Mensagens

A mostrar mensagens de julho, 2010

POR OBRA E GRAÇA

Imagem
  Antes de mim, só sonho e, porventura, Aquilo que haveria de existir. Depois uma envolvência, cio, ternura… Rituais que estar vivo faz surgir. Viver é, sobretudo, uma aventura E ainda aventura o persistir No perpétuo mistério da procura E na glória imperfeita de o sentir. Antes de mim, antes de cada vida, Um vazio por encher talvez esperasse Mais um outro qualquer procriador Pois cada vida deve ser cumprida Tanto quanto se possa e tudo nasce Por obra e graça de um poder maior…     Maria João Brito de Sousa     Imagem retirada da internet

O CONFRONTO II

Imagem
Eu visto este insepulto simulacro Do corpo a que estar viva me condena E rasgo, véu a véu, o gosto amargo De tudo o que  nascer da minha pena… Quantas vezes luzi por entre os astros? Em que órbitas se traça a estranha cena Da colisão estelar, nos céus mais vastos, Quando a nossa visão se torna plena? Ah, que estranhos caminhos nos apontam A morte e o nascimento de uma estrela E esse imenso caos do seu confronto! Majestosos titãs, quando se encontram - de uma grandeza absurdamente bela! – E, à vista desarmada, um mero ponto…     Maria João Brito de Sousa – 29.07.2010 – 00.02h   Imagem retirada da internet

NOS OLHOS DE QUEM CHORA

Imagem
  Nos olhos desvendados de quem chora Moram novas razões… quem o não sabe? Antes que a luz se vá, que o dia morra, Antes que o próprio choro se lhe acabe,     Antes do repensar de uma demora, Antes desse soluço que os invade, Antes que vá chegando a sua hora E antes da razão que lhe não cabe,     Nos olhos de quem chora se desvenda Um mar, todo inteirinho e revoltado Por ondas gigantescas que só morrem     Quando houver quem ensine e quem aprenda Que o mar que vem dos olhos é escusado, Tal como o sal das lágrimas que escorrem.       Maria João Brito de Sousa

AMANHÃ, COM ELES, NO "AS TARDES DA JÚLIA"

Imagem
  Hoje não há sonetos! Hoje vou preparar-me para, amanhã, estar na TVI, nas Tardes da Júlia, a falar sobre estes - e outros... - amiguinhos. Estes que comigo partilham, há tantos anos, os bons e o maus momentos. Os sonetos voltam depois de amanhã, se Deus quiser.

VIVÊNCIA

Imagem
  Eu canto este animal que existe em mim; Pacífico, leal, vocacionado Para não desistir, antes do fim, Do que quer que tivesse começado. Canto este bicho que descreve, assim, Momentos do que em si foi já passado E o enfeita com hastes de alecrim Consciente de um fim sempre adiado… Canto, em boa verdade, a minha vida; Os meus cinco sentidos – e algo mais… - Sob a teia lunar de uma envolvência Aleatoriamente traduzida - como a de tantos outros animais – Naquilo que a que chamamos de vivência…     Maria João Brito de Sousa – 23.07.2010 – 00.32h

SÓ POR UM BOM/MAU MOTIVO!

Imagem
  Como posso eu escrever seja o que for Se, hoje, esta insegurança me venceu, Se o tal subsídio, desfeito em vapor, Se faz tardar... ou desapareceu?!   Ninguém me diga nada, por favor! Eu já pensava tê-lo como meu E, de repente, some-se um valor Que eu- julgo... - o meu trabalho mereceu!   As contas que não esperam por ninguém Não vão  dar-me um segundo de sossego E um desabafozinho é admissível...   Se agora eu não escrever assim tão bem É porque estou zangada e não o nego! [raramente sou má, fico irascível...]       Maria João Brito de Sousa - agora mesmo, sem grande vontade e com uma pitada de "zanga"     IMAGEM - Caricatura de António de Sousa nos seus tempos de Coimbra

SONETO? NENHUM!

Imagem
  Não sei o que fazer… nem um soneto, Por mais pobre que seja- ou menos bom… -, Por mais “de pé quebrado” ou incompleto, Se digna bafejar este meu dom! Portanto, saia lá o que sair, Por pura teimosia, eu vou escrevendo E se não for soneto, este “sentir” É, ao menos, aquilo que eu pretendo… Papagueada a métrica insegura, Agrupados os versos dois a dois, Vou preparando os tercetos finais E, não estando impecável a estrutura, Não vos posso jurar que vá depois Dedicar-me a escrever uns versos mais…   Maria João Brito de Sousa – 21.07.2010   A precisar de férias…mesmo!

NESSES DIAS, TÃO MAIS LUMINOSOS...

Imagem
    Há dias em que a luz é tão brilhante, Que as coisas tomam tons muito dif`rentes E nada pode ser mais importante Do que essas mutações quase aparentes… Nesses dias, o brilho do diamante, Fica a dever aos verdes inocentes Daquele pinheiro bravo - esse gigante… - Que pr`a mim ergue os braços rescendentes. Há dias em que a luz tem mais calor E esse estranho sabor de uma alegria Que ainda recordamos… nesses dias. Por vezes, cheiro a luz na própria cor Pensando que essa luz me bastaria, Que tudo o mais são meras fantasias…     Maria João Brito de Sousa – 19.07.2010 – 19.09h     Imagem retirada da internet

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XV

Imagem
    NUM MOMENTO DE PAUSA     Foi nas margens de um lago virtual Onde, às duas por três, quis descansar Que encontrei um estranhíssimo animal Que por ali andava a vaguear… Não pude adjectivá-lo de normal, Arquivei-o na pasta de “Invulgar” E, sem que eu lhe fizesse nenhum mal, Acabou, afinal, por “pôr-se a andar”… Não se sabe o que pode acontecer Quando um estranho animal nos desafia, Desmentindo esse pouco que aprendemos… Este fugiu de mim, que o queria ver, Outro talvez pareça que confia… Mas fujamos daquele que nunca vemos!     Maria João Brito de Sousa – 04.07.2010 – 18.32h       CONVERSAS DE MÃE PR`A FILHO       Correste encosta abaixo e não paraste Senão quando chegaste à beira mar; Decerto te esqueceste de abrandar E na espuma das ondas mergulhaste… Ainda me recordo que choraste Quando sentiste a dor a penetrar Tua fronte molhada, a gotejar Da mesma espuma em que te aventuraste. E lembro um outro dia, há tantos anos, Em que sofrendo muito poucos danos Me vieste, a correr,...

O URSO POLAR E EU

Imagem
  Ouvi o teu rugido. O teu percurso, A lonjura polar de um mar qualquer… Depois, interrompendo o teu discurso, Olhaste e viste em mim uma mulher...     Muito embora assustado, eras um urso E eu, que vinha em paz, sem já saber Como explicar-te o que nem mesmo um curso Poderia ajudar-te a perceber…     Pensei, então, dizer-te que nem todos Os bípedes primatas, como eu sou, Te irão desrespeitar ou destruir     Mas em vez de o dizer, chorei a rodos… Por trás de mim, alguém que disparou, Calou-te sem te dar tempo a fugir…         Maria João  Brito de Sousa     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

DEPRESSA/DEVAGAR

Imagem
Depressa/devagar se chega aonde, Depressa ninguém chega e, devagar, Também nenhum de nós pode chegar Porquanto o horizonte em si o esconde… Depressa… e tudo fica mal esboçado. Tanto erro cometido e tanto engano Que, mais tarde ou mais cedo, trará dano A quem, passando, venha descuidado. Devagar, tantas vezes por cansaço, Outras vezes porém… puro desleixo! Depressa e devagar, sempre alternando, Conforme a prontidão do nosso braço, Prevendo, com clareza, outro desfecho, Pr`a quem vai construindo e "poetando". ..     Maria João Brito de Sousa                

ASAS PARA VOAR

Imagem
    “Tem asas pr`a voar!”, pensava então, Considerando o Espaço Virtual… Depois tomei pr`a mim quanta ilusão Surgira desse Espaço e, afinal… Esse Espaço tornou-se habitação E, sempre que engrossava o seu caudal, - fruto de uma imprevista reacção- Cresciam-lhe umas asas de cristal… Estas coisas da química da vida Podem, por vezes, ser surpreendentes E trazer-nos tão estranhos resultados Como esta reacção tão desmedida, Tão ímpar, talvez tão sem precedentes Quanto as asas reais dos seres alados…       Maria João Brito de Sousa -12.07.2010 – 22.49h

O CONCEITO DE "POETA MAIOR"

Imagem
(Soneto em decassílabo heróico)   Sou Poeta Menor. Se Maior fosse, Melhores versos faria, com certeza, - a minha qualidade desgastou-se na absurda dispersão dessa beleza     nas rimas, como peixes de água doce expandindo-se em selvagem natureza… – Mas, Maior ou Menor, o verso impôs-se Sem pedir meças, nem sonhar grandeza     Noto que muitas vezes se utiliza A palavra “maior” sem propriedade E acredito que muitos desconheçam     Que este adjectivo apenas simboliza O Épico, o que aspira à divindade Por obra de alguns feitos que a mereçam.         Maria João Brito de Sousa – 11.07.2010 – 15.07h       Imagem retirada da internet  

POETAS DA MINHA TERRA!

Imagem
    Poetas da minha Oeiras, Gente viva, como eu estou, Partilhando estas canseiras, Dando-se como eu me dou,   Poetas de ontem e de hoje, Uns ainda produzindo, Outros – como o tempo foge… - Na tela, ainda sorrindo…   Que absurda força nos move? Que inércia é esta – e não pára! – Que surpreende, comove, Faz de nós gente assim rara?   E enquanto vou perguntando, As questões, já respondendo, De novo me vão explicando Razões que eu mal compreendo…       Maria João Brito de Sousa – 11.07.2010 – 18.47h       Imagem de Cesário Verde, retirada da internet       NOTA - Excepcionalmente publico, neste blog, um poema em redondilha maior. Este poema "nasceu-me" do evento promovido pelo Centro Cultural de Oeiras, no sábado passado.  Os sonetos retomarão, amanhã, o seu lugar habitual. Se Deus quiser.                     

O ELOGIO DA RECTIDÃO

Imagem
  Nos meus longínquos dias de menina, Jamais foi posta em causa a pertinência Do longo, longo tempo de uma ausência Ou do toque ideal da luz divina. A casa era, pr`a mim, uma oficina E, em cada linha escrita, a transparência Sabia impor-se à dura penitência, Justificando o quanto me fascina… Assim, nesse húmus rico, fui crescendo No centro do canteiro que não esqueço, Como planta; selvagem, mas erecta! E se hoje alguma coisa eu não entendo, É porque, com certeza, o não mereço… Eu tendo a escrever sempre em linha recta.     Maria João Brito de Sousa – 29.06.2010 – 21.54h  

OEIRAS, HISTÓRIA DE ONTEM, ESTÓRIAS DE HOJE

Imagem
      " Integrado na programação do CENTRO HISTORICO DE OEIRAS, o CENCO - Centro Cultural de Oeiras, vai estar  presente nestes eventos, a convite do Sr. Presidente.   Na noite do próximo dia 10, pelas 21.30, apresentaremos uma Noite de Poesia (com um pouco de teatralização) subordinada ao tema: Oeiras, História de Ontem, Estórias de Hoje.    Entre os vários poetas que selecionámos, será dita poesia da Maria João Brito de Sousa,  bem como do António de Sousa.   O Evento Cultural será no 1º andar da Livraria-Galeria Verney e teremos imenso prazer em contar com a sua presença."                                                                                           ------------ ----------- ---------     Transcrevo e publico o convite que a  Dra. Glória Torrado me enviou por email  e aproveito para deixar os meus  mais sinceros agradecimentos a todos os elementos do CENCO bem como à Direcção da Galeria Livraria Municipal Verney.    Livraria-Galeria Municipal Verney - Rua Cândid...

NA ESTRANHA ARQUITECTURA DOS MEUS DIAS

Imagem
  Na lucidez das horas que constroem A estranha arquitectura dos meus dias, Os minutos que sobram pressupõem Espectros sedimentares de fantasias   E quando outros desenhos se me impõem, Despontando, quais suaves melodias, Eu recomeço e logo se compõem Mil notas de outras tantas melodias…   Alegre e desatenta ou desinteira, Serena ou semelhante a tempestade, Roçando uma harmonia quase pura,   Percorre-me inteirinha e, sem canseira, Traçando uma tangente à divindade, Transcende-me, esta estranha arquitectura…         Maria João Brito de Sousa – 05.07.2010 – 21.18h       IMAGEM - Uma chama de esperança contra o cancro.   Que cada um de nós possa, à sua maneira, deixar uma oração, um pedido por todos aqueles que, neste momento, sofrem.   Esta vela foi-me entregue pela Maria Luísa, do http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt/   e convido-vos a levarem-na convosco e a passarem a mensagem.

A CRIAÇÃO DOS COMETAS

Imagem
  Meu astro pequenino, independente, Na órbita insegura de uma vida, Deixando um rasto tanto mais urgente, Quão próxima estiver tua partida   Meu astro de estro apenas emergente, No vislumbre ideal de uma saída, Tornado Astro Maior que, de repente, Decide dar-se inteiro, em despedida   Tão só nesse momento o mundo aceita O brilho que era em ti desde o começo E que, desde o começo, te movia   Teu rasto de infinitos, quando espreita, Traz a luz de outros sóis, que não conheço, Prenunciando um novo e claro dia.       Maria João Brito de Sousa – 03.07.2010 – 17.10h    

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XIV

Imagem
  NOS TEUS DOIRADOS OLHOS     Nos teus olhos doirados convergiam Todas as transparências da alquimia E do brilho velado que emitiam Nascia um luar novo, em pleno dia...   Insinuações,quais sombras, permitiam, Ao meu humano olhar que os inquiria, Carícias mil que, a mim, me transmitiam Sempre que o meu olhar os pressentia…   Iluminando a noite, assim, seguros De encontrarem os meus à sua espera, Aproximam-se mais das mãos que estendo…   Teus olhos são doirados… os meus, escuros, Abertos, não distinguem – quem me dera… - Senão um linguajar que sempre entendo…     Maria João Brito de Sousa – 03.07.2010 – 22.15h     Ao Sigmund, o mais amado dos meus gatos.       DESLUMBRAMENTO III     Deslumbra-me essa absurda persistência Da vida a começar, sempre tão linda, Dos astros que, em perfeita transparência, Se desenham num céu que nunca finda,   Das ínfimas coisinhas que não vemos, De todas as que, vistas, nos transcendem, Do muitíssimo pouco que sabemos E das coisas sabidas que nos prendem…   S...

LIÇÕES DE VIDA

Imagem
  Em verdade vos digo que este mundo, Tão cheio de armadilhas e traições, No qual eu tantas vezes me confundo, Me vai dando muitíssimas lições   E, se às vezes me zango, cá no fundo, Aproveitando as tais contradições, Vislumbro as soluções de que me inundo E vou tirando as minhas conclusões…   Em verdade, portanto, vos repito Que mesmo que o caminho me pareça Demasiado agreste, assustador,   Eu não recuarei porque acredito Que, até que esta vontade prevaleça, Jamais o enfrentarei com vão temor…       Maria João Brito de Sousa – 01.07.2010 – 22.51h

QUARTA E QUINTA FEIRA

Imagem
  A DISSECAÇÃO DOS DIAS     Cada dia é um dia que começa Sobre outro que passou, que foi vivido. Depois, por cada dia que aconteça, Será o teu percurso construído.     Há quem disseque os dias, peça a peça, Quem procure o seu rumo, o seu sentido E também quem não ligue e, assim, se esqueça Que um dia, por passar, não foi perdido…     Cada dia que passa é mais um dia E mais um passo dado em direcção Ao que, desconhecendo, mais receias,     Mas não fora esse passo e não teria O tempo que te sobra essa intenção De acrescentar-te, a ti, novas ideias…       Maria João Brito de Sousa – 26.06.2010 – 16.36h       MAIS UM DIA...     Este é um dia como tantos outros, Um dia que está quase a começar E em que muitos poemas serão poucos Ante os qu`uinda pretendo aqui deixar.     Mais um dia em que, louca entre os mais loucos, Prescindo de viver para sonhar, Em que, escrevendo, faço ouvidos moucos A quem me tente, a mim, condicionar…     Irmãos, ser-se poeta não permite Viver como viveis, gastando a...