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A mostrar mensagens de agosto, 2008

A HERANÇA

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Das coisas que eu herdei - quantos tesouros!- Vou nutrindo um carinho especial Pelo meu "não-especismo" natural Que me faz irmanar homens e touros.   Se encontro um animal que tenha fome (que me importa se humano ou não humano!) Of`reço-lhe o meu pão. Sanado o dano, Cresce-me o coração, torna-se enorme   E tanto é o prazer, tal alegria Me invade corpo e alma e me alumia Quando reparto assim, por puro amor,   Que tudo o mais parece pequenino; Amar e partilhar, eis o destino De quem dos seus herdou esse valor.     Maria João Brito de Sousa - 2008     Imagem - "Monocromia Azul - Trilogia da Oferenda"                  Ao Manuel Ribeiro de Pavia                   (uma das telas do tríptico)

A COLHEITA III

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      Eu faço da palavra a minha enxada; O verbo ocasional é sempre o pão, E vinho, outras palavras que darão Os ecos desse tudo e desse nada...   Há palavras que colho da latada, Logo ao nascer do Sol, de Inverno a V`rão, Sem horário, nem método ou razão, Mas que me deixam sempre alimentada.   Incessante colheita, esta em que vivo De palavras que (es)colho e mal cultivo Neste eterno vai-vem de horas sem fim   Colhendo sempre mais, insaciável, Porque a minha colheita inexplicável Requer tudo o que houver dentro de mim...   Maria João Brito de Sousa - 30.08.2008 - 11.49h     Imagem retirada da internet "Corvos Voando Sobre um Campo de Trigo" Vincent Van Gogh  

POEMA COM NOME NO FIM

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Na memória dos sentidos Rasgo a tela por nascer. Depois sou cor e sou traço De imagem por desenhar...   Sou a cinza do cigarro Que acendo sem consumir E o que está por consumar.   Assumo, no meu abraço, Tudo o que der e vier E estiver por inventar Nos tempos que estão por vir.                                       CRIO!     In - "Arquétipos de Uma Mulher Interrompida"   Imagem - Pormenor da tela "Escorço - Grande                 Pintora a Lápis de Cor"                 Maria João Brito de Sousa, 2007

(DES)SINCRONIZAÇÃO

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Peço-te mil perdões por ter-te amado, Porque te amei demais... Eu, a Poeta, Pintei-te de outra cor, quis-te paleta, Quis-te só para mim, quis-te encantado...   Amar-te tanto assim foi sempre errado. Tornei-te meio-ser, alma incompleta, Tentando ir caminhando em linha recta Num círculo perfeito e pré- traçado...   Amei-te em cada gota do meu sangue, Amei-te até morrer, caindo exangue; Amei-te além de mim. Tão mais além...   Gravei na dimensão dos meus sentidos Um ideal de humanos desmentidos Que nos foi condenando. A nós, também...   Maria João Brito de Sousa - 2008       Imagem retirada da internet

O NASCIMENTO DE EVA

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  A MULHER INTERROMPIDA II   Subitamente carne, eu aterrei Neste planeta incerto, e quis viver! Neste acto (in)voluntário de nascer Trouxe comigo o mar que, um dia, herdei.   Subitamente vida, eu comecei A pesquisar o mundo, a qu´rer saber... Vivi-me por inteiro até morrer E, sem saber porquê, depois voltei.   Sem sair deste espaço, o que eu andei! As mil e uma voltas que não dei, As mil e uma coisas que não vi!   Há quantos mil milénios eu me sei Nas vezes que morri, nas que acordei Sobre o estranho planeta em que nasci...     Maria João Brito de Sousa - 27.08.2008 - 13.03h   Imagem retirada do site www.sabercultural.com   NOTA DE RODAPÉ - Este soneto classifica-se entre os "poemas de                                    rima pobre", pois todos os versos terminam                                       em palavras da mesma categoria gramatical.                                    Neste caso específico são Pretéritos Perfeitos                                    de verbos. Em poesi...

AUTO-PRESERVAÇÃO

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  Meu estranho, independente, ousado Ego, Os mundos que me impões são sem fronteiras! Incitas-me, nas horas derradeiras, A viagens sem fim que nunca nego!   Meu Ego em mil constantes mutações, Mantendo, em mim, perfeita unicidade, A rir das rédeas presas da vontade, Alheio às mais prementes tentações...   Cósmico Ego, disperso em coisas tantas, Que todo-poderoso me comandas Ignorando esta humana imposição!   Meu Ego (esse indif`rente ao que eu consigo...), Nem sei se complemento ou inimigo Da minha natural preservação...   Imagem - "Os Guardadores de Luas"                  Óleo sobre Tela, 100x60cm                  Maria João Brito de Sousa, 2006  

AZUL MARINHO

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  Não me quero da cor que em mim pintais! Só me quero da cor que o mar me pinta Numa paleta mágica de tinta Nestas horas azuis e matinais!   Não me vejo na cor com que me olhais! Só me vejo na cor em que me sinta Nos cambiantes de azul que o mar consinta Em "dégradés" perfeitos, casuais...   Na paleta do mar é que me espelho (e nela me revejo e me aconselho...) Nos cinzentos-azuis de um sol nascente...   O mar é quem me pinta e nele me encontro E renasço da cor desse confronto Entre esse azul marinho e toda a gente!   Escrito no comboio, hoje, às 7.00h   Imagem retirada da internet

LER NAS ENTRELINHAS...

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      Talvez não fosses tu... ou foste mesmo? Talvez não fosses tu quem me traiu... Talvez fosse outro alguém quem me mentiu, Quem sobre mim espalhou calúnia a esmo...   Talvez não fosses tu... talvez (quem sabe?), Tu estejas, afinal, disso inocente... Talvez fosse outro alguém (ou toda a gente?)... O que me importa a mim? Quem foi, que o pague!   Se foi pura maldade e maldicência, Eu nunca tive tempo nem paciência Para lidar com coisas tão mesquinhas!   Se foi intencional (de causa-efeito), Pior p`ra quem o fez! Não tenho jeito Para me pôr a ler nas entrelinhas!     Soneto dedicado ao Poeta António Aleixo   Imagem retirada da internet

UM POETA QUE (SE) PARTIU...

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  Era um estranho torpor feito de nada Que lhe invadia o ser ao sol-poente E ali ficava, amorfo, alheio, ausente, Da alma quase doente, de alquebrada...   Depois nascia a Lua. À hora errada Brotava-lhe a palavra, o verbo urgente E punha-se a plantar (verso ou semente?) No suporte irreal da madrugada...   Vestia uma "casaca de cometas" E percorria a casa, qual fantasma, C`o olhar apontado ao infinito...   No seu mundo de ideias inconcretas, Ele era omnipotente. Ó mundo, pasma! Partiu-se (e não partiu!), esse proscrito...   Ao Poeta António de Sousa Imagem - Fotografia do Poeta aos 16 anos.  

MUNDO, PEQUENO MUNDO... (I e II)

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I   ... e que me importa a mim perder-me em vida Se à morte irei legar meu estranho encanto? Já nada mais me importa e, no entanto, Vou adiando a hora da partida...   ... e que me importa a mim morrer agora Se, depois, tanto fez muito viver? Pouco ou nada me importa! Eu quero é SER Enquanto não chegar a minha hora...   Patéticos, alguns, `inda acreditam Que tempo é quantidade e não hesitam Em procurar na carne o imortal...   Não sabem que de nós só fica o traço Porque o mundo é pequeno e não tem espaço Para, de nós, guardar quanto é real...   II   Ó mundo, o que te impede de chorar? Que estranha submissão te cala o pranto E te condena, assim, ao desencanto Desse grito que tentas silenciar?   Ó mundo, se amanhã eu acordar E não estiver quebrado o mudo encanto, Hei-de gritar por ti! Gritarei tanto Que medo algum me há-de fazer calar!   Ó meu pequeno mundo maltratado No silêncio a que foste condenado Por alguma razão que desconheço!   Ó meu pequeno mundo estrangulado, O teu imenso grito s...

O PALCO INSTÁVEL (soneto surrealista qb)

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No Palácio das Vozes Dissidentes Entoam-se cantigas. Batem palmas Os fantasmas de outrora, cujas almas Esvoaçam em sentidos bem dif`rentes   E das crispadas mãos, em alvoroço, Soltam-se sons distintos e primários Enquanto sob o fumo de  incensários, Em torno do Palácio se abre um fosso...   Neste palco se trava a velha guerra Entre o Bem e o Mal sobre esta Terra, Num ritual constante, interminável;   No espaço se confrontam Vida e Morte, Se escolhe ou redefine a nossa sorte... (o  palco é bem real, embora instável...)   Imagem retirada da Internet

CADÊNCIA PENDULAR

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  Um poente debrua a ferro e fogo A linha horizontal do fim do mar E retoma um percurso milenar Pois pára de o bordar e volta logo.   A sua condição, que não revogo, Impõe-me uma cadência pendular; Deste lado, onde o Sol vem pernoitar, Preguiça o mar imenso em que me afogo,   Do outro, aonde o Sol vai renascer, Surge uma luz difusa, num crescendo, Ressuscitam palavras entre os vivos   E recomeça a vida em cada ser... Quanto a mim, que só disso vou vivendo, Coube-me descrevê-lo, entre adjectivos...     Fotografia tirada por mim a uma flor de bananeira

A POBREZA

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Sim, sofro como sofrem os magoados, Mas nunca como sofre o desistente! Se sofro, é duma dor que, embora urgente, É deste mundo e não me dá cuidados...   Sofro da fome que é dos deserdados Daquilo que faz falta ao ser vivente, Daquilo que pensei ser-me indif`rente Porque não vem nos versos nem nos quadros,   Daquilo que não posso dispensar Por força do meu espírito estar preso À carne que me rende e que eu desprezo...   E esta ambivalência a condenar Urgências da minh`alma, como um peso A esmagar no meu corpo o fogo aceso!     Maria João Brito de Sousa - 19.08.2008     Imagem - "O Guardador de Almas"                  Pastel Sépia s/ Canson                  Maria João Brito de sousa, 1999

PARADOXO

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Um poema a erguer-se como um muro Diante do meu corpo aprisionado, Que me fala do mundo e do pecado E depois, como escopro abrindo um furo   Na muralha que ergueu, rasga o futuro Que num deslumbramento iluminado Me arrasta a alma inteira e, descuidado, Me deixa esta ilusão de anseio puro...   Tão paradoxalmente fascinada Me deixa este poema sedutor, Que não quero negá-lo sem saber   Que secreta magia assim gerada Poderá, de uma vez, trazer-me dor E dar, logo a seguir, tanto prazer...     Maria João Brito de Sousa - 18.08.2008 - 12.53h     Imagem - "O Último Anjo de Maria"                  Acrílico e Pastel de Óleo s/ prancha                  100x70cm                  Maria João Brito de Sousa, 1999  

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

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* Eu já morei nos longes de outros tempos, Já enfrentei dragões, sendo moinhos, E vi, com meus dois olhos, os caminhos Que levam das mil glórias aos tormentos. * Morei em esconsas celas de conventos, Conheci mil palácios, provei vinhos, Travei batalhas, lavrei pergaminhos Sem me render ao medo, aos desalentos. *.. Ergui, da areia, as pedras de Gizé, Morri mil mortes, matei outras tantas... De tudo o que eu criei, perduram sonhos; * A humana condição é como a fé Na estranha lucidez que nos comanda... Surdos, mudos e cegos... mas risonhos! * Maria João Brito de Sousa - 15.08.2008 - 19.18h   Imagem - "Ensaio Sobre a Cegueira" , 103x73cm                  Técnica mista                   Maria João Brito de Sousa , 1999

HÁ MAR E MAR...

  Tão poucas! Quão pouquíssimas verdades São, afinal, cumpridas neste mundo! Mergulho no meu mar, alcanço o fundo... Eu quero lá saber de falsidades!   Mas sendo humana, enfim, preciso de ar... Emirjo do meu mar, venho ao de cima E nesse hausto profundo que me anima, Abro os olhos e alcanço vislumbrar   A estranha arquitectura de outro império E ao ver, ao longe, erguer-se um mundo "a sério", Desponta em mim alguma indecisão;   Vou para terra e sou como os demais, Ou mergulho nas águas virtuais E enfrento a minha própria imensidão?   Maria João Brito de Sousa - 14.08.2008 - 14.50 h     Imagem retirada da Internet  

O CAPITAL

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  O CAPITAL *  Poemas que vos dizem quanto sei, Poemas que vos falam do que penso E outros descrevendo o contra-senso Desta temeridade em que me dei, *  Descritivo fiscal de quanto herdei, Livre de selo, imposto, emolumentos, Ou talento, que paga em sofrimentos As taxas exigíveis pela lei; *   Todo este capital vos legarei E enquanto vo-lo deixo em testamento, Crescem-me os bens pr`além do que sonhei  * Na soma dos mil versos que engendrei, Por fim legalizada em documento; Eis todo o capital que acumulei!   *   Maria João Brito de Sousa - 13.08.2008 - 13.20h   Imagem retirada da Internet   Reformulado a 20.10.2015

FICA PARA DEPOIS...

FICA PARA DEPOIS * Guardo as minhas razões para depois. Para o tempo em que o tempo possa. enfim. Falar-vos da razão de eu ser assim Sem enfeites. sem asas. sem heróis... * Guardo as minhas razões para nós dois. Adio a sede que ainda arde em mim E guardo o meu segredo até ao fim. Até que brilhe à luz de novos sóis... * A sete chaves fecho. e de aço puro. As mil razões que vão justificando A soma dos meus dias inconfessos * E faço do passado o meu futuro Nos momentos que vou aproveitando Pra desnudar-me. inteira. nestes versos. ***   Mª João Brito de Sousa Agosto, 2008 ***          

AUTOBIOGRAFIA

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O mundo tem direito, eu não o nego, A qu`rer saber dos passos que vou dando, Dos versos que já fiz e vou deixando; São as contas de mim que ao mundo entrego...   Mas pretendo criar! Peço sossêgo! Eu nada mais procuro e, não sei quando, Hei-de partir, ainda procurando As causas do meu estranho desapego...   Se o mundo quer saber, eu tudo digo; A minha transparência é um abrigo Por muito que penseis ser o contrário   Pois só canto o que sonho, o que vivi, E, sendo deste mundo, eu ando aqui Cultivando o meu próprio imaginário...     Maria João Brito de Sousa - 11.08.2008 - 16.05h     Imagem - "Mulher em Molho de Luar"                  Pastel de Óleo (entre vidros)                  Maria João Brito de Sousa, 1999   Soneto dedicado ao Poeta António Codeço que, agora mesmo, mo sugeriu, ao falar-me da hipótese de escrever uma Autobiografia e à minha amiga Ligeirinha que com ele se sente identificada.

O CAOS

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    É o modelo vivo da desordem, A descrição geral do desconforto, Mas, apesar de parecer já morto, Vive tal como os outros que se mordem.   Pouco ou nada lhe importa que discordem Da sua estranha vida e, porque é "torto", Já nem sequer procura abrigo ou porto E despreza atenções dos que lhe acodem.   Que não ouse ninguém repreendê-lo! Irado e já tomado de impaciência, Pode mesmo chegar a destruir,   Mas, se esse alguém puder compreendê-lo, Ele abre uma excepção e faz cedência Do Adão que foi gerado em seu sentir...     Maria João Brito de Sousa - 10.08.2008   Imagem - "Escorço - Grande Pintora a Lápis de Cor"                (pormenor)                Maria João Brito de Sousa - 2007

OS DROGADITOS

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  Eles usam seringas, fumam droga E encharcam-se em pastilhas "virtuais" E mesmo quando "mortos" querem mais Porque isso é tudo, tudo o que lhes sobra...   Insistem em viver, estando já mortos, Não sabendo existir, morrem vivendo E, muito embora sofram, vão esquecendo Que sofrem como sofrem muito poucos...   Eles deixam-se morrer por "só mais uma!" Das doses que os transportam para a bruma Que os faz pensar que são o que sentiram...   São vítimas, pensando ser carrascos, Da lucidez letal vendida em frascos, Que acreditam viver porque respiram...   Ao meu amigo Nuno que sobrevive há vinte anos à tremenda experiência de ser pai de um toxicodependente.   Imagem retirada da Internet

VULGARIDADES

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  Sucede-me encontrar, de quando em vez, Coisas torpes, vulgares e sem sentido... Sucedeu-me encontrar um atrevido Capaz tão banal insensatez.   Nem todos nós podemos entender A dif`rença que existe entre o vulgar E aquilo que serve p`ra expressar As razões e as causas de viver.   Sucedeu-me encontrar, é evidente, O bom bom, o mau, até o impotente... ...em criar uma coisa original!   Sucede (e muitas vezes é frequente...) Encontrar o pior de muita gente Das coisas desta vida, o que é  normal!   Maria João Brito de Sousa - 08.08.2008   Soneto dedicado ao Poeta António Aleixo       IImagem retirada da Internet

AQUILO EM QUE ACREDITO

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Há lá ouro ou poder que me convençam A ser quem nunca fui, a dizer: Sim! Se aquilo que sentir, dentro de mim, For mais forte que tudo o que m` ofereçam!   Há lá maior prazer que a coerência, Há lá maior virtude ou qualidade, Que sermos detentores de uma verdade? Humanamente NÓS, na nossa essência...   Biologicamente arquitectados, Nós somos animais desesperados Por honras e valores que não são meus...   Talvez seja dif`rente ou seja tonta, Mas, para mim, o que no fundo conta, É crer no que acredito vir de Deus!   Imagem - "Puberdade" - 40x30cm (Pastel de Óleo)                Maria João Brito de Sousa - 1999  

... E SE EU NÃO DIGO ÁMEN?

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E se eu não digo: Ámen!- o que acontece? Não nasce o sol? Não volta a madrugada? Porque eu não digo Ámen!, não digo nada, Nem gosto de não ser "o que parece"!   E se, lá bem no fundo, eu os desprezo, Se abomino essa sua hipocrisia? E se eu mantenho a estranha mais-valia De ser o que aqui escrevo e vos confesso?   E se, ao olhar pr`a mim fico orgulhosa De nunca ter vendido o meu talento? Se nunca existiu nada nem ninguém   Que me fizesse ser tão asquerosa, Que me dobrasse, enfim, ao seu intento? Eu tenho orgulho em SER, não digo: Ámen!   Imagem- "Dicotomia" - 66x47cm, Aguarela e Pena               Maria joão Brito de sousa - 2002

O SEGREDO

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Muniu-se de conceitos e partiu Tomando decisões fundamentais. Ao longe, uma Mulher no cais Despiu uma ilusão e ele nem viu...   Perdeu-se nesse dia em que fugiu Da Mulher -de- Ilusões que amou demais. Perdeu-se, diluiu-se entre outros mais, A Mulher-que-Ficou não mais o viu...   Durante dois mil anos foi esperando, A Mulher que, no cais, chorou o mar... Sedimentou-se em pedra e foi rochedo,   A rocha que formou foi-se gastando E aquilo que tomou o seu lugar Foi apenas o sopro de um segredo...   Imagem - "A Lágrima" - Pastel de Óleo                Maria João Brito de Sousa, 1999

INTUIÇÃO FEMININA

INTUIÇÃO FEMININA * Você imaginando que eu não sei E eu sabendo tudo o que imagina, Que quem está velha e se mantém menina Conhece até a génese da Lei... *   Você a convencer-me de que é rei E eu à espera que você defina O que esta intuição, bem feminina, Há muito definiu e eu registei... *   Você pensando que o poleiro é seu E eu muito serena, sem me rir, A prolongar o tempo da certeza *   Que você me diz ter, enquanto eu Passei todo esse tempo a intuir A sua verdadeira natureza. *   Mª João Brito de Sousa Agosto2008 ***                        

A TEIA DE ARANHA

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Falei-vos de uma aranha verdadeira Que construiu a teia no meu lar? Por lá a vou deixando, a engordar, Até que chegue a hora derradeira.   No fundo, uma pequena criatura Nascida p`ra predar (é o destino...), Que o mundo é um local bem pequenino E ela, tal como nós, vive insegura...   Deixa a aranha tecer, deixa-a fiar, Deixa a teia crescer, deixa-a ficar, Não faças mal à aranha, coitadinha...   A aranha (pobre bicho...) é inocente E a teia é quase um manto transparente... Deixa a aranha ir tecendo a teiazinha.     Maria João Brito de Sousa - 02.08.2008 -     À minha aranha de estimação, Carlota, e a todos os que, como eu, já foram vítimas de outras "teias" virtuais.   Imagem retirada da Internet (www.episema.com)