CONVERSANDO COM MIGUEL TORGA
RENDIÇÃO * Vem, camarada, vem render-me neste sonho de beleza! Vem olhar doutro modo a natureza e cantá-la também! * Ergue o teu coração como ninguém; Fala doutro luar, doutra pureza; Tens outra humanidade, outra certeza: Leva a chama da vida mais além! * Até onde podia, caminhei. Vi a lama da terra que pisei, e cobri-a de versos e de espanto * Mas, se o facho é maior na tua mão, vem camarada irmão, erguer sobre os meus versos o teu canto. * Miguel Torga *** Ergui sobre os teus versos o meu canto Mas não te rendo os sonhos de beleza Que não terão, os meus, essa grandeza Que o mundo galvaniza em puro espanto * Mas à força de ansiá-lo tanto, tanto Quanto o pobre quer pão pra pôr na mesa, Tentei manter uma candeia acesa Sobre o canteiro em que os meus sonhos planto * Mas quis fazer bem mais que o que podia: Entre realidade e fantasia Tentei equilibrar-me sem tombar * E sobre a chama ardente da candeia Quis cozinhar poemas para a ceia Que não comi porque os deixei queimar... * Mª João Br...