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A mostrar mensagens de março, 2009

SEREI POETA

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    SEREI POETA!   Ó mundo, serei sempre o que eu quiser! Serei como souber, seja o que for, Enquanto me não chega essoutra dor Que me há-de vir buscar quando eu morrer.   Sei que serei tão "eu" quanto puder, Que me não pintarão de alheia cor, Que em tudo o que fizer porei amor, Que sempre serei mais, sendo mulher.   Sou espectro de mim mesma em disfunção Cumprindo a minha humana condição Embora insatisfeita ou incompleta...   Escreverei, do passado, o amanhã Da mãe Eva a sonhar com a maçã E irei muito além! Serei poeta! *   Maria João Brito de Sousa - 31.03.2010 - 10.10h       Imagem retirada da internet

MANEIRAS DE ESTAR VIVO

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Ele há tantas maneiras de estar vivo E tanta vez julgamos t udo ter Quando, no fundo, só podemos ver Através deste estranho, imenso crivo...   Por vezes, quando penso que me privo De coisas que talvez pudesse ter, Descubro que o que quis foi aprender A transmutar-me em acto criativo…   Muitas vezes encontro outras maneiras De estar viva num mundo de incertezas E sei-me, então, feliz, realizada;   Umas vezes arrisco e faço asneiras Perdida entre despojos das riquezas Em que os demais nunca encontraram nada…     Maria João Brito de Sousa - 30.03. 2009     Tela de Vincent Van gogh   Imagem retirada da internet

UM DIA, NUM FUTURO `INDA DISTANTE...

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Um dia, num futuro `inda distante, Num amanhã qualquer que está por vir, Um qualquer homem que ouso pressentir, Caminhará ainda, embora errante…   Os mesmos velhos sonhos, o semblante Eternizando a busca, o descobrir… Os passos vacilantes, sem dormir, A procurar no sonho o semelhante…   Um dia, no futuro… e só mudou, Desse homem que outro tempo em si gerou, O nome e essa vontade que cresceu!   E quem me manda a mim ser futurista? - A esperança de que o Homem não desista Do mesmo eterno sonho que o perdeu…       Antecipado para a http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/   :)  

SEM LUTOS

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Queria-se assim, tal qual, em transparências! Queria-se mesmo assim, em desatino, Sem raízes, sem pátria nem destino, Coberto de ilusões, de incoerências.   Proclama-se justo entre inclemências E supunha-se ascético ou divino... Ingénuo, imprevisível, qual menino, Ascendendo à mais nobre das essências.   Julgou-se, sempre, eterno e morreu novo, Ignorando as calúnias do seu povo, Desprezando os insultos. Impoluto!   Pensou ser emissário e não chegou A divulgar os sonhos que sonhou E ninguém o chorou ou fez o luto.                

CAI O PANO

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No palco de mim mesma, invento um mar E estendo a alma qual pano de fundo... Da minha lucidez eu crio um mundo E a peça será tudo o que eu sonhar!   Na areia eu hei-de pôr branco-lunar E o resto é desse azul de que me inundo No transe criativo em que me afundo Antes desta função recomçar...   Eu, peça de teatro inacabada, Dar-vos-ei tudo sem pedir-vos nada. Calai-vos porque o pano irá subir!   Alguém aplaude? Alguém pede um "encore"? Alguém que queira mais? Alguém que adore? [nem uma alma, sequer, veio assistir...]     No Dia Mundial do Teatro   Imagem retirada da internet

FIGURAS DE ESTILO

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  …tão louca por ouvir novas palavras, Palavras segredadas ao ouvido, Daquelas que, por serem murmuradas, Adquirem mais rigor, maior sentido   E, louca por ouvir palavras soltas Por dentro de mim mesma numa dança, Vou-vos deixando as minhas, tão revoltas Quanto os cabelos soltos duma trança...   Daquelas que ninguém pode calar, Que, tontas, impensadas, são loucuras Chorando ou rindo pr`a provar que sentem   Os versos que o meu estro ousou gerar E que, mais que palavras, são figuras Do estilo em que as moldar, quando não mentem...   Maria João Brito de Sousa -26.03.200 - 10.19h   (Reformulado a 15.12.2015)          

OS AMANHÃS

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Descobre os amanhãs que estão por vir! Relembra a solidão – esse aconchego Lá no fundo de ti, esse sossego – Retoma essa ilusão do teu sentir…   É esse o teu caminho! É só sorrir… É tocar mais além, onde eu não chego, É este imenso e estranho desapego Das plantas que se dão, sempre a florir!   Encontra a tua paz, o teu caminho… É lá, dentro de ti, que está o ninho Onde tudo começa. O original.   Encontra a luz que trazes, porque és brilho, E ilumina a vida a cada filho Que nasça desse encontro ocasional…     Imagem retirada da internet  

OS LOUCOS...

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Os loucos que aqui andam… quantos são? Fazem-te acreditar que nada tens, A ti, que possuíste tantos bens, A ti, que tens o mundo numa mão!   São loucos, são tão loucos! Que invenção! Dizem muitos “senãos”, muitos “tambéns”… A ti, que sabes bem de aonde vens, A ti, que lhes darás o teu perdão!   Os loucos que aqui andam… tantos, tantos… Os que vão exercendo os seus encantos Na mansidão das coisas recatadas.   Os loucos que aqui há! Os que mentindo   Irão roubar ao Tempo o tempo infindo De quem viu nascer tantas madrugadas…  

PONTUALMENTE

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A vossa indiferença é tão agreste, Tão gélida, tão falha de calor, Que, por vezes, perfura o que me veste E dói-me muito mais que a própria dor.   Outras vezes, eu cubro-me de escudos, De edredãos ou de mantas bem quentinhas, Afundo-me na terra e ergo muros Pr`abrigar-me de vós, ervas-moirinhas!   Mas por mais que me tape e que me aqueça, No vento frio ecoa uma cantiga Da memória a pregar-me uma partida...   Se vibra o ar num som que me pareça Remoto eco ou coisas muito antigas... Sinto, ao longe, o pulsar das vossas vidas!         Nota - Ainda de "O Livro das Horas Convergentes - Trinta e três sonetos e uma estrada".   Ainda desafios para os amigos no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/    

A TAREFA

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          Ali, aonde alcança o imaginário, Sou senhora do tempo vertical. Minha fé, de tão pura e tão leal Lavrou-me neste corpo esse sudário.   Onde os demais alcançam, eu não sou Mais do que um estro breve da loucura... Assim se dita a sorte a quem procura Aquilo que nem César alcançou...   O meu olhar vagueia pelo mundo E ama e sofre e vê e é fecundo... Do alto do meu templo de cristal,   Qual ampulheta que nunca se esgota, Eu sou a desterrada a quem importa A sorte dos que mais lhe fazem mal...     NOTA - Mais um soneto de "O Livro das Horas Convergentes", datado de 07.04.07, com ligeiras modificações para obter a correcção métrica.   NOTA II - À vossa espera, no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ um desafio cansadíssimo, vindo do Free-Stile...    

AINDA A ÁRVORE - No dia Mundial da Árvore e da Poesia

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Ainda tu, serena condição, De uma sagrada sede de harmonia: É o sacrário, a hóstia, a homilia E veste da sagrada comunhão.   Da verticalidade, a oração, Percorre esse teu corpo em litania E és quem dá o vinho e dá o pão No culminar de cada eucaristia.   No instante em que Deus te desenhou Os traços breves num fundo celeste, Numa urgência da forma que sonhou,   Emudeceu um anjo que parou Olhando a perfeição serena, agreste, Verbo ideal do Deus que te criou...   NOTA - Soneto retirado do livrinho que registei na SPA, "O Livro das horas Convergentes - Trinta e Três Sonetos e Uma Estrada" e que contém os primeiros trinta e três sonetos que eu escrevi, durante o Período da Quaresma de 2007. Foram feitas pequenas modificações nalguns versos pois, sendo os meus primeiros sonetos, tinham algumas falhas métricas que eu não gostaria de ver publicadas no poetaporkedeusker.     A Árvore da fotografia, uma velha amiga da Alameda, foi derrubada em 2008. A minha homenagem a ela e a todas as...

METÁFORA II

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Serenamente fui quem já não sou, Serenamente dei, sem nada ter, Serenamente deixo de poder Trilhar os trilhos do que em mim morou.   Serenamente passo, sem passar, E digo adeus, ao longe, a quem lá vem. Serenamente só, sem mais ninguém, Descubro a minha ilha de luar.   Serenamente parto sem partir E alcanço nova forma de florir… [sei lá se isto é verdade ou se é mentira…]   Serenamente sinto, e de sentir Encontro [ou não encontro…] o que há-de vir Na estranha lucidez da minha lira.       Perspectiva do Estuário do Tejo retirada do Boletim INFOMAIL, da Câmara Municipal de Oeiras.       Aproveitando esta temática dos regionalismos, convido-vos a passarem pelo http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ onde vos esperam algumas inconfidências...  

UM QUASE NADA...

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Um quase-nada basta… e sou feliz! Um sorriso, uma flor, um gesto amigo… Qualquer telhado velho é um abrigo! Um lápis, um papel… tudo o que eu quis!   Um sonho? Um Universo e ninguém diz As coisas que, em sonhando, aqui consigo… Aqui eu sou feliz pois penso e digo E sei que sou, do sonho, imperatriz… (*)   Um quase-nada… e fico tão contente! Tudo o que seja absurdo, incoerente, Me faz sentir mais rica do que tantos…   Um quase-nada… e julgo-me inocente Da vulgar ambição de toda a gente! [e penso estar no céu, junto dos santos…]     * - Ainda mais inalcançável do que as princesas…   Nota Importantíssima - Eu hoje disse mentiras!!! Se não acreditam, vão ao http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/   e comprovem com os vossos próprios olhos! E, já agora, tentem lá descobrir quais são as três mentirinhas...  

A DEFINIÇÃO DE LINHA RECTA

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Dá-se um pedaço de alma e todos pensam Poder ser capitães da nossa barca… Mas por cá não há príncipe ou monarca Que possa ditar leis que me mereçam   Um : - Faço sim senhor!, sem que mo peçam. Se alguém quiser passar e deixar marca, Neste mundo ideal, de glória parca, Melhor será que passem sem que impeçam   O meu imaginário de florir… A decisão ainda está por vir E eu só quero mesmo é ser poeta…   Se alguém me cativasse, o meu timão, Talvez pudesse até mudar de mão… [não tem princípio e fim a linha recta…]     Dois desafios à vossa espera no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/     Façam favor de entrar!

ESTÓRIA DE ENCANTAR

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Não esperes, de mim, grandes veleidades Nem dramas dos de faca-e-alguidar... Eu, de louca que sou, só sei sonhar E falar dos meus sonhos, quais verdades...   Não vou falar do medo ou das saudades! Hoje só conto histórias-de-encantar, De palácios de prata e de luar Com princesas de todas as idades...   Hoje, eu, a contadora-de-mil-estórias [que deixo registadas, quais memórias daquilo que por cá fui encontrando],   Sou, embora poeta, uma Princesa! Derrotei, finalmente, essa tristeza Que, às vezes, me consegue ir derrotando...     Imagem retirada da internet      

QUANDO EU PARTIR

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Há tanto por dizer… mas se eu partir Muito antes de falar do que pretendo Aviso-vos agora; eu não me rendo Enquanto a vida assim o decidir.   Há tanto por falar, por aprender, Por partilhar, no meu entendimento, Que mesmo que me vá, eu só lamento As coisas que não disse e quis dizer…   Lamento ser pequena e limitada… De resto não lamento mesmo nada. Dou-vos o meu melhor. E mais não digo!   Quantas vezes alegre, a gargalhada Me salta da garganta, endiabrada, E só quer a partilha de um amigo?       Imagem - Fotografia tirada há dois dias atrás, depois de a D. Isa ter decidido que eu me deveria candidatar a modelo de "passerelle" e me ter enchido de trancinhas... Porque eu também sou muito alegre... quando não estou triste.  

FEITICEIRAS

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  Não acredito [...mas sei!] Que há almas transparentes como o ar Que há sereias e tritões No mais profundo do mar E que as fadas, às vezes, me vêem visitar.   Não acredito[... mas sei!] Que a morte é uma fronteira E logo a seguir a ela Mora a vida verdadeira.   Não acredito[... mas sei!] Que há bruxas, gnomos, duendes, Que vêem repreender-me Por viver tão alheada Dessa realidade alada, Virtual, imaginada, Mas que está sempre presente!     Poema, em viagem desde 1993, para a http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/     Imagem - Acrílico sobre papel Maria João Brito de Sousa, 1999

O RASTO DO COMETA IV

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Deixa o rasto, cometa, deixa o rasto, Porque um rasto, cometa, vale a pena. A vida é dia a dia, mais pequena, Quando se vai perdendo rota e lastro.   Deixa o rasto cometa. O tempo gasto A fazer com que o rasto fique em cena É o tempo em que a vida, mais serena, Te deixa ser mais útil, se mais casto…   Deixa o rasto cometa. A tua vida Estará, na dimensão do que sonhaste, No rasto que de ti nos vai ficando.   Deixa o rasto na terra-prometida, Nas letras das palavras que deixaste Enquanto tu, por cá, foste passando.     Maria João Brito de Sousa - 14.03.2009 - 21.42h         Imagem retirada da internet    

ALTER EGO

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Responde-me; se existes –porque existes!- Quem és, quem pensas ser, por onde vais? Que te distingue de outros animais? Serás dos mais felizes entre os tristes?   Quem és que, embora morto, assim resistes? Porque razão és “tu” entre os demais? Porque não “eu” se, enfim, somos iguais? Porque é que te não calas nem desistes?   -Demasiado louco pr`a saudável E por demais saudável pr`a ser louco, Eu sigo por seguir. Se me encontraste,   Talvez possas pensar que é condenável Ser assim como sou: tanto e tão pouco… Mas sou, exactamente, o que sonhaste.     Soneto dedicado à Carla Ribeiro, com o meu pedido de desculpas por não ter ainda respondido a um convite seu, dada a instabilidade ao nível da saúde dos meus pequenos companheiros e às incertezas quanto ao acesso à internet.  

NÓS, DESTINO...

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Nós, poema, animais e coisa esparsa, Nós, abstracto-concreto e força viva, Nós, a estranha e expurgada comitiva Com olhos de luar, asas de garça,   Nós flâmulas, nós almas que respiram, Nós todos e nenhuns, nós persistentes, Nós desacreditados-sencientes, Nós raiz de mil coisas que partiram,   Nós feitos-imperfeitos, mas reais, Nós por mundos e estradas virtuais Sobrevivendo e sendo genuínos,   Nós, apesar de tudo inofensivos, Criadores ou veículos passivos, Nós paradoxos-vivos, nós destino.     Voltei para vos dizer que hoje há um desafio de poesia no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/   , que está com um novíssimo "visual". Oito bogs foram obrigatoriamente desafiados, mas gostaria de oferecer o prémio a todos os que por lá se dignem passar.

SACIEDADE

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  Fico dentro de mim, onde o mar cresce E, ao entardecer, o sol se põe, Onde, aceso, o luar se sobrepõe À penumbra da tarde que então desce.   A lua que me nasce é vagabunda E sabe-me de cor, pede-me tudo... Eu também a conheço e não me iludo Mas aceito o luar que então me inunda.   Dou dois passos em frente e três atrás... E finjo acreditar, faço-me louca. Sigo as regras do jogo e dou as cartas   Porque, ó lua, afinal o que me dás Não será o que eu quis mas coisa pouca Sacia este vazio das almas fartas.     Imagem retirada da internet        

SEI LÁ...

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Sei lá se hei-de poder falar de amor, Dessoutro amor, entre homem e mulher… Vivi-o sem, contudo, me esquecer Porque o vivi em todo o seu esplendor.   Poucas vezes, também, falo da dor No entanto sei dá-la a entender… Há tantas, tantas coisas por fazer, Mas eu nenhuma faço por favor…   Amor é, para mim, este acordar, Esta candura branda, que ao tocar Me faça enternecer o coração…   Há amores que eu só posso recordar, Sorrir, deixá-los lá, nesse lugar, No espaço-tempo de outra geração…     Imagem retirada da internet    

SER FELIZ... APESAR DE TUDO

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Eu sou feliz mas... não, feliz não estou. Tantos velhos amigos já partiram, Tantas horas magoadas me impediram As tantas gargalhadas que não dou.   No entanto, esta tarde, o sol brilhou E outros velhos amigos me sorriram... Serei então feliz - se mo pediram- E se puder dizer que já passou.   Contudo, mesmo em mágoa, até chorando, Eu sei que estou a dar o meu melhor, Que encontro sempre tempo para amar   E posso garantir-vos que, sonhando, Sei que `inda poderia ser pior E sinto-me feliz, mesmo a chorar . *   Maria João Brito de Sousa - 09.03.2009       "Puberdade" - Maria João Brito de Sousa     Soneto revisado e reformulado a 05.08.2011 -02.29h    

MULHER

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  Mulher. Eva-Mulher fui concebida Neste omni-receptor   em que me sei E dos genes de mim, um dia dei, Em gestação, continuidade à vida.   Por tanto dar de mim e por ser tida Como a matriz de tudo o que engendrei, Quis ir mais longe ainda e procurei A obra nunca dantes conseguida.   Eva-Mulher me sei e me vou sendo E vou ainda além do que eu entendo Procurando as razões deste quem-sou.   Eva-Mulher. A tudo o que me prendo Procuro dar-me ainda e só pretendo Saber de aonde vim, pr`a onde vou…       Um prémio "maneiro" à vossa espera no   http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/  

UMA VIAGEM INESQUECÍVEL

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Saiu da agência de viagens arrumando, na malinha a tiracolo, a papelada que escrevera nos intervalos dos telefonemas dos muitos turistas que pediam o apoio da sua “hostess” depois do check-in no hotel. Eram quatro e meia de uma tarde de Verão e as palavras do chefe do Foreign Department soavam-lhe, ainda, aos ouvidos: - Maria João, gostaríamos de tê-la no nosso próximo Grupo da Getaway Adventures, desde Espanha, acompanhando o grupo desde lá. Não respondera logo. Esboçara um sorrisinho “polite” e murmurara meia dúzia de palavras que não queriam dizer coisa nenhuma. Aquele momento seria supostamente especial. Era-o. Não da forma que seria para as suas colegas que viviam e trabalhavam de olhos postos na primeira viagem. Na inesquecível primeira viagem. Para ela era muito diferente. A palavra fazia-lhe despontar raízes por dentro e por fora. Não era medo. Não era falta de ambição. Era uma ausência de medos e um desvio real das ambições… as dela ficavam-se mai...

O RIO E A VIDA

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O RIO *   Mede-se a vida no fio De uma linha equidistante Entre a nascente de um rio E a sua foz, a jusante… *   Às vezes o rio, teimoso, Quer subir uma montanha Que não pode e, furioso, Lança-se em fúria tamanha * Contra pedras e arribas, Que acaba por ir passando: Encontra as alternativas Que antes não estava encontrando... * Flui depressa ou flui sereno, Mas prossegue a caminhada E constrói sobre o terreno Um simulacro de estrada... * Já mais calmo, encontra a foz, O ponto no qual, espraiado, Vai mergulhar… como nós Quando o fim tiver chegado *   Mas lá em cima, a montante, Continua inda a caminho… Tudo é mudança constante, Nenhum rio morre sozinho! *   Mª João Brito de Sousa Março - 2009 ***