afinal eu sei bem que nem a ciência Pode justificar-me estas demoras...   Para quê tanto vai-vem se não há cura Para um cansaço tão insidioso? Se o mal que aqui me traz é tão p`rigoso E a vida que me espera pouco dura...   Nesta infinita espera em que adoeço Um pouco mais e mais cada segundo, Em que gasto os tostões que nunca tenho,   É segundo a segundo que eu me meço No quase ...

UMA RUA QUE O NÃO É...

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Eu moro numa rua que o não é... Era uma vez... e a história vai crescendo Nessa rua que o era nunca o sendo E onde só pode entrar quem for a pé...   Cheira à terra onde crescem as palmeiras, Onde as flores pequeninas, quase a medo, Vêm contar-me, à noite, o seu segredo Sobre as plantas maiores, mais altaneiras.   No passeio empedrado, uma formiga  Acrescenta ao encanto dessa rua A sua persistência inabalável.   Num breve olhar não há ninguém que diga Que há, por lá, quem ostente, de alma nua, Aquilo que em si há de inevitável...     Escrito, agorinha mesmo, para   http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/    :)     NOTA - Fiz uma pequena alteração nos dois últimos versos da segunda estrofe, no sentido de manter o decassílabo heróico.  

MEMÓRIA DESCRITIVA II

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  Aquele aspecto estranho e desconforme, Aquele face magra e enrugada, Aquele rictus de quem vive enjoada Da vida que parece sempre enorme…   Aquelas mãos de dedos calejados, Retorcidos do muito que fizeram, Os olhos afundados que lhe deram Os dias e as noites descuidados.   Aquele estar ali e nunca estar Aonde o corpo fica a descansar, Porque a mente descansa noutro espaço,   Aquela imprecisão de só sonhar, Aquela estranha forma de falar, De ser a própria voz do seu cansaço.   Imagem - Tela de Henry Matisse retirada da internet

URBANOS

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      Que imensos, improváveis oceanos De monstros engolindo os inocentes Entre hediondas fauces já sem dentes Dos edifícios-berço dos humanos…   As cidades dos bairros mais urbanos Onde a vida concentra os mais prudentes Castelos verticais e ascendentes Crescendo mais e mais todos os anos,   São, no entanto, espaços sociais Que abrigam, que nos chamam, nos aquecem, Que não iremos nunca dispensar.   Gregários, como tantos animais, Somos aqueles que os erguem e que os tecem… Os próprios construtores do nosso lar.     NOTA - Este soneto - um dos que me nasceram durante o passado fim de semana - veio , no verso final, mesmo a propósito de uma campanha que é mais do que meritória:   LIMPAR PORTUGAL   Registe-se em: www.limparportugal.ning.com   Página oficial: www.limparportugal.org   Visite LimparPortugal em: http://limparportugal.ning.com   -- Para controlar os e-mails que deseja receber emLimparPortugal, vá para: http://limparportugal.ning.com/profiles/p rofile/emailSettings   Imagem re...

ESTE OUTONO...

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    Prolonga-se, este Outono, em primaveras Que vão sorrindo, embora envergonhadas, E se estendem no Tempo como estradas Que levam ao País das Mil Quimeras...   Quão estranho e saboroso este adiar Das horas mais geladas, mais agrestes! Um tempo que me of`reça um tempo destes, Decerto me quer bem, me sabe amar...   Assim, tonta, embebida destes dias Que um Acaso me quis oferecer, Revivo, a cada instante, eternidades;   Nas plantas que sussurram melodias, Todo este tempo exulta sem saber Que algum tempo depois terá saudades...     Maria João Brito de Sousa - 13.10.2009          Imagem retirada da internet   SUGESTÃO - Não esqueçam; esta noite, depois do telejornal da RTP, no programa "30 minutos", a reportagem sobre a estadia em Cuba da pequena Ana Carolina Lucas.

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA :)

      AUTO-ESTIMA *   Auto-estimo-me muito e não prometo Se não o que sei bem poder cumprir Porque aquilo que eu quero é prevenir   A detecção dos erros que cometo *   Há normas a que nunca me submeto   Daí esta intenção de prosseguir,   Seguir a minha linha e não mentir   Nem estagnar num registo, se obsoleto… *   Propalo os ideais em que acredito,   Uso o tempo de antena com justiça,   Defendo o meu projecto em cada esquina, *   Proponho muito mais que o está escrito   E, se confundi “fome” com “preguiça”,   Jamais o fiz por falta de auto-estima *   Maria João Brito de Sousa - Outubro, 2009 ***   POETAS  * Nós somos mais ou menos imprudentes, Loucos e criadores por vocação E mantemos acesa a sedução Dos sonhos improváveis e latentes *   Somos, por vezes, tão inconsistentes, Tão etéreos na nossa aspiração, Que morremos de fome, tendo pão, Por causas, lá no fundo, incoerentes *   Humanos criativos que acreditam Numa missão qualquer que foi entregue À nossa humana chama de poetas, *   N...

ESTE ESPAÇO ONDE TRABALHO...

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Não. Não é o espaço que a fotografia deixa vislumbrar... ali nascem muitos dos meus poemas, mas só aqui, neste outro espaço, eles são preparados para navegar na blogosfera, para chegarem até à Fábrica, até vós... Este outro espaço é rectangular, claro e m uito mais espaçoso... À minha frente há um computador, é evidente, ou não estaria assim, tão "em directo" convosco. Um computador e uma longa mesa dividida que se prolonga em direcção à minha esquerda até perfazer mais dois nichos de trabalho, cada um com o seu equipamento informático. Imediatamente a seguir vem um biombo verde garrafa onde foram colados alguns cartazes. O último deles é do Glue, dos Da Weasel. Leio com atenção o que está escrito sob a sua imagem: A VIOLÊNCIA É UM CICLO.                      TU PODES QUEBRÁ-LO. sigo além da mensagem e o meu olhar encontra um estante cor-de-laranja onde está a nascer uma nova biblioteca. Sorrio-lhe com todo o carinho que dedico às coisas novas e bem-vindas e continuo a passea...

O EGO DESTRONADO

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      Não fora esta tensão, esta impaciência, Este ego destronado a flutuar Sobre as águas salgadas de algum  mar, Não fora a tentação duma insurgência…   Não fora esta estranhíssima apetência De nunca mais parar, de nem mostrar Esta saudade em mim, quase a chorar, Nas fronteiras da humana permanência,   Não fora este ego louco, imprevisível, Que me transporta a alma até ao fim Nos caminhos da terra, ou mais além…   Ah! Pudera eu ser menos (im)possível! Pudera a chama viva, acesa em mim, Ao apargar-se enfim, ser Eu também!     Maria João Brito de Sousa - 08.10.2009 - 14.58h      Imagem retirada da internet      

DE OLHOS NOS OLHOS

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          De olhos nos olhos, peço pr`a falar E, embora sem voz, digo-vos mais; Falo por mim, por quantos animais Vós preferistes nem sequer lembrar   E pedindo a palavra que não tenho (só tenho o gesto amigo do perdão…) Inicio esta minha prelecção Com os olhos em vós, pois por vós venho…   Sabeis que sou o bicho abandonado, O esfomeado, o pária, o que não chora, O tal que nunca sabe onde dormir,   Que vos pede a palavra e, já cansado, Deixa-vos a palavra e vai-se embora, Pr`a .dar lugar ao bicho que há-de vir.     Maria João Brito de Sousa - 07.10.2010 - 12.25h       No próximo dia 13, na RTP, a seguir ao telejornal não percam a reportagem sobre os tratamentos que a Ana Carolina tem estado a fazer em Cuba.