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A mostrar mensagens de maio, 2010

SENHORAS E SENHORES; OS ESPANTALHOS POÉTICOS!

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  MARQUÊS DE POMBAL       Eu, Marquês de Pombal, Conde de Oeiras, Senhor das belas terras que aqui vedes, Construirei fortíssimas paredes Que levarão a vila além fronteiras!   Jamais me perderei noutras canseiras, Ninguém me enredará nas suas redes! Farei de Oeiras vila aonde as sedes Se poderão matar de mil maneiras!   Com monumentos tais e esta beleza,  Criarei, nesta vila, tal grandeza Que nenhuma cidade há-de igualar   Pois, nas flores que plantar no meu jardim, Esta terra jamais verá seu fim E será tão eterna quanto o mar!       Maria João Brito de Sousa

ALTERAÇÃO DE ÚLTIMA HORA

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  O evento de animação cultural ESPANTALHOS - DÊ-LHES VIDA! , da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia de Freguesia de Oeiras, sofreu uma alteração em relação à data prevista para a inauguração. Conforme divulgado no Poetaporkedeusker e no Contra-sensual, a inauguração seria no dia 29, Sábado mas, afinal, será durante a tarde do dia 30, no Jardim Municipal Almirante Gago Coutinho, perto da praia de Stº Amaro de Oeiras .   Um evento que promete muita animação e que faz descer à rua o soneto clássico! Conto convosco!     Imagem retirada da Internet    

HUMANA NATUREZA

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  Tão perversa, esta humana natureza, Quão sublime, também, já soube ser… Quão alto se elevou – pura beleza! – E desceu, a seguir, pr`a se perder…   E é neste encantamento de princesa Que um dragão inventado ousou prender Que se cumprem destinos de acha acesa E cada humano vive até morrer…   Mistérios… nada mais pode explicar Estas oscilações entre a harmonia E essoutro horror, absurdo e dominante.   Mistérios que nos levam a criar, Além do que é prudente, uma ousadia Que gera mais terror que onda gigante…     Maria João Brito de Sousa – 25.05.2010         Amanhã, às 18h 30m.

NOVA OEIRAS ACONTECE!

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  É já na próxima quinta feira, dia 27!

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA X

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        A PROCURA   Procuro, não te encontro e, se duvido Dessa tua presença vertical, É por ser tão humana e sem sentido Não é por querer negar-te ou dizer mal…   Procuro mais ainda e, se divido Esta minha incerteza ocasional Com quem estiver por perto, quem comigo Possa sentir que isto é disfuncional,   É porque esta procura se demora Na esquina dos minutos que há na hora, Ao longo duma estrada que não finda.   Procurando, caminho estrada fora E enquanto caminho, como agora, Descubro o que em procura se deslinda…     Maria João Brito de Sousa     A ONDA   Se uma onda, em chegando, te afogar, Traiçoeira, em marés que não previste, Vê bem se foste tu que assim pediste, Se a onda, por si só, te quis molhar…   Se saltou sobre ti quando, ao passar, No pontão, nem sequer te preveniste, Ou se age por vontade e não resiste A afogar quem se chega ao pé do mar…   Eu própria nunca o sei mas, se calhar, As ondas também podem protestar Ou decidir, até, sobre o que existe…   Se não, ó meu irmão, t...

ACTIVIDADES CULTURAIS EM OEIRAS

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  ACTIVIDADES CULTURAIS EM OEIRAS     No dia 27 do corrente mês – quinta-feira – pelas 18h, a Associação de Moradores de Nova Oeiras, AMNO, inaugura, na Galeria Livraria Municipal Verney, uma exposição onde estarão patentes, entre muitas outras, duas telas de minha autoria; “Os Guardadores de Luas” e “Anunciação do Cristo Amarelo a Paul Gauguin”. As obras estarão expostas até às 18h do dia 30.       No dia 29, Sábado , pelas 15h, a COMISSÃO EDUCAÇÃO E CULTURA da Assembleia de Freguesia de Oeiras, inaugura, no Jardim Municipal de Oeiras, um projecto da autoria de Gabriela Bessa, da CDU que contará com a presença do Presidente da Junta de Freguesia, Dr. Carlos Morgado. ESPANTALHOS. DÊ-LHES VIDA!; o projecto de animação cultural, eleito por maioria na Assembleia de Freguesia, contou com o apoio das voluntárias dos Centros Sociais Paroquiais de Stº António de Nova Oeiras, S. Julião da Barra e Bairro do Pombal que colaboraram no processo de elaboração das figuras. Os Espantalhos “dialogarão...

QUEM TEM MEDO DA DONA FÚRIA?

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A Fúria despertou! Ninguém a agarra Pois chispa, estala, salta e faz fagulha, Estrebucha, rosna, alastra e pede bulha E só na própria bulha é que se amarra.   Tudo o que a Fúria encontra, em fúria estraga E queima e deixa negro como a hulha Mas, depois de passar numa algazarra, Cabe bem no buraco de uma agulha   Quem tem medo da Fúria? Quem o tem? Depois de detonar, toda se acalma, Chega a pedir desculpa e, de pasmada,   Não sabe, nem sequer, que lhe convém Mostrar tudo o que ainda traz na alma E fica muda, queda, envergonhada.       Maria João Brito de Sousa   18.05.2010 – 20.30h          IMAGEM RETIRADA DA INTERNET                

URBANISMO VIRTUAL ou "As coisas que me restam"

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  Sobram, de mim, castelos virtuais Feitos de antigos sons que me roubaram E os altos torreões pedem-me mais Relembrando esses tempos que passaram   Enquanto elevo a ponte, ao longe, o cais, Chorando a solidão dos que ficaram, Faz ouvir o soluço dos seus ais Sobre as águas que sempre o abraçaram   À beira rio, ao longo de uma estrada, Erguem-se, instavelmente, os edifícios Com lojas que não vendem - mas emprestam… -   Pelas quais se prolonga, incontestada A humana natureza dos ofícios… E estas são as coisas que me restam.   Maria João Brito de Sousa 18.05.2010

TEORIAS

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  Já vos contei das almas pequeninas Que há por detrás de cada ser vivente? Já vos falei do que é mais transcendente No vislumbrar das almas clandestinas?   A vós que acrescentais obras divinas A tudo o que acontece e, de repente, Esqueceis o que, no fundo, é mais urgente  E o que é inseparável destas rimas,   Vou contar um segredo tão secreto Que é bem possível que me não escuteis, Que penseis que tudo isto é fantasia…   Mas faz parte do mundo, é bem concreto E existe para além do que entendeis Embora o apodeis de “teoria”…       Maria João Brito de Sousa

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA IX (acho eu...)

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Disse-me o sol, um dia, indo dormir; - Lembras-te, ó ser lunar, dessoutro tempo Em que outros paraísos do sentir Te davam melhor cor, maior alento?   Do tempo dos sentidos a florir, Das vôo singular cortando o vento, Das horas de  encantar, sempre a surgir Das águas que te inundam lá por dentro?   Lembras-te, ou não te lembras? Se o recordas, Se, acaso, essa memória te acompanha E caso em ti persistam tais lembranças,   Vives delas ainda e, se concordas, Repara bem que é tua – embora estranha... – Essa imagem de ti com duas tranças.     DOUTA IGNORÂNCIA     Nunca sei se me sei. Eu pouco sei Pr`além da lucidez do que em mim sinto, Mas do que sei sentir, nunca desminto As rotas de quem sou, no que vos dei.   Do muito que senti, pouco pensei E, ainda desse pouco, quanto instinto, Quanta intuição!  O que pressinto Pode  vir – eu sei lá… – de quanto herdei.   Nesta minha doutíssima ignorância, Sou igual aos demais que a pouco aspiram Enquanto sou dif`rente de outros tantos   Que primam por ...

DEPOIS, SEMPRE DEPOIS...

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  E depois do depois? Depois ainda De os beijos nos morrerem no cansaço, Depois do colapsar do corpo lasso Nas fronteiras da esperança que não finda?   Depois que restará? Será bem-vinda Essa maré vazia em que o sargaço Apodreça na praia deste abraço Que agora a maré-alta torna linda?   E valerá a pena ousar o beijo Se depois só sobrar o afastamento, Se nada nos ficar deste” nós dois”?    Jamais confiarei, louco desejo! Eu nada quero além do meu talento. O resto… só depois, sempre depois!   Maria João Brito de Sousa  

LETRAS, TANTAS LETRAS...

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  Pequenos riscos negros, sinuosos… Mas não foi por acaso que os tracei, Ou então… é “acaso” o  que eu serei Enquanto os semear, assim, viçosos…   Por vezes gritam, rudes, alterosos, Saltando do papel em que os lancei… Outras vezes, porém, mal os pousei, Já sussurram mil sons silenciosos…   Se não fazem sentido… que sentido Faço eu, então, por cá, se de mim brotam, Se destas mãos magoadas vão nascendo?   E, se acaso são meus, terei mentido? Pequenos riscos – quase nem se notam… – Aos quais tanto me entrego e assim me prendo…         Maria João Brito de Sousa - Pormenor de "O Filho do Homem".

TELA II

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Sei-me das densas cores que em mim pintares. [meu corpo, todo, em esdrúxulos prazeres na anunciação daquilo que quiseres porquanto serei quanto em mim criares…]   Se, acaso não vieres, se desdenhares Tão serena brancura, ou não puderes… Serei a branca tela que não queres, Aquela que te espera até voltares.   O risco, a cor, o traço… a tábua rasa Do desconcerto interno que define Meus passos – nunca inúteis – neste mundo,   Sei-me de branca tela, ardendo, em brasa… Mas, como cada coisa, algo sublime Que sabe – ainda… – ser ventre fecundo.       Maria João Brito de Sousa  - "Puberdade", Pastel de Óleo, 1999

SOLTA-SE A FERA...

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  E, de repente, em mim, solta-se a fera. Insuspeitada, fera que, indefesa, Paradoxal se exalta e, de surpresa, Te mostra que já estava à tua espera…   Embora sendo fera, quem me dera Poder vir a sentar-me à tua mesa, Contigo partilhar quanta incerteza Me nasce deste caos de ramos de hera…   Mas não temas, amigo. A fera, em mim, Germinou num canteiro de jardim, Jamais te fará mal senão no dia   Em que arranques do solo estas raízes… Tu não sabes que as feras são felizes? Que pugnam, como tu, pela harmonia?       Maria João Brito de Sousa 08.05.2010 – 12.00h          

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA VII [ou VIII?]

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  PAIDEIA     Ar, água, terra e fogo, entreteceram O teu grandioso corpo e, na verdade, Tu não surgiste isento da vontade De que tantos de nós já se esqueceram.   Pequenos grãos de vida em ti cresceram Na absurda insensatez de quem te invade, De quem te pinta, ó mundo cor de jade, Do sol dessas manhãs que te aqueceram…   Eu não te sei explicar, mas sei sentir-te! Eu sei sentir-te em mim e, se me sentes, Ó meu planeta Terra, ó cais de areia,   És mais “eu” do que eu mesma! Vou pedir-te Que digas a verdade. Se me mentes, Sou eu que minto à minha própria ideia…     Maria João Brito de Sousa – 07.05.2010         UMA ERVINHA NO CANTEIRO DO JARDIM     De quanto grão de mundo existe em mim Em átomos pulsantes de energia, Eu serei sempre a soma do meu fim Com o raio de sol que me aquecia…   Em verdade te digo; ser assim Jamais me decepciona ou contraria. Não mais do que uma haste de alecrim, Nem menos do que a própria fantasia…   Se te pareço estranha – e sei que sim! – Espera um pouquinho mai...

INCONSEQUÊNCIAS

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  Vieste e ofuscaste a transparência Dos pátios de cristal do meu castelo Com essa milenar inconsequência Que traçaste em perfis de puro gelo   Desprezaste o melhor; esta eloquência Da convicção guardada a lacre e selo E tentaste arrancar-me à evidência Destruindo-me a golpes de martelo   Jamais tiveste culpa e, se te acuso, É puro desabafo… tudo passa Como as nuvens que passam pelo céu.   Não tiveste a noção de um tal abuso, Nem pudeste prever quanta desgraça A tua inconsequência antecedeu...          Maria João Brito de Sousa   IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

HUMANO

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  Humano, desse barro primitivo Com o qual fui moldado de nascença, Quantas vezes pergunto se estou vivo, Se é realmente minha esta presença   Humano ser, passível de fraquezas, Enfrentando os limites de quem sou, Penso, por vezes, vir das profundezas De um mundo qu`inda agora começou   Inquieto ser de gelo à beira-fogo, Correndo como os rios que atravessei, Subindo aos altos cumes do meu ser…   Se neste mar me afundo, se me afogo, Foi nele que, em sobressalto, me encontrei Quando era ainda tempo de escolher…         Maria João Brito de Sousa   IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

O REGRESSO DE "O ENCANTADO"

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  De ti, chegou-me o eco de um lamento… E se eu, Desencantado, te encontrasse E amorosamente em ti gravasse A fórmula de um estranho encantamento?   Se, depois, diluído o sofrimento Como a água de um rio que ao mar chegasse, Um único feitiço te bastasse Pr`a poderes retomar um novo alento?   Regressa o Encantado à sua obra Em órbitas que o mundo desconhece Porque só para ele fazem sentido…   A todos falta o tempo que lhe sobra Porque o tempo só sobra a quem merece E a quem tamanho encanto é concedido.       Maria João Brito de Sousa      Ao L.F., porque os encantamentos se tecem, indubitavelmente, em estranhíssimas coincidências. – Soneto nascido às 20.00h de segunda-feira, 03.05.2010.                      

BEIJO, BENDITO BEIJO!

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Beijo, Bendito beijo em que renasci Na floresta encantada onde me perdi, Pequeno beijo engendrado Entre inocência e pecado Nos ramos do meu sentir…   Beijo, Imprevisto beijo a que me prendi Na floresta privada à espera de ti, Inútil beijo esboçado Num começo inacabado Em que acabei por sorrir…   Beijo, Insensato beijo em que eu antevi Esse mundo inventado que percorri, Beijo tal qual águas puras, Carícias são diabruras A que não sei resistir…   Beijo, Sereno beijo Que nunca tive Na floresta encantada onde ninguém vive Dos sonhos por descobrir, Beijo, Impossível beijo Que nunca entendo Na floresta queimada a que me não rendo Nos limites de existir…        Maria João Brito de Sousa - 03.05.2010   IMAGEM RETIRADA DA INTERNET       NOTA - Hoje, como já deverão ter notado, publico um poema de rima livre. Depois o colocarei no Liberdades Poéticas,  que é onde ele pertence por direito, mas pareceu-me bonito e muito musical e resolvi dar-lhe honras de blog principal.

ARMAS E ARMADURAS...

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  De ser insustentável me sustento, Eu, pobre bicho erecto e depenado, Que, sem cuidar de mim, a ti te enfrento, A ti, que vens, decerto, bem armado…   Depois, haja o que houver eu só lamento O excesso de imprudência e, se é pecado, A terna dimensão em que me invento Assim que reconheço ter errado…   Mas tu nunca desistes e eu não cedo Porquanto me procuro e, mal desperta, Tenho esta perspectiva como minha.   Tu escusas de rugir! Não tenho medo, Nem sequer fecho a porta ainda aberta! Se me armo, é de utensílios de cozinha...  :)