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A mostrar mensagens de janeiro, 2011

EM NOME DESSE NADA QUE VOS DEI

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  EM  NOME  DESSE NADA QUE VOS DEI *   Eu prometo-vos tudo e não dou nada! Minha voz vem do cerne das questões E representa a voz de mil milhões; Declaro-me inocente... e sou culpada!   *     Mas, em contrapartida, habituada A ir à descoberta das razões Que nos trazem cobertos de ilusões, Desconfio que nunca estive errada.   *     Governo algum despreza tais funções; Para cada conflito, há soluções Que há que fazer cumprir, pois lei é Lei,   *     E do fundo de tais contradições, Renego o pagamento das cauções Relativas ao nada que vos dei.           Maria João Brito de Sousa - 31.01.2011 -16.36h

O DECIFRADOR DE ENIGMAS

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  Lacónico e soturno, decifrou Enigmas proibidos, viscerais, Mas cansou-se, não quis decifrar mais, Arquivou as perguntas e parou.   Depois de os decifrar, logo os soltou No frémito das asas dos pardais E fez deles mistérios naturais Do sistema solar que os engendrou.   Lacónico e soturno, permanece Contemplando os sinais que a Terra tece, Pois também ela engendra os seus enigmas,   Mas volta a duvidar quando acontece Notar que são demais, e reconhece Que sempre irão faltar-lhe paradigmas.     Maria João Brito de Sousa - Janeiro, 2011         Que a dúvida te não assuste; ela, em si mesma, é fé.   Michelet

A REDESCOBERTA DO SER

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  Lembrei-me do pedaço de universo Que se abraçava à rua em que cresci E sei que, nesse instante, renasci Da simultaneidade deste verso…     Recordo-me de um ser primevo, imerso Nas brumas desse mar em que o vivi E relembro o instante em que surgi Das sílabas de sal em que o confesso.     Disposta a descrevê-lo, traço a traço, Vou além de mim mesma e sei que o faço Pois volto a degustar esse sabor     Das coisas que encontraram o seu espaço No côncavo sagrado de um regaço Perpetuando os laços de outro amor.           Maria João Brito de Sousa – 22.01.2011 – 22.21h         Il n`y a que deux choses à combattre sur le terrain intellectuel; le dogmatisme et l`intolérance.       A. REV.       Para quem queira apreciar boa poesia dita por GRANDES poetas e "diseurs";   http://www.raizonline.com/radio/

PRETÉRITO MAIS DO QUE PERFEITO

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Venho dos tais pretéritos perfeitos Que nunca conheceste, nem provaste, Á luz da transparência e do contraste Com que farei valer os meus direitos     Terei, como tu tens, alguns defeitos - uns de nascença e outros de desgaste – Mas nunca negarei quanto negaste, Nem tentarei ser mais do que os eleitos!     Serei quem tu jamais entenderás, Mas tentaste invadir-me e eu quero a paz Que só posso encontrar na liberdade.     Sou quem se oferece inteira no que faz E está disposta a dar, de quanto traz, A mais pura e mais límpida verdade.           Maria João Brito de Sousa – 25.01.2011 – 16.26h

TENTEI FALAR-VOS DE MIM...

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  Quis falar-te de mim, mostrar-te os dias Que prendem, como peias apertadas, Mas morrem-me as palavras, já cansadas De saber que jamais me entenderias… Quis mostrar-te a diferença; as alegrias Que sabes aceitar, são gargalhadas… Das minhas, das que nascem rejeitadas, Ceifaste, agora, mil que nem sabias! Tu sabes lá o que é ser como sou! Nestas mãos de aço que outro mar temperou Trago o recomeçar de cada fim Do solitário mundo em que me dou, Mas ninguém, no teu mundo, acreditou… E há quem possa entender quem escreve assim!?       Maria João Brito de Sousa – 24.01.2011 – 17.29h

A PERTINÊNCIA DO PUZZLE

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PUZZLE * Se o sol se não deitasse, a cada dia, Exactamente à hora em que se põe O mesmo claro azul que nos propõe Metade desse ciclo de harmonia, *   Se a noite não nascesse em sintonia Nem nos trouxesse quanto pressupõe De sonho, enquanto o tempo a decompõe Numa abóbada escura e luzidia… *   Um jogo de ideais! O que me interessa Se eu vejo, sinto e nunca tive pressa Em alcançar o fim desta jornada? *   Mas, retomando o puzzle, peça a peça, Se esta não se encaixar, encaixa-se essa (mesmo que me não sirva para nada…) * Maria João Brito de Sousa – 22.01.2011 – 18.09h  

ÀS DUAS POR TRÊS!

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… e, às duas por três, tão de repente Que o próprio coração se lhe abalava, Ouvia-se um trovão e lá brilhava, No estro do Poeta, o verso ardente… Assim nascia cada apelo urgente Que ninguém, senão eu, testemunhava, De cada vez que o verso ribombava Anunciando a vinda da semente… Não houve um só momento, um só segundo, Em que, calando aquele apelo fundo, Lhe não surgisse o Verbo! Uma só vez! Não soube se era, ou não, do nosso mundo Mas, quando ouvir de novo, eu não confundo Aquele clamor do; “Às duas por três!”…           Maria João Brito de Sousa – 19.01.2011 – 21.

A LUA QUE ENTOVA UM VELHO FADO...

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  Fez-se tarde e não foi por mero acaso Que o Sol se pôs mais cedo nesse dia; Talvez fosse outro, o mundo que surgia Depois desse imprevisto e estranho ocaso,   Ou talvez fosse a Noite, num atraso Que nenhum desses dois lhe preveria, Que, não qu`rendo abrir mão do que sentia, Teimou em não cumprir o justo prazo,   Mas, fosse por que fosse, aconteceu Que a noite se acendeu num louco céu Que ninguém poderia ter explicado,   Que o coração mais forte lhes bateu E quase lhes parou quando irrompeu A Lua, que entoava um velho fado.       Maria João Brito de Sousa – 19.01.2011 – 20.52h

TALVEZ SEJA SÓ POESIA...

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TALVEZ SEJA APENAS POESIA     Talvez não haja um mar dentro de mim E a tempestade venha - se vier… - De cada vez que um dia chega ao fim Nesse universo que é cada mulher   Por outro lado, à míngua de um jardim, Talvez invente um mar pra renascer E tudo surja assim por ser assim Que toda e qualquer vida deva ser   Porém, de quanto disse, não retiro Uma única palavra, um verso só, E ocorre-me dizer que não sou nada   Senão as mil questões com que me firo Quando o verso desata cada nó Que , fio a fio, me enreda na meada.       Maria João Brito de Sousa – 18.01.2011 – 21.03h      

SEGUE-SE UM POEMA...

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  Segue-se este poema que não chora Mas, desse mesmo sal que tens nas veias, Faz hino à sensação que se demora Por dentro do tecido das ideias     Numa emoção telúrica, infractora, Que nega uma ilusão de panaceias E que irrompe do fel de cada hora Com ânsias de quem rompa mil cadeias.     Mas… segue-se um poema! Ou terei feito Um abrigo qualquer, sem dar por nada? Talvez, não sendo um ´bunker`, me proteja     E aquilo que se segue, por direito, Seja a mesma revolta estrangulada Que se acrescenta até que se oiça e veja.           Maria João Brito de Sousa– 17.01.2011 – 19.53h

O MAR DENTRO DE NÓS

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  Por dentro de mim corre um longo rio De seiva, ao por do sol de um campo arado E a ceifeira, que ceifa ao desafio, Esquecida de o ceifar, passou-lhe ao lado.     Talvez volte amanhã, se fizer frio, Ou se o vento, ao soprar, tiver lembrado O leito das razões que nele desfio Na seiva em que o descrevo humanizado     Entretanto, outras foices de ceifeiras Passaram já por ele de outras maneiras Mas nunca desaguaram nessa foz     Que, a jusante de mim, beija as ribeiras Quando elas se lhe oferecem, sempre inteiras E recomeça o mar dentro de nós.           Maria João Brito de Sousa – 14.01.2011 – 22.00h  

O O BICHINHO DAS CONTAS - Post comemorativo do terceiro aniversário do Blog

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  Ó meu bichinho-das-contas, Faz de conta que eu perdi, Que  a conta deu resto nada! Que, nas parcelas que apontas, Equacionei, resolvi E a conta acabou errada!   Faz de conta! Se contasses, Se explicasses tudo, tudo, Calculando um bocadinho… Bichinho, se formulasses, Neste polinómio mudo, Soluções pr`ó meu caminho… Bicho de multiplicar, De somar, de dividir Por mil vezes quanto foste, Se alguém pudesse explicar Tudo o que podes medir Por mais que haja quem não goste… Bichinho das equações, Das fracções e das potências No quadrado dos sentidos, Quero saber das acções E das suas consequências! [- Vou explicar! / - Sou toda ouvidos!]         Maria João Brito de Sousa -14.01.2011 – 00.01h     NOTA - Poema para os mais pequeninos, sobretudo para os que pensam que não gostam de Matemática e nem sabem o que estão a perder… Este poema não é um soneto, mas nasceu-me agora e penso que pode muito bem fazer as honras ao Poetaporkedeusker que hoje completa três anos de Vida. Parabéns, Poetapo...

SEMPRE E NUNCA MAIS

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  ... e, de então em diante, o Universo, Como se por magia se calasse, Roubar-me-ia todo e qualquer verso Que pela vida fora eu encontrasse   Deixando-me, na troca, o seu inverso, Negando-se, fugindo ao novo enlace... O resto todos sabem... se é perverso Melhor fora um poema que o negasse...   Do rebanho que guardo ou como o faço, A ninguém devo contas ou promessas, Senão a quem me fez tal como sou!   De tudo o que nasceu deste cansaço Nas horas a que já nem deito meças, E ao que está por nascer... Deus mo legou!       Maria João Brito de Sousa

UMA OUTRA PROPULSÃO

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  Não sei mais o que faço, nem se o faço Porque o quero fazer, ou porque o devo, Só sei que é forte e dúctil como o aço A força que me nasce como o trevo.   Ao que dela surgir, junto o meu traço, Mas de ingénua que sou, porquanto o escrevo, Revelo-me na rota desse abraço Mesmo quando a assumi-lo não me atrevo.   Não há tédio - não há! - que me resista, Nem há indecisão que não desista Quando me toma, inteira, a criação   E, melhor ou pior, preencho a lista Daquilo que me prende, me conquista E engendra esta imparável propulsão.         Maria joão Brito de Sousa - 12.01.2011 - 14.19h   Imagem retirada da internet

TODA E QUALQUER PALAVRA

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  Hoje qualquer palavra serviria, Desde que desvendasse a compulsão. Qualquer uma, do “sim” até ao “não”, Mesmo a contradição de uma ironia   Me faria tão bem, me encantaria Bem mais do que uma alegre ilustração, Mais, nesta minha humana dimensão, Do que a sublime essência da alegria!   Palavras, só palavras me acorrentam Aos universos que elas representam Quando nelas alcanço esse seu céu,   Porque só as palavras me contentam, Só elas me conhecem quando tentam Prender-me a este estranho encanto meu.       Maria João Brito de Sousa – 10.01.2011– 19.05h

OUTRAS JANEIRAS

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  Sobre tantos Janeiros de  nós dois, Cansou-se a velha lua de sonhar E, em se indo deitar, surgiu, depois, Um sol que só nasceu pr`a vir espreitar…     Se, em cantando as Janeiras, tu me dóis, Se me dóis mais ainda ao não cantar, Que fazer se, por ti, me nascem sóis, Se, enquanto me doeres, irão voltar?     Não cantaste as Janeiras… que me importa Se, amanhã, me vieres bater à porta Por sentires o vazio de uma saudade?     Olho o céu de Janeiro e fico absorta; Nem uma estrela brilha, viva ou morta, E quanto o céu promete é tempestade…           Maria João Brito de Sousa- 10.01,2011 - 11.57h     Imagem retirada da internet

A FORTALEZA

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  Cobriram-me de pétalas de rosa E deram-me o plural das transparências; Inexpugnável fui, nas aparências, Qual “persona non grata”, mas famosa,     Apenas por escrever poema e prosa E por não ter temido as divergências, Mas calam-se-me as mãos e, toda ausências, Já seiva alguma faz de mim viçosa…     Do que de mim guardei, pouco mais dou; Devolvo-vos a rosa, enquanto vou Subindo a fortaleza inacabada     Que também passará, como passou A força que a subida me roubou Mas que aqui permanece bem guardada.           Maria João Brito de Sousa – 05.01.2010 – 18.45h  

PEQUENOS PARAÍSOS E GRANDES INEVITABILIDADES

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  Num lago pequenino e debruado Por azedas e trevos, como tantos, Demorava-se o sol, preso aos encantos Deste meu paraíso recriado     E, querendo-se deitar, por estar cansado De aquecer, deste lado, os verdes mantos, Olhando este meu lago, outros quebrantos O fizeram esquecer o outro lado.     “Metáforas… só isso!” - direi eu, Depois, ao constatar que o sol desceu Sem por mim ter esperado um só segundo.     Com ou sem paraíso, um escuro véu Cobriu, inteiro, o azul do mesmo céu Que veste os paraísos  do meu mundo.           Maria João Brito de Sousa - 06.01.2011    

EM VERDADE VOS DIGO - A wish for the new coming year

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  Em verdade vos digo, e não repito, Que o sol não morrerá sem que penseis Que tudo o que sonhardes é bendito, Que há vida além do pão que hoje comeis.     Falo-vos do que aqui vai sendo escrito, Daquilo de que vós duvidareis Quando, em urgência extrema, o corpo, aflito, Vos pedir quanto vós lhe não dareis.     Em verdade vos peço que luteis Pelo pão que vos falta (e bem sabeis que vos falta bem mais que apenas pão),     Que, em tudo o que fizerdes, procureis Razões que nem sequer reconheceis Porque o que mais nos custa é ter razão.           Maria João Brito de Sousa – 02.01.2011 – 15.51h       ANUNCIAÇÃO DO CRISTO AMARELO A PAUL GAUGUIN - Paul Gauguin renunciou a uma vida estável e abastada para se encontrar com a Arte. Condenado por tudo e todos, só o tempo viria a mostrar o valor do seu trabalho.

DEPOIS DE UMA ILUSÃO

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  Depois de uma ilusão… quanta ilusão, Quantas metas ainda inalcançadas! Quantas vezes é “sim”, e quantas “não”, Sob o esforço das mãos já desgastadas? Quanto trabalho até à remissão Das negras tatuagens ulceradas, Quanta fé, quanto amor na confecção Das coisas que estão sempre inacabadas… Depois de uma ilusão, resta o que resta E, desse resto, o tanto que virá Do muito que sair das nossas mãos… E que ninguém nos diga: - Isto não presta! Há sempre alguém que entende o que se dá, Há sempre alguém que diz: - Somos irmãos!       Maria João Brito de Sousa   Ao som de “Todo o Tempo do Mundo”     IMAGEM - Eu com a avó Alice, mulher do poeta António de Sousa. Esta avó viria a falecer prematuramente, de um súbito agravamento da sua doença de Parkinson, quando eu tinha onze anos de idade.

SONETO QUE SE PREZE...

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  Soneto que se preze deve ter As dez - ou doze - sílabas marcadas Por tónicas bem fortes, rodeadas Por átonas que mal se devem ler.   Assim é o soneto e se eu quiser Simplificá-lo mais, fazendo quadras, É só cortar as sílabas citadas Até que fiquem sete pr`a escrever…   Terá, então, nascido um “sonetilho” Todo embebido em musicalidade, Gracioso como todos eles o são,   Do clássico soneto, amado filho E herdeiro dessa mesma qualidade De soar tal e qual como canção…     Maria João Brito de Sousa – 01.01.2011 -12.56h         SONETO – Composição poética de catorze versos, dispostos em dois quartetos e dois tercetos…//… Enc. Liter. – O soneto é de origem muito incerta. Uns atribuem a sua invenção aos trovadores provençais, outros a Petrarca, o qual foi, pelo menos, seu vulgarizador na Itália. Cultivado com entusiasmo pelos poetas do Renascimento, a sua estrutura foi inserida em Portugal por Sá de Miranda. No séc. XVI, além deste poeta, trabalharam o soneto, Camões, que os fez avultar na su...